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Gêmeos decoram apê misturando gostos sem esquecer individualidade

Trevor Tondro/The New York Times
Uma das paredes do living dos irmãos Evans foi revestida por lâminas de carpete de madeira imagem: Trevor Tondro/The New York Times

Elaine Louie

The New York Times, em Nova York (EUA)

Quando eram recém-nascidos, Teman Evans e seu irmão gêmeo, Teran, eram tão parecidos que precisaram de pulseiras para que a mãe pudesse distingui-los. (A semelhança era tanta que quando tinham dez meses, confessou a matriarca não ter total certeza de que havia devolvido corretamente as identificações, após tirá-las para um banho). Passados 33 anos, as pulseiras não existem mais, mas os gêmeos continuam quase indistinguíveis.

 “Até hoje os nossos pais nos confundem”, conta Teman, “eles nos chamam: ‘Ei, você’.” As diferenças, dirão porém, estão todas nos detalhes: com 1,95 m, Teran é levemente mais alto que seu irmão, além de ser menos exuberante. Enquanto Teman é capaz de combinar uma camiseta pink com uma jaqueta verde e um relógio cor de laranja (ele justifica que “gosta de todas as cores da caixa de giz de cera”), Teran prefere uma paleta mais sóbria.
 
 O irmão “mais alto” geralmente fica com os pretos, brancos e cinzas, embora goste também de azul nos momentos mais descontraídos.  
Não bastasse a imensa semelhança física, os gêmeos compartilham ainda os mesmos interesses – ambos são designers de interiores e de joias e estudaram arquitetura na Harvard Graduate School of Design, em Cambridge, Massachusetts – e a mesma casa. 
 
“Não consigo me imaginar vivendo com mais ninguém além de Teran”, confessa Teman. “Há entre nós uma linguagem não-verbal. Nunca vamos encontrar um sapato no meio da sala”, resume. 
 
Sem bagunça, com estilo
 
Desde o colégio os irmãos vêm dividindo uma série de aluguéis no Brooklyn, em Nova York. O mais recente é um duplex de 130 m² em Clinton Hill, pelo qual pagam cerca de US$ 4 mil por mês.  
 
Assim como o antigo quarto de brinquedos que eles dizem ter sido onde nasceu o interesse pelo design – uma área de 37 m² constantemente redecorada pelos garotos, entre os três e nove anos, com bonecos do He-Man e Legos – nada aqui é muito caro ou permanente. E quase tudo envolve um acordo. 
 
Em outras palavras, explica Teman, ao descrever o processo de criação dos dois: “Geralmente alguém propunha uma ideia provocativa e alguém retrucava ‘essa ideia é estúpida’”. Na versão atual, a decoração do apartamento parece muito com os trabalhos que a dupla fez para o “The High Low Project”, um programa da HGTV que explica como melhorar as coisas em casa e, do qual, eram consultores.  
 
Eles concordam, mas têm personalidade
 
Uma parede da sala de estar foi coberta com carpete de madeira da Ikea. Quatro estantes de compensado para livros, da época em que eles eram estudantes, foram restauradas através da aplicação de um padrão xadrez feito com vinil adesivo preto brilhante. (O vinil sai com facilidade, então as prateleiras podem ser refeitas num futuro próximo). A luminária de chão que já fora um lustre, foi adaptada para o novo espaço habitado, que tem pé direito mais baixo do que o loft que eles dividiam em Greenpoint. (Esta foi uma ideia de Teman. Teran, no começo, odiou, mas voltou atrás).  
 
Os quartos são os únicos espaços em que eles não trabalham juntos: o de Teman é um tumulto de cores e estampas. No espaço há papel de parede com padrão “chevron” (e tal zig-zag é uma obsessão “herdada” pelo irmão), uma colcha com estampa amarela e capas de almofadas cor de laranja. O quarto de Teran, porém,  possui paredes brancas, uma cama preta e um negligenciado arranjo de porcelanas azuis e brancas. 
 
A cozinha está praticamente intocada. No máximo, ela funciona como um tipo de galeria, justifica Teran, apontando para uma chaleira assinada por Michael Graves (peça da marca italiana Alessi, desenhada em 1985) e uma pintura de Andrew Pearson. Os dois concordaram com facilidade sobre tal assunto. “A gente não cozinha nunca”, afirma Teran. “Fazemos chá. Tive que ligar para o Teman perguntando como acender o forno”, completa. No local, até a torradeira está quebrada. 
 
Amor fraterno
 
Alguém de fora observaria facilmente que os irmãos têm tanto em comum que deve ser difícil manter relacionamentos externos, especialmente os românticos. 
 
“Leva muito tempo para deixar que novas pessoas entrem em nossas vidas”, Teman admitiu. “O namoro do meu irmão existe há vários anos e o meu está no quinto ano e levamos esse tempo todo para que conseguíssemos amar as parceiras um do outro”, conclui.
 
Quando pedi que imaginassem uma época ou circunstância em que eles eventualmente morassem separados, ambos ficam momentaneamente perdidos. 
 
“Quem sabe um dia alguém vai se apaixonar e sair de casa”, responde Teman. “Mas sempre dizemos que resolvemos nossos problemas no útero. A gente se dá realmente muito bem”.

Tradutor: Erika Brandão (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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