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Peças compradas em viagens dão ar pessoal à casa; veja como usar

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Lanternas são souvenirs comuns em Istambul, Turquia. Lembranças de viagem podem fazer parte do décor imagem: Getty Images

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

Por remeterem às histórias de vida dos moradores, as lembranças de viagem dão personalidade à casa quando incorporadas à decoração. Arquitetos e e viajantes habituais oferecem exemplos de como usar esculturas, cartazes, canecas, livros ou mesmo pequenos bibelôs, com muito estilo e criatividade, sem deixar os ambientes caricatos. 

Primeiro, acerte na hora da compra

É comum em viagens e em especial naquelas tradicionais lojas de aeroporto, termos vontade e, às vezes, compramos  uma variedade de pequenos objetos que se referem ao lugar visitado. Entretanto, somente ao desfazermos as malas vem o questionamento: onde coloco tudo isso?

Para melhor aproveitar as recordações como parte da ambientação de um jeito harmonioso, os arquitetos Luciano Dalla Marta e Marcelo Mota, sugerem: antes de qualquer compra, defina os locais que podem receber tais objetos e, principalmente, esteja certo de que os itens adquiridos realmente “carregam” alguma história. “É muito mais legal trazer uma peça muito especial, do que dez coisas que não agregam boas memórias. Pense também onde pode encaixar o objeto, como aquele cantinho da estante ou aquela parede vazia”, exemplifica Mota.

O jornalista Eduardo Vessoni, que viaja frequentemente a trabalho, segue a regra: “Quando volto de uma viagem com uma peça eu já sei onde vou usá-la”.

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  • Demian Golovaty/Divulgação

Em seu apartamento, Vessoni dispôs a coleção de canecas de diversos países, pendurada sobre a pia da cozinha. Na sala de jantar, uma escultura africana decora a mesa, enquanto o tapete feito na região de Alter do Chão, no Pará, e as capas de almofadas trazidas da Namíbia compõem a ambientação da sala de estar. Para o jornalista, incrementar a casa com esses itens é como continuar a viagem.

Onde e como combinar?

Embora sejam comumente colocados em salas de estar e jantar, os objetos comprados em viagens - como regra geral - podem ser usados em qualquer ambiente da casa. Optar por este ou aquele cômodo depende da funcionalidade e estilo da peça.

Contudo, caso nunca tenha pensado em decorar sua casa com recordações, a recomendação é evitar o uso de objetos de grande porte ou de cores e materiais chamativos demais.

Filipe Troncon, do escritório Suite Arquitetos, elenca alguns itens “básicos” para se investir: livros, vasos, almofadas, tecidos e peças decorativas regionais, de tradição do lugar. Cartazes, fotografias, gravuras e pôsteres podem ser emoldurados e também tornam-se bons mensageiros senão da memória do viajante de modo singular, das peculiaridades da região ou país.

Assim como para qualquer outro item que se queira incorporar à decoração do cômodo, tenha bom senso e considere as cores, móveis e objetos já existentes no ambiente na hora de compor.

De acordo com Troncon, para dispor de maneira adequada, uma sugestão é criar "cantinhos" para que os itens não fiquem perdidos e ganhem força estética. Mas não os amontoe: “o importante é ter cada conjunto bem elaborado e pensado”, salienta o arquiteto. Tais nichos "viajantes" podem ser montados em aparadores, estantes, mesas de centro e prateleiras. A dica vale, em especial, para coleções e objetos de menor proporção.

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  • Arte UOL

Os arquitetos Luciano Dalla Marta e Marcelo Mota concordam que agrupar elementos similares, por exemplo, diferentes santos barrocos ou peças de antiquário asiáticas pode ser uma boa ideia, mas veem como alternativa salpicar os objetos pelos ambientes, principalmente, se tiverem expressivo valor cultural e histórico.

Para valorizar ainda mais a peça, a dupla aconselha acrescentar uma base ou uma caixa de acrílico - quando possível -, ou então enquadrar algo que, à princípio, não seria pensado como um quadro. “Uma cliente, certa vez, trouxe um colar dourado da África, étnico, lindo! Nós o transformamos num quadro com uma moldura preta bem moderna. Ficou vistoso e inusitado”, conta Dalla Marta.
 
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Muitos profissionais de arquitetura e design de interiores podem classificar os triviais souvenirs como objetos de pouco estilo e que nada têm a agregar à decoração, mas quem resiste ao impulso de trazer de Paris uma Torre Eiffel em miniatura ou um par de tamanquinhos de porcelana na Holanda?

Caso tenha comprado vários desses bibelôs, Mota dá uma dica: por serem itens bastante pessoais, de importância afetiva ao morador, podem ser colocados em áreas mais íntimas como a mesa de trabalho no home office, no criado-mudo do quarto ou num nicho da estante da sala de TV. “Quando falamos em lembrança de viagem, cabe ao profissional [ou ao morador] encaixá-la com sensibilidade no espaço, mesmo quando - à primeira vista - não necessariamente o objeto combine com o contexto, porque, com certeza, aquela peça tem valor sentimental”, conclui.

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