Jardinagem e paisagismo

Conheça os erros mais comuns em jardinagem e cuide da saúde de suas plantas

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Quanto maior for a quantidade de substrato que a planta tiver à disposição, maior será seu desenvolvimento imagem: Getty Images

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

Quando se cultiva uma planta em casa ou no apartamento, o desejo é o mesmo: que ela se desenvolva sempre saudável e bonita. Mas às vezes, o que se presencia são sinais de que a espécie não está nada bem.

Água demais, sol de menos são alguns erros comuns - e facilmente solucionáveis - em jardinagem. O UOL Casa e Decoração listou 11 desses equívocos corriqueiros para que você cuide ainda melhor da saúde do seu jardim ou de seus vasos. Veja!

1. Vaso menor, planta acanhada

Toda espécie precisa de espaço para crescer e se desenvolver. Se a planta está em um vaso pequeno é provável que suas raízes fiquem atrofiadas e, consequentemente, o vegetal perderá suporte, estabilidade e beleza. Assim, você pode até cultivá-la em um recipiente menor, mas assim que a plantinha brotar e crescer, transplante-a para um vaso mais amplo.

Como exemplo, uma planta que possa chegar a 80 cm de altura, precisa - no mínimo - de um vaso com 30 cm de profundidade por 20 cm de diâmetro. Por isso, antes do cultivo, busque informações sobre o porte da espécie.

Para os arbustos de modo geral, plantados em torrões, deixe um distanciamento mínimo de 10 cm entre o torrão e a borda do vaso.

Entretanto, entenda: quanto maiores forem a quantidade e a qualidade de substrato que a planta tiver à disposição, maior será seu desenvolvimento. “Se a intenção é que a planta cresça bastante, quanto maior o vaso, melhor”, aconselha a paisagista Erly Hooper. Uma exceção é o bonsai, que é mantido em um recipiente pequeno e tem suas raízes podadas segundo técnica específica para que não cresçam.

2. Encharcado ou seco?

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    Use um regador tipo “chuveirinho” que distribui a água aos poucos

Normalmente é assim: ou o erro vem pelo excesso ou pela falta de regas às plantas. A quantidade de água adequada para qualquer espécie depende de suas próprias características vegetais e da qualidade do solo. As denominadas suculentas como a dedinho-de-moça (Sedum morganianum), o carpete-dourado (Sedum acre) e a flor-de-maio (Schlumbergera truncata) precisam, por exemplo, de regas espaçadas, pois armazenam bastante água.

Uma maneira prática para certificar se o solo precisa ser regado é colocar a mão na terra e sentir a umidade. O professor do curso de jardinagem do Senac de São Paulo, Anselmo Augusto de Castro, ressalta: se aparentemente a superfície está seca, mas há umidade logo abaixo, não molhe. Outra dica é usar um regador tipo “chuveirinho” que distribui aos poucos e melhor a água sobre as plantas e o substrato.

Não se esqueça, também, que todo vaso carece de uma boa drenagem para que, ao ser aguado, não “afogue” o vegetal. Para o sistema de dreno, as pedras de argila expandida e os furos no fundo do recipiente são boas opções.

3. De sombra, de sol

A própria planta pode dar sinais se está exposta demais ao sol ou se não tem luminosidade suficiente para seu crescimento. As espécies de sombra, quando colocadas sob o sol, podem apresentar folhas amareladas ou queimadas, que secam até morrer. As de sol, quando ficam sem luz, têm folhas atrofiadas.

Por isso, ao comprar sementes ou mudas, lembre-se de perguntar as particularidades e origens da planta ao fornecedor ou ao profissional de uma loja especializada.

4. Cal no tronco é bom: mito ou verdade?

Mito. Aplicar cal no tronco da árvore não evita a proliferação de doenças, como popularmente se apregoa. Por ser uma substância química, a cal, além de não proteger a planta, pode atrapalhar seu desenvolvimento. “Com a cal, você impede a respiração e transpiração da planta, fechando os poros e a sufocando-a”, explica o jardineiro da Center Flora – empresa especializada em jardinagem e paisagismo –, João Gregório Campos.

5. E a grama acinzentou?

Uma poda inadequada e a ausência de regas e adubação podem deixar a grama acinzentada e com falhas. Castro recomenda, entre a primavera e o verão, uma adubação nitrogenada à base de uréia – ótima para o crescimento das folhas –, além de realizar coberturas de areia como forma de proteção às baixas temperaturas durante o inverno.

Entenda que cada espécie de grama tem um limite ideal para a poda: gramados pouco espessos podem ser resultado de cortes rasteiros, abaixo do limite da gramínea. Por exemplo, a espécie esmeralda (Zoysia japonica), bastante usada no Brasil, pode ser podada até três centímetros de altura. Cultivada a pleno sol, a esmeralda precisa de adubações semestrais e regas regulares.

Um conselho de jardineiro: “faça a primeira poda somente dois meses após o plantio, porque a grama estará estabilizada e segura no solo”. Para as regas, assim como para outros vegetais, prefira as horas mais frescas do dia, de manhã ou no início da noite.

