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Amigos reformam espaço vazio a fim de criar um lar; veja o resultado

Bruce Buck/ The New York Times
Ryan Welch, Aubrey Fry, Margo Lafontaine, Max Lemberger e Corey Schneider posam no loft que dividem imagem: Bruce Buck/ The New York Times

Elaine Louie

Do The New York Times, em Nova York (EUA)

Em uma área que lentamente vai se valorizando em Bushwick, no Brooklyn, onde não se ouve mais o som de tiros e o bordel local transformou-se em uma casa de família, cinco amigos firmaram um compromisso com duração de dez anos.

O grupo – dois arquitetos, duas designers de moda e um executivo de publicidade, todos na casa dos 20 anos – alugaram um espaço de 250 m² e concordaram em arrumar tudo e viver ali durante uma década. Dois anos depois do compromisso firmado, parece que a vida comum segue bem. O que não quer dizer que os amigos não tenham passado por períodos difíceis ou – como eles chamam - “momentos familiares”. “A gente briga feito irmãos”, conclui um dos moradores da república tardia.

A família

Mas antes das felicidades e brigas em família, foi preciso criar esta comunidade. Uma história que remete a 2006, quando Corey Schneider, um arquiteto de Manhattan, conheceu Margo Lafontaine, a diretora de design da marca Vera Wang. Na época, Schneider, hoje com 28 anos, e Lafontaine, com 29, viviam a uma quadra de distância um do outro. Eles se tornaram amigos, se frequentavam e trocavam empréstimos de comida e dinheiro miúdo. 

Finalmente um acabou conhecendo os amigos do outro. Max Lemberger, hoje com 25 anos, é executivo de contas em uma agência de publicidade e dividia a casa com Lafontaine (e depois virou namorado dela). Aubrey Fry, designer de roupas femininas para a J. Crew e, atualmente, com 29 anos de idade, trabalhava com Lafontaine na época, como estagiária da marca Vera Wang. Ryan Welch, o último a se juntar ao grupo – hoje com 29 anos -, trabalhava no O’Neils Langan Architects e havia ido para o Kansas com Schneider.

À medida que foram se conhecendo, os jovens descobriram que tinham muito em comum: todos eram extraordinariamente habilidosos e a maioria era designer.

Veja a decoração de mais um
apê no Brooklyn, em NY

  • Trevor Tondro/The New York Times

Foram Schneider e Lafontaine que começaram o movimento, “a gente os chama de Pai e Mãe”, conta Fry. Alguém que os dois conheciam estava morando em uma malharia e comentou que na região havia espaço disponível para abrigar uma casa ampla, um loft com pouco mais que chão e teto de concreto, encanamento, eletricidade e aluguel de US$ 4.5 mil por mês. 

A casa

No dia 1 de julho de 2010, quatro dos cinco amigos se mudaram (Welch ainda não estava no esquema). Schneider providenciou o layout da casa: um projeto minimalista com quatro quartos, dois chuveiros, um banheiro e grandes espaços abertos para a diversão.

No começo as coisas foram um pouco difíceis. Depois do trabalho, todos dedicavam o tempo equivalente a uma segunda jornada à construção do loft. Por volta das 22h30, os amigos deixavam a morada para tomar banho, pois na primeira semana havia banheiro, mas não chuveiros, então “usávamos as casas dos amigos”, como conta Schneider. Logo depois, voltavam para dormir em colchões no chão.

Os moradores transportaram cerca de quatro toneladas de drywall pelo elevador de carga e construíram, regularizaram e pintaram as paredes. Estruturaram ambientes privativos, armários, camas suspensas e prateleiras e usaram concreto para criar uma ilha no meio da cozinha. “Fizemos tudo do jeito mais difícil”, avalia Schneider.

Então, em uma noite, Welch apareceu. O arquiteto tinha planos de viver com sua namorada, mas eles terminaram e “eu não tinha para onde ir”, lembra o rapaz. Embora o lugar estivesse cheio de serragem, “eu gostei do acabamento, do concreto e das janelas industriais antigas”, continua a rememorar. Welch queria fazer parte da turma.

Cerca de dois anos depois, a reforma já soma US$ 17 mil. E quando os moradores brigam, geralmente é por causa do mobiliário. Como conta Fry: “Corey tem um estilo muito minimalista, eu e Margo somos designers e colecionamos coisas. Somos do tipo que acumula, entulha os ambientes.” Isso significa que decorar os espaços compartilhados da casa pode sempre resultar em um “momento familiar”. Assim que chegam a um acordo, entretanto, a regra é: quem comprou o móvel é dono dele. Assim, se eles se separarem, cada um leva o que lhe pertence. Mas, atualmente, pouco se fala sobre tal separação. 

Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)

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