Design

Abre o 52º Salão do Móvel de Milão; evento lança tendências

Divulgação
A cadeira Montera é revestida por couro e foi desenhada por Roberto Lazzeroni para a Poltrona Frau imagem: Divulgação

Daiana Dalfito

Do UOL, em Milão

A primeira experiência em Milão pode ser surpreendente em muitos sentidos: a cidade não é exatamente uma metrópole no que se refere à quantidade de gente ou à economia de forma ampla, como São Paulo, ou um "paraíso paisagístico" como tantas outras cidades italianas (ou europeias), mas tem lá seus charmes e impressiona: são cerca de 1,305 milhão de habitantes (sem contar a região metropolitana, esta com quase cinco milhões de pessoas), e outros quatro milhões de turistas, o que movimentam por volta de quatros bilhões de euros durante o ano.

Culturalmente rica – “A Última Ceia” de Leonardo da Vinci é só a cereja da doce experiência artística -, a cidade sedia dois dos principais eventos da esfera do design mundial: a Semana de Moda de Milão e o Salão do Móvel, que chega à sua 52ª edição entre 9 e 14 de abril.

A feira tem a fama e um currículo de respeito. Se é vanguarda, se é tradição em qualidade, se é luxo, provavelmente estará em um (ou mais) dos disputados 143 mil metros quadrados da exposição em si (no complexo em exposições em Rho, antiga zona industrial da cidade) ou espalhados pelos eventos paralelos, muitos pelas ruas da cidade como a Via Tortona. Poltrona Frau, Moooi, Cassina, Zaha Hadid, Jean Nouvel, entre outros, estão aqui.

Chegar em Milão não foi lá muito tranquilo,  o voo atrasou cerca de quatro horas e quase não sai. Uma escala em Roma roubou mais algumas horas e, só então, a vista do Duomo. Com sistema de transportes eficiente (rodovias, metrôs, linhas de ônibus, trens e bondes), a cidade se mostra fácil de andar. O tempo frio e ainda úmido só ajuda a compor, de maneira ainda mais pitoresca, o cenário de uma cidade antiga e tipicamente europeia e com traçado dominado por prédios baixos.

"I Saloni"

Em 2013, o presidente do Cosmit (órgão que organiza o Salão), Claudio Luti, afirma que o desafio e a maior intenção são manter a qualidade da mostra. Sobre os destaques da edição, Luti aponta para o projeto “Escritório para a Vida” encomendado ao arquiteto francês Jean Nouvel e que documenta, em cinco composições cênicas, as mudanças do espaço de trabalho no cotidiano.

Segundo Luti não há um tema específico que possa ser apontado como norteador da feira. Um dos caminhos adotados está expresso no SaloneSatellite, destinado a novos designers, e trata do interação entre a indústria e o trabalho autoral feito à mão.  “Esse é um assunto particularmente relevante e determina uma nova necessidade: restabelecer o valor da contribuição artesanal  para os objetos e considerar não só o design e a manufatura no processo, mas a forma de produção”, salienta.

No salão há 1,4 mil expositores representando 160 países e, de acordo com o organizador, o mote da mostra é sempre a busca pela inovação e a consequente determinação das tendências decorativas. “A sustentabilidade e o consumo consciente também são temas que têm recebido atenção das empresas" diz Claudio Luti, "este ano, a Euroluce [exposição de iluminação que integra a mostra] parece uma plataforma que deve explorar extensivamente formas eco-sustentáveis para a economia de energia, por exemplo”.

O UOL Casa e Decoração vai trazer as novidades do Salão do Móvel durante o correr do evento. Acompanhe a cobertura e aproveite para recordar as edições passadas, como a última Euroluce. Em 2012 foram 965 expositores italianos e 290 de outros países, os vistantes ultrapassaram  a marca dos 290 mil, sendo mais de 180 mil estrangeiros.

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