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Estilo náutico leva clima praiano a apê em NY, sem deixá-lo caricato

Bruce Buck/ The New York Times
Figura de madeira usada em motéis dos anos 1930 confere irreverência à decoração da sala de estar imagem: Bruce Buck/ The New York Times

Elaine Louie

Do The New York Times, em Nova York (EUA)

Quando Marie DiManno se casou em 1973, seu marido, Jerry DiManno, lhe disse: “Você tem que amar a praia”. Felizmente ela amava. Porque nas três décadas seguintes, Marie, que hoje é diretora da loja do American Folk Art Museum em Manhattan, e Jerry, um advogado, viveram em uma casa em Breezy Point, no extremo oeste da Península de Rockaway no Queens, em Nova York, distante apenas 10 m do mar.

De março a novembro, Jerry DiManno nadava duas vezes ao dia, pela manhã e à noite, e no fim do dia Marie se juntava a ele. Ela também começou a colecionar arte folclórica com tema náutico e, ao longo do tempo, acumulou algo como 40 baldinhos de areia “vintage”, 75 peças de cerâmica ou louça e 60 bolas de vidro flutuantes, entre outras coisas. 

“Jerry tinha tanto amor pelo mar…”, relembra Marie. “E eu tinha muito amor pela arte folclórica”, acrescenta.

Em 2004, seu marido morreu e, seis anos mais tarde, ela deixou a praia e comprou um pequeno apartamento de dois quartos no Upper West Side, por US$ 925 mil. “Eu queria uma casa bem urbana, pré-guerra”, avalia Marie DiManno, “não queria uma casa de praia”.

No entanto, Marie esperava levar consigo toda a sua coleção de arte náutica, além da maioria da mobília da casa de Breezy Point. Dan Owens, seu designer - que trabalhou com a arquiteta Nancy Cromar – assegurou-lhe: “Você pode levar tudo consigo, mas cada coisa vai parecer muito diferente”.

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O mar, mais distante

Na praia, a arte náutica era o foco. Para onde quer que olhasse, havia lembranças do oceano: silhuetas em madeira de crianças em roupas de banho eram a peça central da mesa de jantar, dezenas de baldinhos de areia ficavam alinhados nas paredes.

No novo apartamento, porém, a arte praiana ainda está presente, mas não fica mais na linha de frente, tampouco no centro. Ao invés disso, os designers abriram os pequenos cômodos, instalando janelas internas para criar vistas de um ambiente para outro, assim a luz e o espaço expandido são a primeira coisa que se nota. 

Os profissionais também reformaram a maior parte do mobiliário, acrescentando algumas novas peças nas cores que Marie DiManno adora: coral, verde-água e verde amarelado.

Mergulho na decoração

Na sala de estar há uma peça de madeira de 2,5 m de comprimento - dos anos 1930 - com a forma de uma nadadora (o que já foi um símbolo universal para avisar que tal motel tem piscina), pendurado sobre o sofá. E as prateleiras dos dois lados guardam uma seleção de baldinhos de areia. Mas a sugestão mais forte do mar está nas paredes, num azul quase imperceptível chamado Espuma do Mar, da Benjamin Moore & Co..

Na cozinha, os designers criaram um cantinho para o café-da-manhã, com banquetas revestidas em vinil coral. Ali, no parapeito da janela, fica uma delicada bandeja de madeira, cheia de bolas de vidro flutuantes em cores que vão do turquesa ao ametista. Na parede ao lado, uma garrafa d’água em forma de Popeye está pendurada.

DiManno gosta de se sentar ali e tomar seu desjejum, olhando fixamente através corredor até chegar na sala de estar, onde há tanta luz que um filodendro que ela comprou no ano de seu casamento ainda está vingando, quase quatro décadas depois.

“Ele tinha três folhas em Breezy Point”, conta. Hoje há, pelo menos, dezesseis. 

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

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