Projetos

Em NY, casal faz do garimpo de móveis laboratório de decoração

Penelope Green

Do The New York Times, em Nova York (EUA)

Hilary Robertson e Alastair McCowan estavam recentemente recebendo alguns amigos franceses em seu apartamento no Brooklyn, quando um dos convidados bateu o olho na musseline grampeada em um par de falsas cadeiras francesas, levantou uma sobrancelha e perguntou: “O que é aquilo, tapeçaria sauvage?”

Na verdade, “tapeçaria sauvage” (ou selvagem) não é uma expressão ruim para descrever o que fazem e como vêm se sentindo (particularmente, à vontade) Robertson, uma estilista de interiores, e McCowan, CEO da Chesney’s, uma empresa que vende fachadas de lareiras customizadas e antigas, no país que adotaram.

Robertson, 48 anos, e McCowan, 47, ambos ingleses, têm feito coisas incríveis com grampeadores, musselines e tinta de quadro negro nas propriedades alugadas no Brooklyn nos últimos seis anos, desde que o executivo recebeu uma oferta de emprego em Nova York e deixou a Inglaterra. 

A aventura na grande maçã

Manhattan tem muitas qualidades admiráveis, mas a receptividade não é uma delas, especialmente se você for um imigrante com dinheiro contado. Robertson escreveu para imobiliárias que alugam casas, apresentando sua família (seu filho, Gus, agora está com 9 anos), e descrevendo a casa deles de três andares em Hastings e citando, alegremente, como ela havia alugado o imóvel por US$ 2.5 mil por mês para reverter o lucro para a estada em Nova York. 

“Eu mandei até fotos de nossa casa”, conta. “Claro, ninguém deu nem bola.” (Ou sequer escreveu de volta para a decoradora).

A Craiglist (site que reúne serviços e produtos como em um grande classificados) foi um mercado mais produtivo, através do qual, Robertson encontrou uma série de casas mobiliadas para alugar, depois de aumentar seu orçamento para US$ 3 mil. Embora a mobília de um dos apartamento tenha sido retirada pelos proprietários durante o contrato vigente, deixando a família com pouco mais que colchões infláveis. 

Clique e veja o projeto:

  • Matthew Millman/The New York Times

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Bricabraque caseiro

Mas, apesar das adversidades, Robertson e McCowan compartilham de habilidades únicas. Como estilista do magazine Garnet Hill, Whole Living e da empresa de mobiliário inglesa Ochre (para quem ela ajudou a iniciar a linha Canvas, mais acessível), Robertson pratica a arte que transforma pincéis “vintage”, vidros de laboratório e conchas do mar em algo muito maior do que a soma de suas partes.

Por sua vez, McCowan, que coleciona coisas como espelhos da época da Guerra Civil Americana e ferramentas antigas, possui talento para reabilitar todo tipo de itens estranhos e pouco atraentes. Ele recuperou um lustre de arame branco - na verdade, uma lata de lixo do mercado de pulgas Brooklyn Flea - pelo qual ele pagou US$2 – pintando-o com tinta spray. 

Jeitinho britânico

Então, vamos ao primeiro quartel não-mobiliado do casal: os dois andares inferiores de uma casa tipo brownstone, do Brooklyn. Nela, o andar da sala de visitas oferecia todos os detalhes rococós que as pessoas apreciam em uma casa do século 19. Enquanto, no andar do porão, todos os seus estorvos de uma casa antiga, entre eles dois cômodos sem janela. No maior deles McCowan deu um jeito pintando as paredes com tinta de quadro negro. “Já era escuro, então por que não pintá-lo de preto?”, concluiu Robertson.

Para o “porão” se mudaram alguns anos atrás com pouco da mobília atual: uma cama da Crate & Barrel que era de um amigo, uma penteadeira de espelho encontrada na Brimfield Antiques Show por US$150, uma chaise que só acomodava uma pessoa. Mas logo o espaço conciso foi preenchido: para um projeto na Canvas, Robertson pediu para ser paga com um sofá Chesterfield ao invés de dinheiro.

E, à medida em que o casal garimpava objetos para os outros (a Canvas também vende os itens “vintage” que Robertson encontra), a dupla foi comprando peças para si, também.

Da casa ao comércio

No mês passado, Robertson abriu sua própria loja. Mrs. Robertson, a loja, é imediatamente identificável, uma vez que você já conheça a sua sistemática particular de objetos decorativos. Nela há moldes de calçados antigos, penteadeiras apoiadas em delicados pés de metal, vasos de alabastro.    

Robertson e McCowan desenvolveram aparadores a partir de pedestais de metal antigos com topos de mármore ou estantes de madeira usada em acordeões. E uma parede foi pintada com tinta de quadro negro. 

Robertson disse que seu filho finalmente se acostumou a passar seus finais de semana explorando lojas de antiguidades. Ele vem desenhando plantas baixas e recentemente pediu uma assinatura da Home and Land, a revista de imóveis encontrada em vários antiquários e mercados de pulgas.

Outro dia o garoto afirmou que quer ser decorador quando crescer. “Não quer não”, disse-lhe sua mãe. “Você quer ser arquiteto. Estilista de interiores é uma ocupação boba.” Mas os apreciadores de “tapeçaria sauvage” discordam.

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

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