Decoração de ambientes

Closets são mais que "grandes armários", veja como planejá-los

J. Vilhora/ Divulgação
Com 29 m², o closet criado pela da arquiteta Ana Carolina Trabasso possui móveis de linhas retas e cores fortes imagem: J. Vilhora/ Divulgação

Silvana Maria Rosso

Do UOL, em São Paulo

Assim como o banheiro, a cada dia o closet ganha mais importância na casa, seja pelo espaço reservado - que, muitas vezes, chega a ocupar mais metragem que um dormitório -, seja pela variedade de acessórios disponibilizados pelo mercado. Verdadeiros quartos de vestir, esses cômodos tornaram-se aconchegantes e bonitos. Lugares agradáveis de estar.

Porém, antes de tudo, o closet - que é um armário ampliado - deve ser funcional. Assim, para que o resultado final atenda suas necessidades, o planejamento é fundamental e se inicia com a redação de uma lista com o número de peças a serem guardadas e o tipo de vestes usadas no dia a dia, se há muitas roupas sociais (de gala) e se existe o desejo de guardar outros pertences como malas, sapatos, bolsas e acessórios neste espaço. Tal fórcula cabe tanto para a organização de um closet já existente, quanto para a formulação de um novo ambiente de vestir e armazenar.

Outra dica a ser levada em conta é a da arquiteta Selma de Sá, que aconselha um estudo sobre a maneira de organizar as roupas como o volume de itens pendurados, dobrados ou dispostos em colmeias e quais as reais possibilidades de armazenagem do espaço disponível para receber os nichos, cabideiros e armários. Sá sugere ainda usar “o sistema inverno e verão, organizando em caixas no maleiro itens mais pesados como casacos e botas, no meses mais quentes do ano, e biquinis e itens mais frescos, no frio”.

Medidas ideais:

• Profundidade mínima: 55 cm
• Cabideiros: 60 cm de profundidade
• Sapateiras: 35 cm de profundidade
• Gavetas: mínimo de 17 cm (altura)
• Calceiros, camiseiros e paletós:
90 cm de vão altura
• Roupas longas: 180 cm de altura
• Nichos: entre 28 e 30cm (altura)
• Prateleiras: 35 a 45 cm (profundidade)
• Ternos: no mínimo 1,10 m (altura) com 60 cm (profundidade)

Nesse ínterim, avalie também se há valores que pedem armários, nichos ou gavetas fechadas com chaves para o caso de bijuterias finas ou documentos, por exemplo. E, caso o espaço seja compartilhado é importante observar a forma como serão divididos os armarios entre as partes, especialmente no caso da divisão entre a armazenagem de itens masculinos e femininos.

Regras de ouro

A arquiteta Crisa Santos revela a sua principal regra para garantir a funcionalidade do closet: “O que amassa deve ser pendurado, o que não amassa pode ser dobrado”. Ela aconselha colocar em gavetas apenas peças pequenas ou escorregadias como roupas íntimas, meias e as de ginástica.

Por sua vez, o arquiteto Gustavo Motta defende que a funcionalidade do closet está garantida se o espaço corresponder ao estilo de vida dos moradores da casa. “Se é um casal, as partes de cada um devem estar separadas e as coisas organizadas por tipologia, como os sapatos sociais junto com as roupas sociais”, exemplifica.

A facilidade de acesso é outro fator que assegura o bom funcionamento do closet, assim como o dos armários simples: objetos do cotidiano devem ficar próximos e fáceis de acessar, defendem as arquitetas Andrea Lucchesi e Carolina Razuk.

As dimensões adequadas, como o defendido no início do texto, ajudam a preservar a funcionalidade de um quarto de vestir, “porém, tais metragens são muito subjetivas, já que cada usuário tem uma necessidade e uma quantidade de roupa específica”, afirma Motta. Existem medidas padrão, mas elas são apenas balizas para o início de um projeto que deve ser regido individualmente.

Um exemplo: a arquiteta Mayra Lopes alerta que no closet masculino, geralmente, é necessário um armário mais profundo para acomodar paletós sem que as mangas sejam amassadas, principalmente, quando há portas. “O feminino, em contrapartida, exige mais espaço para vestidos longos, bolsas e sapatos”, alega. Todavia uma dica geral, da dupla Giselle Macedo e Patrícia Covolo, é que o closet seja instalado em um espaço com, no mínimo, 1,30 m de profundidade, reservando 60 cm para o armário (sem portas) e 70 cm para a circulação.

Armários sob medida, ou modulares?

Elementos e acessórios que não podem faltar para equipar:

• Espaço para as joias, bijuterias, acessórios e gravatas
• Espelho
• Um puff ou uma cadeira
• Um mancebo
• Gaveteiro com chave
• Divisória para roupas intimas
• Ganchos
• Ferragens resistentes e de fácil manuseio
• Gavetas sapateiras
Fontes: Gustavo Motta, Andrea Lucchesi e
Carolina Razuk, Crisa Santos, Deborah Roig,
Selma de Sá e MW Arquitetura

Atualmente, a maioria dos armários é executada em MDF e há diversas possibilidades de acabamento. O mobiliário é idealizado de acordo com as medidas estipuladas nos projetos ou pode ser baseado em módulos com dimensões padronizadas pelos fabricantes.

Para Motta, os armários sob medida sempre aproveitam melhor o espaço e são mais "personalizáveis": “Os modulados só valem a pena se a casa é temporária e você vai ficar por pouco tempo. Como a instalação não é definitiva, quando o morador mudar, pode levar o armário junto”, explica.

A arquiteta Debora Roig aconselha para espaços reduzidos a instalação de móveis sob medida. “Quanto há mais metros quadrados, os modulares resolvem bem a questão”, defende. Lucchesi e Razuk recomendam, para espaços com paredes que não são perpendiculares, móveis com desenho específico para melhor aproveitamento da metragem e dos "recortes".

“A vantagem de se trabalhar com moveis planejados é que por ser linha de produção industrial há uma maior facilidade de manutenção e troca de ferragens. Quanto à marcenaria, é um trabalho mais artesanal, com a vantagem de poder ser totalmente personalizado”, afirma a arquiteta Suzana Knobel, da MW Arquitetura.

Para dupla Samy e Rick Dayan, “quando o vão é bem definido, os armários modulados são melhores, pois já apresentam soluções pré-analisadas e otimizam o tempo de execução". Os arquitetos afirmam que armários feitos a pedido são bons quando há a demanda de soluções muito especificas que não são possíveis pela utilização dos modulares.

Ambiente bem acabado

No que tange a escolha dos acabamentos, os arquitetos recomendam que o closet siga a linguagem decorativa do restante da casa, bem como ofereça facilidade de limpeza e manutenção. Comuns em muitos projetos, os espelhos nas portas “além de aumentarem o espaço, ampliam a iluminação e ajudam a verificar como está a produção”, ou seja, são bons recursos como justifica Selma de Sá.

Acabamentos em tons claros ou branco permitem que os matizes das roupas se destaquem são boas pedidas. Outro cuidado essencial é quanto à boa iluminação: “A ideal mistura luz branca e amarela, para reproduzir com maior fidelidade as cores”, ressalta Motta. A arquiteta Maithiá Guedes explica que costuma trabalhar com pontos focados que iluminem a área de cada porta. “Usamos muito também rasgos no forro com iluminação branca”, revela.

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