Jardinagem e paisagismo

Veja como cultivar plantas em ambientes internos com pouca luz

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Com folhas ornamentais, a espécie Philodendron martianum deve ser cultivada em locais sombreados imagem: Divulgação

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Uma boa saída para quem não tem uma área externa ajardinada é o cultivo de plantas de sombra dentro de casa ou do apartamento. Os halls de entrada, os cantinhos dos espaços internos e os vãos de escada são perfeitos para receber os vasos com estas espécies ornamentais. 

Segundo o paisagista João Jadão, da empresa Planos e Plantas, existe uma grande variedade de plantas que se adaptam a diferentes modelos de vasos e cachepôs e que vivem perfeitamente bem em um cantinho pouco iluminado. Mas Jadão ressalta: estas espécies são de sombra, porém não “de escuro”, por isso, precisam de luz, temperatura adequada e ventilação. 
 
 
“Procure dar às plantas as condições semelhantes ao seu habitat natural, portanto  pesquise qual o porte que a espécie atingirá no futuro, evitando confinamento”, orienta Jadão. Não se esqueça também de providenciar um solo rico em matéria orgânica e tenha cuidado com a irrigação, porque grande parte dos exemplares morre por excesso de água e não por escassez.
 
Conforme a docente do Departamento de Fitotecnia da Unesp – Campus de Ilha Solteira, Regina Maria Monteiro de Castilho, as plantas de sombra, por definição, são aquelas que não toleram luminosidade direta e intensa. Se “tomarem” sol, suas folhas perdem o valor ornamental e ficam queimadas, sendo que muitas vezes esta situação pode ser confundida com falta ou excesso de nutrientes ou com alguma doença.
 
A paisagista Heloiza Rodrigues, da Prima Plantarum, ainda reforça que além desses danos, a espécie de sombra ou meia sombra exposta ao sol pode diminuir seu crescimento, floração e até morrer. “Elas precisam de menos luminosidade para crescer, pois absorvem a luz disponível com maior eficiência”, explica. 
 
No entanto, como mencionou Jadão, essas plantas precisam de luz, mesmo que de forma indireta. Sem a luminosidade suficiente, a planta não consegue realizar a fotossíntese e acaba ficando desnutrida e menos resistentes a pragas e doenças. 
 
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    De meia-sombra, a espada de São Jorge (Sansevieria trifasciata) é bastante resistente

Outro ponto importante é a ventilação do local, que deve ser natural e de pouca intensidade.  “Em ambientes onde o ar-condicionado fica ligado o dia todo, a possibilidade da planta ser atacada por pragas e doenças é muito grande”, alerta Rodrigues.  
 
Por outro lado, se ela estiver em um local onde venta muito, provavelmente precisará de mais água, já que a evaporação será maior. A paisagista ainda salienta que os ventos fortes causam estresse às plantas. 
 
Entre as espécies indicadas para ambientes internos, estão as palmeiras do gênero Chamaedorea, conhecidas como palmeirinhas de sombra. Por sua vez, se você procura plantas mais altas, uma opção é a palmeira licuala-grande (Licuala grandis), de meia sombra, e que pode ser utilizada em ambientes externos sem vento e bem protegidos do sol intenso.
 
Já as espécies do gênero Philodendron possuem variações quanto ao tamanho e cor. Caso prefira uma folhagem menor, escolha a espécie filondentro xanadu (Philodendron xanadu) ou os pacovás (Philodendron martianum).
 
Como cuidar
 
- Deixe o solo levemente úmido e não encharque os vasos e cachepôs, pois as plantas de sombra perdem muito menos água do que as de sol. O excesso de água pode causar o apodrecimento das raízes. 
 
- Regue as espécies menores uma a duas vezes por semana, enquanto que para as de porte grande, duas a três vezes regas semanais são recomendadas.  
 
- Entretanto, a frequência da irrigação pode variar dependendo do local onde a espécie está sendo cultivada. De modo geral, para saber quando regar, coloque o dedo na terra para sentir a umidade. Se a terra grudar no dedo, o substrato está úmido e não precisa ser molhado. 
 
- Limpe a folhagem dessas plantas com um pano úmido para não ficarem com uma camada de poeira.
 
- As espécies de sombra devem ser adubadas duas a três vezes por ano, porém nunca nos meses de inverno, quando a planta está em dormência. Utilize os adubos orgânicos como húmus de minhoca incorporado na terra do vaso ou os adubos líquidos, dissolvidos em água e aplicados quando o solo estiver úmido.
 
- Antes de podar, estude as características de cada espécie. Por exemplo, os filodentros não necessitam e não aceitam a poda de formação. Porém, as folhas amareladas sempre podem ser retiradas (poda de limpeza).
 
- Vistorie com frequência sua planta para seja tratada imediatamente caso apareça alguma praga ou doença.
 
Consultoria: Cynthia Azevedo, Daniela Sedo e Heloiza Rodrigues – paisagistas; Regina Maria Monteiro de Castilho – docente do Departamento de Fitotecnia da Unesp,  Campus de Ilha Solteira
 
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