Construção e reforma

Veja diferentes revestimentos a base de cimento e dê nova cara aos espaços

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As formas geométricas do revestimento cimentício, aplicado na vertical, podem dar amplitude ao espaço imagem: Divulgação

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

De alta durabilidade e versáteis, os revestimentos com base cimentícia parecem não sair de moda. O convencional cimento queimado ganhou novos formatos, cores e texturas em variadas opções de acabamento para pisos e paredes. Porém, essas alternativas à pintura, às cerâmicas, às madeiras e afins - em diferentes modelos e aplicações –  não são tão conhecidos do grande público. Vale a pena conferir e usá-los para dar outra cara aos ambientes de sua casa.

Tecnologia e design

No mercado, existem diversos revestimentos que têm o cimento como principal material em sua composição. Entre os acabamentos que possuem como base esta substância, estão, por exemplo, os ladrilhos hidráulicos (curados, mas não cozidos) e o piso “fulget” – feito de concreto, aditivos e granulados de pedras naturais.

Entretanto, os revestimentos batizados como "cimentícios" abrangem os chamados monolíticos e as peças em concreto. Vamos às definições: para o arquiteto e sócio do FGMF Arquitetos, Fernando Forte, quando se fala em cimentícios, a referência faz jus aos produtos monolíticos - ou seja, sem juntas de dilatação, pavimentações e revestimentos contínuos e feitos à partir de massa - com aparência similar ao tradicional cimento queimado. “A alta tecnologia permitiu compor um material fino, resistente a trincas e aplicável sobre vários tipos de superfície”, completa.

Por sua vez, a diretora de relacionamento da empresa Bricolagem Brasil, Melissa Haenel, explica que o atual “cimento queimado” tem manutenção e limpeza fáceis. Ainda segundo Haenel, a baixa espessura do revestimento, de até dois milímetros, admite o uso sobre substratos (bases) pré-existentes como pastilhas ou cerâmicas.

Concretas

Também consideradas cimentícias, as peças de concreto são fabricadas com cimento e agregados e, de acordo com a gerente de marketing da empresa Castelatto Pisos e Revestimentos, Mariana Favaron, este tipo de material é altamente resistente e durável. Nesses casos, entre as várias padronagens geométricas disponíveis, a forma do produto em si e a maneira de aplicá-lo determinam efeitos visuais no ambiente.

Marcantes, essas composições tendem a modificar - em menor ou maior grau - a sensação de amplitude e volumetria dos espaços onde são instaladas. Dessa forma, para não errar, se informe com o lojista ou fabricante sobre os possíveis "ações" do revestimento.

  • Para a aplicação de qualquer revestimento cimentício, é importante mão de obra especializada

Aplicações e orientações

Qualquer que seja o revestimento cimentício escolhido, tanto o monolítico como as placas de concreto podem ser aplicados nas paredes e no piso da casa - em princípio. As orientações para a aplicação variam de acordo com o produto e seus componentes, porém Forte recomenda sempre utilizar mão de obra especializada.  “Não experimente comprar o material e realizar o trabalho sozinho ou com a ajuda de um profissional não treinado, pois a chance do resultado ser ruim  e você perder todo o material é muito alta”, alerta o arquiteto.

Para os revestimentos do tipo monolítico, cabe ao instalador uma grande responsabilidade: o aspecto final do acabamento. Assim, como a massa com base de cimento é assentada com o auxílio de uma desempenadeira de aço, “as possibilidades de efeitos de manchas ou descolorações serão criadas pelo aplicador”, explica Forte.

Se a intenção é marcar ambientes integrados de sua casa como a sala de estar e a cozinha, o monolítico é uma boa opção. A falta de juntas e a chance de “brincar” com as tonalidades de um único revestimento colaboram para uniformizar e harmonizar a decoração. “Por exemplo, ao aplicar um cimento queimado na cor goiaba, a nuança ocorrerá desde o goiaba claro até um mais escuro, formando um composto de matizes muito agradável”, sugere Haenel.

Agora se a opção for pelas peças de concreto, analise bem - como o já sugerido - as propriedades estéticas das unidades e aplicações, seus formatos e texturas, tanto isoladamente como em conjunto. É possível através do uso de revestimento de faces geométricas bem definidas, por exemplo, ousar no jogo de luz e garantir efeitos de sombra ao ambiente. Por outro lado, para conseguir a sensação de movimento, uma aposta é investir em placas com relevos circulares.

Para o assentamento das peças de concreto, Favaron aconselha a dupla colagem, ou seja, a aplicação de argamassa com desempenadeira dentada no contrapiso em determinado sentido e, no verso da peça, em orientação contrária: “para formar cordões cruzados e garantir a correta aderência”, esclarece. Outro cuidado, no caso de placas em grandes formatos, é o emprego de argamassa especial.

Mais dicas

- O sabão ou detergente podem reagir com o cimento, desgastando o material com o tempo. Por isso, não é aconselhável a aplicação deste tipo de acabamento em locais como bancadas e pisos de box.
- Mesmo apresentando boa resistência, evite aplicar o revestimento monolítico em lugares onde há grande variação térmica ou dilatação estrutural. Nesses locais, a falta de juntas ou as poucas emendas desse acabamento tendem a acarretar trincas.
- Em geral, o revestimento monolítico não admite retoque. Caso seja necessário retocar uma pequena porção do acabamento, o trabalho deverá ser refeito na totalidade do ambiente.
- Para revestimentos cimentícios que fiquem expostos às intempéries, recomenda-se uma proteção de verniz em poliuretano ou a aplicação de um hidrofugante, dependendo do caso.
- As peças de concreto são sensíveis a manchas antes da etapa de impermeabilização, realizada após o assentamento. Por isso, para evitar marcas, tome cuidados no transporte e manuseio das placas.

Consultoria: Fernando Forte, arquiteto e sócio do FGMF Arquitetos; Melissa Haenel, diretora de relacionamento da Bricolagem Brasil; e Mariana Favaron, gerente de marketing da Castelatto Pisos e Revestimentos

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