Jardinagem e paisagismo

Além dos arranjos: "miniflores" se adaptam a vasos, jardins e dão colorido primaveril à casa

Rodolfo Geiser/ Divulgação
Plumbago auriculata (bela emília): planta muito versátil e rústica, largamente utilizada no paisagismo imagem: Rodolfo Geiser/ Divulgação

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Você pode gostar das flores grandes e compridas, muitas nascidas ao longo de uma só haste, como as orquídeas, mas não há como negar que aquelas pequenas flores multicoloridas que nascem em arbustos, trepadeiras, forrações ou árvores têm seu charme e enfeitam tanto quanto uma solitária e elegante rosa.

Alguns paisagistas consideram como pequenas as flores de até 3 cm de diâmetro, outros definem a marca de 5 cm,  mas uma coisa é certa: essas diminutas criações da natureza são procuradas para compor cachos, buquês ou mesmo vasos. “De cores quase sempre muito vibrantes, a maioria delas é um grande atrativo de borboletas e beija-flores”, afirma Christiane Ribeiro, arquiteta paisagista e sócia diretora da empresa Rodolfo Geiser Paisagismo e Meio Ambiente.

Compra e plantio

Segundo a paisagista e bióloga, Heloiza Rodrigues, os arbustos de flores pequenas são rústicos e resistentes e podem ser plantados em boa parte do Brasil. Em sua maioria essas flores são cultivadas a pleno sol, direto no solo ou em vasos, mas algumas espécies se adaptam bem à meia sombra.

As variedades, basicamente, podem ser divididas em perenes e anuais, ou seja, plantas que germinam, crescem, florescem e morrem dentro do período de 1 ano. É possível adquiri-las na forma de mudas (em saquinhos ou potes) em floriculturas, viveiros ou Ceasas, mas a engenheira agrônoma Amaralina Celoto recomenda a compra em viveiros credenciados que atestam a qualidade e a isenção de doenças dos vegetais. “Elas são fáceis de adquirir, mas cada tipo de planta requer um cuidado especial, de acordo com as exigências de adubação, rega e poda inerentes a cada espécie, em diferentes épocas do ano”, explica Celoto.

As flores também podem ser compradas na forma de sementes, com uma grande variedade disponível no mercado. “Depois de semeadas e crescidas o suficiente, as mudas podem ser transplantadas para um local definitivo, seja um canteiro ou floreira”, recomenda Ribeiro. As espécies de corte, também muito utilizadas e fáceis de encontrar, são comumente encontradas e empregadas na composição de arranjos e formam belas combinações com outros tipos de flores e folhagens.

Tipos, usos e cuidados

Segundo Ribeiro, antes de qualquer passo é importante levar em conta a característica de cada espécie. Dessa forma, algumas são ideais como forração nos jardins, caso da bulbine (Bulbine frutescens), da lantana amarela (Lantana repens), do amendoim rasteiro (Arachis repens), e do alho-social (Tulbaghia violácea). Outras podem ser utilizadas em vasos e floreiras como as ixoras (Ixora coccinea), as mini rosas (Rosa chinensis), e os gerânios (Pelargonium hortorum) e há variedades de cultivo em meia sombra, como as begônias.

Depois de conhecidas as particularidades de cada espécie, a composição pode ser feita pela cor, porte e textura, sendo importante também levar em conta o clima e o local do plantio, ou seja, se a área é ensolarada a maior parte do dia ou não. “A bela emília, por exemplo, fica muito bem como bordadura nos caminhos e junto a muretas”, explica Ribeiro.

“Já as espécies pendentes e trepadeiras como a budléia (Buddleja davidii), o jasmim-italiano (Jasminum grandiflorum) e a lágrima de cristo (Clerodendron thomsonae), são muito delicadas e de grande beleza e ficam bem em caramanchões e pergolados”, completa a paisagista. Há também várias opções de porte arbustivo com flores bem delicadas, que podem ser organizadas em maciços, como a orelha de onça (Tibouchina grandiflora), o resedá-amarelo (Galphimia brasiliensis) e a abélia (Abelia grandiflora).

Quanto à demanda de cuidado no cultivo existem espécies mais rústicas e de porte maior, que requerem menos trato, como a russelia (Russelia equisetiformis) que atrai beija-flores, o jasmim-amarelo (Jasminum nudiflorum), e de novo, a bela emília (Plumbago capensis), pouco exigentes quanto ao solo e rega. Já para plantios anuais são indicadas alisso (Lobularia marítima), kalanchoe (Kalanchöeblossfeldiana), tremoço de jardim (Lupinus hybridus) e lavanda (Lavandula dentata). Essas variedades requerem mais cuidado e replantio de tempos em tempos, algumas, como na kalanchoe vão bem em vasos.

As flores de corte mais duráveis, porém, são as mini rosas, o mosquitinho (Gypsophila paniculata) e a vara-dourada (Solidago canadensis), todas de cultivo mais elaborado que, geralmente, requer estufas.

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