Jardinagem e paisagismo

Ingredientes culinários tornam-se aliados no combate a pragas no jardim

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As soluções preparadas com cebola, alho ou pimenta podem ajudar no combate de pragas e doenças imagem: Getty Images

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

Temperos como pimenta e coentro, cebola ou alho e cascas de legumes e frutas são facilmente encontrados em sua cozinha e, acredite, ajudam também no combate às pragas da jardinagem e na composição de adubos. Alternativas naturais e orgânicas aos inseticidas químicos e aos fertilizantes sintéticos, podem se tornar insumo para a nutrição do solo do seu jardim ou horta e combater de lesmas a fungos. As receitas e a aplicação são simples, porém, como são soluções concentradas, devem ser mantidas longe do alcance de crianças e animais domésticos. Siga as indicações dos especialistas e mãos à obra!

Da cozinha para o jardim

Os defensivos naturais mais comuns para jardinagem são aqueles produzidos a partir de plantas, muitas delas, usadas na cozinha de casa. De acordo com o engenheiro agrônomo e professor da Escola de Jardinagem do Parque Ibirapuera de São Paulo, Mário do Nascimento Júnior, substâncias como as pimentas ardidas agem como repelentes e podem eliminar os insetos no jardim.

Mas, antes mesmo de recorrer aos defensivos naturais, o agrônomo ressalta a necessidade de observar o cuidado diário da planta. Ou seja, o risco do surgimento e permanência de doenças diminui se as necessidades de luz, irrigação e adubação de cada espécie forem atendidas corretamente. “Se a nutrição não está adequada, surgem as pragas”, completa.

Cascas de legumes e frutas viram adubo

A adubação orgânica ajuda na melhora das propriedades físicas e biológicas do solo, fornecendo às plantas os nutrientes para seu bom desenvolvimento. Para o pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Sebastião Wilson Tivelli, todos os resíduos orgânicos podem ser utilizados como fertilizante natural, no entanto, alerta:

  • Os resíduos orgânicos podem ser usados como fertilizante natural para o jardim

- Tome cuidados para evitar a contaminação dos cultivares ao adubar com substâncias contaminadas por coliformes fecais e metais pesados. Nunca use as fezes do seu bichinho de estimação para esta finalidade. “Esses animais e os seres humanos abrigam alguns parasitas que são comuns a ambos; uma compostagem inadequada pode favorecer o ciclo desses organismos vivos”, explica Tivelli.

- Determinados substratos não podem ser utilizados "in natura", porque demoram anos para disponibilizar seus nutrientes para as plantas. Como exemplos podemos citar a casca de ovo e a concha de frutos do mar que devem ser usadas somente após torrefação.

Tivelli aconselha a preparar o fertilizante com restos orgânicos encontrados na sua localidade e que sejam de baixo custo. “Sugiro que em jardinagem doméstica seja utilizado o resíduo de grama que sobra após o corte e o resíduo de folhas e galhos que caem naturalmente ou são podados. Ambos servem perfeitamente para serem compostados”, diz.

Entre os adubos naturais, Mário do Nascimento Júnior, recomenda o húmus de minhoca e o composto orgânico.  O agrônomo ensina como fazer o adubo através do processo de compostagem.

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    O capim, as aparas de grama, folhas e cascas de legumes e de frutas podem virar adubo orgânico

Preparo do composto orgânico

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    Pique as cascas de legumes e frutas para facilitar a decomposição

- Primeiro, reúna restos de cultura como capim e aparas de grama, folhas e cascas de legumes e de frutas. O material deve ser bem picado para facilitar a decomposição;

- Depois de juntar os substratos, deposite-os sobre o solo, em camadas de aproximadamente dez centímetros de altura, sempre alternando com terra "preta" rica em húmus ou mesmo terra do jardim. Nesta etapa, é possível fazer uso combinado de esterco animal, como o de gado;

- Após montar a pilha, cubra-a com palha ou uma camada de terra de três centímetros. Uma dica é acrescentar um punhado de cal sobre o monte, isso evita o mau cheiro e a proliferação de insetos;

- Coberta a pilha, realize regas periódicas para manter a umidade e revolva o material uma vez por semana, de forma a expor a parte interna para haver aeração e homogeneização da massa;

- O tempo para decomposição dos substratos é de aproximadamente três a quatro meses. Ao fim do processo, repare que as camadas originais não podem se distinguir. “Quando o material estiver bem homogêneo, de cor escura, com a consistência de terra e com cheiro agradável, está pronto para utilização como adubo”, explica Nascimento.

É natural, mas tome cuidado

Mesmo sendo caseiros e naturais, alguns preparados podem ser perigosos à saúde das pessoas e dos animais da casa. Por exemplo, a conhecida calda de fumo, utilizada em muitas regiões do Brasil para repelir e matar insetos como os pulgões e cochonilhas, possui a nicotina como princípio ativo, substância nociva aos seres humanos.

Tivelli explica que, ao usar essa calda no controle de insetos, é preciso respeitar um período de carência de sete a dez dias antes da colheita. Por isso, mesmo os defensivos alternativos devem ser manipulados e utilizados com cuidados. Sempre se informe e busque orientação com profissionais capacitados.

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