Projetos

Com 81 m², casa nos EUA é inspirada em estilo renascentista e mobiliada com itens antigos

Tony Cenicola/ The New York Times
"Eu realmente queria fazer algo bem construído e que durasse muito tempo", argumenta Reid Burgess - bandolinista que adora construções em estilo renascentista e bluegrass - sobre sua casa em Charleston imagem: Tony Cenicola/ The New York Times

Brooke Hauser

Do The New York Times, em Charleston, Carolina do Sul (EUA)

Há tempos que Reid Burgess é apaixonado pela arquitetura de inspiração Renascentista – também conhecida como Palladiana, por conta do arquiteto italiano Andrea Palladio. Quando criança, ele se enamorou dela durante uma visita à Itália, e quando adolescente, crescendo num subúrbio de Chicago, costumava fazer elaborados desenhos de vilas para suas paqueras do colegial.

Um desenho mostrava uma propriedade mediterrânea com uma grande pátio para carros; que Burgess batizou de “Lauren”. Outro era um pequeno templo neoclássico com um plano de cores em preto e branco, ao qual ele deu o nome de “Pérola Negra”, e o presenteou para uma garota chamada Jenny.   

 

Agora, com 33 anos, Burgess finalmente construiu uma versão adulta de suas fantasias pueris. Ele chama a casa com três pavimentos, com cerca de 81 m ², de “a menor vila palladiana do mundo”. E, adequadamente, ele é dono desta construção junto com sua namorada Sally Eisenberg, 33 anos – com que está há 15 anos - e que é tão mignon, com seus 1,55m, quanto ele é alto (tem 1,93 m). “Ela é minha musa”, afirma Burgess, “Sally ama coisas pequenas, lugares pequenos”.

Burgess, um bandolinista que vive em Nova York com Eisenberg, resolveu dar vida a seu sonho em Charleston, na Carolina do Sul, depois de ler um artigo sobre o trabalho que George Holt, um designer autodidata, vinha fazendo por lá. Holt, abrira uma empresa chamada New World Byzantine - em parceria com o também designer Andrew Gould - e passou os últimos 20 anos restaurando casas antigas e construindo novas moradas com estética medieval. No processo, o duo ajudou a revitalizar áreas decadentes.

Um sonho e seus desafios

  • Tony Cenicola/ The New York Times

    A porta lateral (à esq.) foi encontrada na rua, dscartada. Parte da mobília da casa é antiga

“Acordei um dia”, conta Burgess, “e simplesmente soube que precisava mandar um email para o George”. Holt acabou colocando Burgess em contato com um  incorporador imobiliário chamado Gerard Moran, que esteve envolvido na restauração da região de Elliotborough, no centro de Charleston.

E o incorporador vendeu para Burgess um terreno de 56 m ² ali mesmo, ao lado de vários outros projetos de Holt, por cerca de US$65 mil. Holt, que projetou a vila junto com Gould e Burgess, observou: “o maior desafio foi o tamanho do terreno e o fato de que a casa de Reid e Sally seria, efetivamente, uma ‘townhouse’ ladeada por construções adjacentes”.

Financiar o projeto foi outro desafio. O bandolinista se reuniu com mais de 20 casas de empréstimo antes de ter o seu financiamento aprovado. Em junho de 2011 ele finalmente começou a construir sua casa sob a supervisão de Holt e Gould, que vive ali perto, em uma construção feita para parecer ter saído de 1700. Durante todo o tempo da obra, Burgess manteve um blog para documentar seus progressos. 

Um sólido castelo

“Toda cidade precisa de um castelo”, dizia seu primeiro post. “E todo castelo deve ser construído com o mesmo espírito que leva as crianças para a floresta, para construir uma casa na árvore”, defendia. A obra, que ficou pronta em junho deste ano, custou cerca de US$ 200 mil, sem contar despesas como paisagismo, licenças e taxas. E foi feita para durar, em alvenaria sólida. 

Burgess também conseguiu incorporar materiais reciclados, como tijolos e portas que encontrou na rua. Uma de suas peças favoritas é a lareira, feita com tijolos encontrados no terreno da propriedade e que ele acredita ter sido parte de fortificações da guerra de 1812.

O bandolinista achou a experiência de trabalhar com Holt tão recompensadora que eles começaram, juntos, um negócio próprio: uma empresa chamada Urban-Ergonomics. Então Burgess e Eisenberg provavelmente devem passar uma boa parte de seu tempo em Charleston.

Quando está lá, o casal ocupa o espaço aberto no andar de baixo da casa, que tem cerca de 28 m ² e que foi mobiliada ao custo de cerca de US$ 1 mil, com um eclético mix de achados na Craiglist e no eBay. (Para economizar, eles alugaram os dois andares de cima para estudantes universitários.)

É um espaço pequeno, mas projetado com eficiência e grande o bastante para um casal, mesmo quando um deles é um homem da estatura de Burgess.  “É por isso que temos um pé direito de 4m”, brinca. 

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

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