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Casa de pedra e madeira se funde à paisagem do Colorado

Robert Reck/ The New York Times
Em vez de competir com a paisagem, casa construída nos anos 1970 se funde e complementa a natureza imagem: Robert Reck/ The New York Times

Elaine Louie

Do The New York Times, Aspen, Colorado (EUA)

Aspen, Colorado – Chad Oppenheim cresceu em New Jersey, mas no Natal em que tinha 15 anos, seus pais o levaram para esquiar no Colorado. Pronto, o garoto ficou apaixonado. 

A primeira noite foi fria e limpa e, conforme a família andava pelas ruas de Aspen, Chad contemplava a Red Mountain, próxima dali, esparsamente pontuada de casas decoradas com luzes de Natal.

“No inverno, as árvores não tem folhas e você pode ver toda a luz”, relembra Oppenheim, que hoje tem 41 anos e é arquiteto em Miami. “Estes pontos iluminados incríveis, sensacionais.”  Um dia, prometeu a si mesmo, teria uma casa ali.

Sonho minimalista

Levou certo tempo, mas em 2008 o arquiteto finalmente cumpriu a promessa. A casa com 300 m², que comprou por US$ 3 milhões, foi construída em 1971 em um terreno com mil metros quadrados  cortado por um córrego.

Embora não seja incomum que as casas naquela região sejam muito grandes – uma residência na vizinhança, vendida por US$ 43 milhões em 2009, conta com mais de 2,3 mil metros quadrados – a reforma que Oppenheim quis fazer na sua não foi para deixá-la mais imponente. Na verdade, ele afirma, “eu queria que a casa ‘desaparecesse’”.

Ao invés de tentar competir com a beleza da paisagem natural, o arquiteto criou uma casa que se funde à natureza em redor e a complementa, utilizando madeira reciclada de um celeiro com 300 anos, pedras extraídas no local e imensas janelas de vidro.

Mesmo nos interiores, arremata Oppenheim, “gosto de detalhes invisíveis: instalações, portas e encanamento.” Então, na casa do Colorado, as portas desprovidas de batentes desaparecem nas paredes. Nelas, as maçanetas são tiras finas de bronze, conhecidas como puxadores “fio de navalha”, que somem no contexto amplo das folhas.

Os interruptores de luz são ainda mais minimalistas, com pequenos pontos verdes ou vermelhos que indicam se elas estão acesas ou não, enquanto os canos do banheiro são fendas estreitas, margeando o fundo das pias. 

A reforma, que limou excessos e custou US$ 2 milhões, ficou pronta no começo de 2011 e Oppenheim, a esposa - Ilona, uma designer gráfica que hoje tem 35 anos - e seus filhos, Hendrix e Liloo, mudaram-se para a casa de quatro quartos.

Clique e conheça o design camaleão:

  • Divulgação/ NYT

Vida tranquila e ursos

Embora a construção tenha cinco andares, parece que tem três. Nela, a maioria dos pavimentos está em desnível - o que cria uma maior sensação de intimidade - e as janelas chegam a ter quatro metros de altura, oferecendo vistas das montanhas, do riacho, do jardim e de um urso em particular que os visita frequentemente em busca das nozes e frutas que crescem ali.

Como a arquitetura, o mobiliário é intencionalmente discreto. A paleta é neutra: cinza, marrom, preto e branco – tons que não competem com o brilho das cores da paisagem. No verão, os sofás na sala do terceiro andar envergam capas brancas, no inverno permanecem cinza.

Em uma noite, recentemente, Ilona Oppenheim serviu pão caseiro e patê para os adultos no terraço, e papinha para Liloo. “Comecei a fazer tudo em casa desde que o Hendrix nasceu”, conta a mamãe que cresceu na Suíça, filha de Armin Mattli, fundador da marca de cosméticos La Prairie. Ela conheceu o marido em um jantar em Miami quando tinha 19 anos. Hendrix se deu por satisfeito ao desenhar ali por perto, enquanto paragliders planavam sobre suas cabeças.

Quando chegou a hora de entrar, Chad Oppenheim cuidadosamente limpou as migalhas de pão da mesa para não atrair ursos. E o jantar foi servido à luz de velas na longa mesa de madeira, que fica embaixo do que parece ser uma pintura abstrata com 1,80 m. O visitante não pode deixar de perceber que ela foi, na verdade, feita com musgo – uma obra de arte macia ao toque. O que não é tão estranho assim, afinal de contas, em uma casa onde a paisagem está em primeiro lugar.

Como observou o arquiteto, se você não pode fazer a casa desaparecer, então você deve se concentrar no que realmente importa. “Tudo o que resta é a natureza”, conclui, e “muitos momentos íntimos”. 

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

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