Projetos

Apê em Nova York tem peças de design e pintura inspirada em gatos

James Ransom/The New York Times
No quarto do apê em Nova York, o gato Lou em uma das cadeiras Mushroom desenhadas por Pierre Paulin imagem: James Ransom/The New York Times

Elaine Louie

Do The New York Times, em Nova York

Alexandra Cunningham, 31, diretora de exposições das feiras de móveis de Design de Miami, na Flórida, e da Suíça, tem três paixões: mobiliário artístico, Seth Cameron, 30, seu namorado há dois anos e seus três gatos. Cada uma delas é essencial para o visual do apartamento de 100 m² em East Village que todos dividem. 

Antes de se mudarem para o espaço alugado pelo casal por cerca de US$ 3,5 mil em agosto do ano passado, Cameron, um artista multimídia, simulou uma paleta de cores no computador e enviou as imagens para Cunningham. “Ela ia indicando: mais verde, mais azul, mais vermelho…”, conta Cameron. 
 
 
O primeiro cômodo que ele pintou foi o hall de entrada. As paredes são na cor verde escuro e o teto branco. Depois uma coisa foi levando a outra. Cameron percebeu que algo poderia, quem sabe, ser pintado no teto, descendo pela sanca. Esse “algo” poderia ser até mesmo uma listra, simbolizando o rabo de um gato. Ou três listras, duas pretas e uma cinza, para combinar com o pelo dos bichanos. 
 
“Ambos somos loucos por gatos e achamos que seria bacana integrá-los no design do apartamento”, contou Cunningham. 
 
“E se vamos lidar com isso com fofura”, disse Cameron, “precisamos lidar de maneira abstrata. Não queríamos pintar gatos na parede”.
 
Na cozinha, cujas paredes são pintadas de um azul vivo, finas listras nas cores preto e cinza começam no centro do teto e descem até os gabinetes. O efeito deu ao casal a ideia de chamar o cômodo de “gaiola de pássaro”. 
 
Na sala de estar, o teto está dividido em três listras largas, pintadas na proporção de duas pretas para uma cinza, cercado de azul marinho. 

Porém nem todos os cômodos fazem alusão aos gatos. O quarto cheio de luz não tem nenhuma listra, assim como o banheiro. “É gostoso dar uma quebra, deixar um espaço em branco”, disse Cameron. 

Agora, os móveis. 
 
Cunningham cresceu em Miami, “nos anos 80, na época dos barões da cocaína”, conta. Por ser filha única, ela acompanhava os pais em viagens em busca de antiquários do sul ao norte, no estado de Maine. E ela não reclamava “muito”, afirma. 
 
Seu gosto é eclético, mas Cunningham compra móveis do mesmo modo que as mulheres na França compram roupas, ou seja, adquire uma boa peça por estação. Uma cadeira de argila na cor alaranjada, do designer holandês Maarten Baas, quase brilha no hall verde escuro. A peça foi comprada em 2004, parte de uma edição limitada, por cerca de US$ 4 mil.
 
Uma estante de livros do designer britânico Peter Marigold se espalha por uma das paredes do quarto, exibindo nichos assimétricos como uma colmeia descontrolada. Marigold fez a estante a partir do tronco de um abacateiro que encontrou em Miami e que cortou em quatro pedaços longitudinais para criar os módulos. Cunningham comprou o móvel em 2008 por US$ 3 mil.  
 
A sala de estar possui uma mistura de mobília de linhas retas (um aparador de madeira de Florence Knoll e uma mesa de compensado e cavaletes feita por Cameron) com itens excêntricos. A mesa está cercada por quatro cadeiras plásticas Universale, de Joe Colombo, dos anos 60, projetadas para se ajustar a três alturas diferentes. Cunningham encontrou o conjunto no site de leilão virtual Wright em 2012, por cerca de US$ 500.   
 
O designer britânico Max Lamb esculpiu a cadeira de poliestireno coberta com um tipo de borracha acrílica, presente de um antigo namorado. Lamb também fez o jarro de porcelana branca (US$ 96) que Cunningham usa para seus drinks Bloody Marys – em partes por causa da sua cor.   
 
Confome Cunningham adquire novos objetos de paixão, suas influências inevitavelmente aparecem ao seu redor. Ela e Cameron estão esperando um bebê para julho deste ano. Será hora de começar a redecorar?  
 
Tradutor: Erika Brandão e Karine Serezuella (edição)
 
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