6. Vaso de cerâmica: como evitar rachaduras

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    Para evitar rachaduras, impermeabilize o interior do vaso de cerâmica

Por ser poroso, há a possibilidade do vaso de cerâmica rachar com a variação de temperatura do ambiente. Em dias muito quentes, por exemplo, pode ocorrer um choque térmico entre a alta temperatura do vaso e a água fria da rega, ocasionando pequenas fissuras.

Por isso, indica-se uma impermeabilização do recipiente. Você pode usar tintas ou revestimentos impermeabilizantes – aqueles usados em caixas d’água e reservatórios: basta aplicar uma camada no interior do vaso ou da floreira.

Outra saída é queimar a peça a uma elevada temperatura - em fornos especializados - a fim de aumentar a resistência do material.

7. Cortes drásticos

Arbustos e árvores de pequeno porte, em especial, ficam tão bonitas quando recebem podas. Mas como saber qual o limite para não matar a planta?

Primeiramente, há diferentes motivos para sua realização: o controle do tamanho ou da forma, o direcionamento do crescimento e as limpezas do tronco. As podas são aconselhadas entre o final do inverno e início da primavera. Por sua vez, cortes drásticos e transplantes não são recomendados em épocas mais frias, quando geralmente incide a dormência da planta e sua inatividade.

Antes de fazer os primeiros cortes, certifique-se que a planta esteja bem estabilizada e fixa no solo – para algumas espécies, o adequado é aguardar a primeira floração - e sempre utilize uma boa ferramenta, bem afiada, para não machucar o vegetal.

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    Para a poda, escolha uma boa ferramenta, bem afiada, para não machucar a planta

Para a limpeza do tronco, elimine os chamados “galhos ladrões”, os brotos que nascem no caule da árvore e “roubam” sua força, direcionando seu crescimento para os lados. “Outro tipo de poda é a limpeza fito-sanitária, que constitui na retirada dos galhos fracos, velhos, mal formados ou doentes”, completa Hooper.

Regras gerais: para um crescimento vertical, retire os ramos laterais e secundários, mais baixos. Se quiser que a planta cresça lateralmente, a poda deve estar concentrada na gema apical (parte superior) dos ramos centrais.

8. Antes do inseticida químico

Ao se constatar alguma praga ou doença na planta é comum recorrer imediatamente aos inseticidas químicos. Porém, Castro explica que são menores as chances de uma espécie ficar doente em um ambiente estável, com água e nutrientes suficientes. Desta forma, um modo de combate é verificar, examinar e corrigir estes fatores.

Como alternativa natural, pode-se usar calda de fumo para pequenas infestações como as de pulgões. Já para o combate à cochonilha recomenda-se a busca por orientação especializada, que determina o inseticida e a forma de aplicação adequados.

Se usar químicos, tenha cuidado com manuseio: use luvas e máscara e não trave contato direto com a planta após a aplicação, limitando também a aproximação de animais domésticos e crianças.

9. A trepadeira perdeu as folhas, devo arrancar?

Algumas espécies de trepadeiras como a hera japonesa (Parthenocissus tricuspidata), usadas na cobertura de muros residenciais, perdem completamente suas folhas durante o inverno. Não se preocupe: a perda total da folhagem é uma característica das espécies "caducas", ou seja, que apresentam queda total de suas folhas para renová-las depois. Não arranque a trepadeira neste período!

10. Raízes x calçadas

Plantadas em pequenos canteiros na calçada, algumas árvores podem crescer a tal ponto que suas raízes estouram e invadem o caminho pavimentado. O engano está na escolha da espécie. Por não serem árvores tão altas, a pata-de-vaca (Bauhinia forficata), o manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis) e o resedá (Lagerstroemia indica), por exemplo, não causam este tipo de problema.

Atenção! Ao plantar qualquer espécie no passeio verifique com a secretaria do meio ambiente da sua cidade quais são as determinações - como a necessidade da colocação de guia e gradil de proteção - para o cultivo. Além disso, consulte quais as dimensões corretas do canteiro para que a planta cresça com saúde e, em hipótese alguma, pavimente o chão junto ao caule.

11. A horta de temperos desandou

Mesmo com os cuidados de rega e adubação, às vezes, a horta caseira de temperos em pequenos canteiros e jardineiras, após alguns meses, apresenta queda de folhas e pára de se desenvolver.

O primeiro passo é verificar se as ervas recebem a quantidade certa de luz do sol, porque precisam de uma boa luminosidade direta e diária. Depois observe se há muitas espécies de temperos em uma única jardineira, elas podem estar “brigando” pelos nutrientes do solo. Por isso, plante, no máximo, três tipos de ervas em um mesmo espaço.

Algumas delas como o alecrim e a hortelã precisam de solo mais arenoso para se desenvolverem. Nestes casos, o ideal é misturar uma parte de areia para cada duas de terra adubada. Aliás, é recomendável que o cultivo da hortelã seja feito em um vaso à parte. Dominante, a espécie se espalha facilmente.

Para o plantio de hortaliças, entenda que estas plantas têm um ciclo completo de crescimento, com começo, meio e fim. Assim, após seu término, o replantio é indispensável.

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