Jardinagem e paisagismo

Violetas: aprenda como cultivar essas pequenas e belas flores

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Violetas se adaptam bem aos ambientes internos, mas precisam de luminosidade e substrato drenado imagem: Getty Images

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Pequenas e vistosas, pertencentes à família Violaceae, as violetas se adaptam muito bem aos ambientes internos e, se mantidas em condições favoráveis, são capazes de florir o ano todo. Segundo o arquiteto e paisagista Marcos Malamut, o grande segredo no cultivo dessas flores é a escolha de um local apropriado que forneça bastante luminosidade para a plantinha florescer.

“O melhor é mantê-las próximas às janelas mais luminosas, mas protegidas de qualquer incidência de luz solar direta, que pode queimar suas folhas e flores”, explica Malamut. Para saber se o lugar é adequado, basta observar a aparência da planta, que é influenciada pela intensidade da luz. Com luminosidade insuficiente o vegetal não floresce e pode produzir folhas com pecíolos (caule das folhas) muito longos. Caso receba luz em excesso pode apresentar aparência atrofiada, produzindo folhas frágeis, com pecíolos mais curtos e folhagem pálida, ensina o paisagista.

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Segundo a paisagista e designer de interiores Sara Palamoni, há diversos cultivares de violetas reconhecidos pelas cores das flores que variam entre branca, rosa, roxa até bicolor, como rosa com borda branca e, por essa variedade, há adequações na forma de cultivo. “Plantas que produzem folhas verde-escuras com talos longos podem exigir níveis mais elevados de luz, enquanto que as variedades com folhagem verde-claras frequentemente exigem níveis mais baixos”, pontua Malamut.

Outro cuidado com o lugar de cultivo se refere à temperatura: o ideal é que o ambiente não seja muito quente durante o dia nem muito frio à noite; violetas gostam de calor moderado para que não haja prejuízo em seu crescimento e florescimento.  “Se possível, escolha um lugar fresco no verão e protegido no inverno”, recomenda Malamut. Palamoni, por sua vez, indica os parapeitos de janelas - que recebem sol e calor de maneira indireta, através do vidro – como bons pontos de cultivo.

Rega, poda e adubação

Segundo o paisagista João Jadão a violeta é uma planta sensível ao excesso de água, porque apresenta raízes muito finas e exige substrato com boa aeração. Apesar de serem comumente comercializadas em vasinhos de plástico o ideal é que estejam em suportes de barro, que evitam o acúmulo de água. Palamoni recomenda a rega com intervalo de um dia, para facilitar a drenagem e não encharcar o solo.  

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O substrato deve ser tratado de maneira adequada com ajuste do pH a uma faixa entre  5,8 a 6,5 com misturas ricas em matéria orgânica e inserção de materiais como perlita, vermiculita ou casca de pinus triturada. “O ideal é que o substrato se estruture em 50% de sólidos, 25% de água e 25% de ar”, esmiuça Malamut.

O adubo químico do tipo NPK 4-14-8 ou os específicos para violetas (são vendidos em caixinhas com a especificação fertilizantes para violetas) são facilmente encontrados e a aplicação é desejável. “Adicione os insumos pelo menos de três em três meses”, recomenda Palamoni.

As violetas também podem ser plantadas diretamente no chão, se o ambiente apresentar as condições que elas apreciam. No entanto, como sempre exige solo bem drenado, barreira contra incidência solar direta, nível de luminosidade alto e temperaturas amenas, o cultivo em vasos é mais viável. Apesar de exigente, a plantinha permite o disseminar de mudas com facilidade. Qualquer folha sadia origina um novo pé. “Basta plantar a folha, sem afundá-la muito, em um substrato de boa qualidade e regá-la”, ensina João Jadão.

Tal enraizamento pode ser feito em areia ou vermiculita mantidas úmidas ou em recipientes com água, onde somente a base do pecíolo se mantenha imersa. As plântulas (brotinhos) emergem de seis a oito semanas após o desenvolvimento das raízes. “Há quem prefira remover a folha mãe, neste momento, para evitar o sombreamento das plântulas recém-emergidas”, observa Malamut.  As mudas podem ser transplantadas para os vasinhos e adubadas com adubo líquido diluído. Ainda de acordo com o paisagista, o tempo total de propagação - a partir de estacas de folhas - é de 14 a 16 semanas.

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    Uma folha de violeta dá origem a outra muda

Replantio

As violetas podem ser replantadas cerca de uma vez por ano ou quando a parte sem folhas do caule apresentar cerca de três centímetros de comprimento. Marcos Malamut afirma que para realizar este procedimento a planta deve ser retirada com cuidado do vaso, com o auxílio de uma faca ou espátula, e removidas todas as brotações laterais, mantendo-se apenas a central. 

As filas de folhas também devem ser aparadas de maneira a se manter apenas um anel completo de folhas na planta. Com o auxílio de uma tesoura afiada e desinfetada, a metade inferior da raiz também deve ser aparada. Já o vaso preparado para receber a muda deve ter cerca de um terço do diâmetro da planta. Na hora do plantio, o solo ao redor deve ser pressionado delicadamente de maneira a não alterar o nível do substrato em volta do caule. “Caules muito enterrados podem apodrecer”, alerta Malamut.

Plantas recém envasadas não devem receber fertilizantes até que se estabeleçam bem, com o crescimento de novas raízes. Segundo o paisagista, depois de estabelecidas podem ser adubadas quinzenalmente com adubo líquido com formulação apropriada para violetas.

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    Há diversas variedades de violetas, bem como plantas que se assemelham fisicamente às flores, mas não pertencem à família Violaceae

Violeta africana

Existem muitas similaridades entre os diversos tipos de violeta cultivados e vendidos e algumas plantas que não pertencem à família botânica das violáceas. As semelhanças físicas tão marcantes que algumas variedades acabam tomando emprestado o nome “violeta”, é o caso da popular violeta africana (Saintpaulia ionantha), que na verdade faz parte da família das gesneriáceas (Gesneriaceae).

Segundo o arquiteto e paisagista Marcos Malamut, um dos maiores problemas associados com o cultivo das violetas africanas é a água excessiva, que pode favorecer o surgimento de doenças fúngicas e a consequente podridão da base da planta. “O pratinho não pode permanecer cheio de água, pois essas plantas são facilmente mortas  por conta do excesso de regas”, alerta.

Malamut recomenda a rega apenas quando a superfície do substrato começar a secar, além evitar molhar as folhas para não manchá-las. “A temperatura da água também é crítica, o melhor é procurar usar água em temperatura semelhante à do ambiente da planta”, conclui.

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