Jardinagem e paisagismo

Chás populares: saiba mais sobre as plantas e veja dicas de cultivo

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Ervas recém-colhidas dão mais sabor ao chá. A hortelã gosta de sol e de um vasinho exclusivo imagem: Getty Images

Simone Sayegh

Do UOL, em São paulo

O café é uma das bebidas mais consumidas no Brasil: em 2012, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Acib), o consumo per capita foi de 4,98 kg de café torrado, o equivalente a quase 83 litros da bebida. Mas é o chá que figura como personagem principal, sempre que a sugestão é uma receitinha para curar os males do corpo ou da alma. Afinal, quem nunca tomou chá de camomila para se acalmar?

O que pouca gente sabe é que podemos cultivar chás em casa e ter ao alcance da mão uma bebida mais “fresca” e saudável. Segundo o paisagista Paulo Cezar Heib, não é preciso viver em um rancho –nem em uma casa com quintal- para ter ervas recém-colhidas à disposição. “É só usar a criatividade e possuir um cantinho onde bata sol, pelo menos, durante a metade do dia”, explica.

A paisagista Heloiza Rodrigues concorda que o cultivo é simples e reforça a necessidade de sol pleno, já que sem a luz direta as plantas ficam estioladas (descoradas e com tecidos amolecidos), fracas e suscetíveis às pragas. “Escolher um local com pelo menos quatro horas de exposição ao sol direto já é um bom começo”, sugere Rodrigues. Ou seja, se bate sol em sua casa ou no trabalho, mesmo que na urbana Avenida Paulista, você pode tomar um chá feito com a hortelã que você mesmo plantou e está ali, junto à janela ou na varanda.

Onde plantar?

Para começar sua hortinha, basta ter em mãos um recipiente com boa profundidade, evitando – porém - os plásticos, pois o material propaga o calor, especialmente no verão, o que pode prejudicar as raízes das plantas (para amenizar os danos, caso não haja alternativa, procure plásticos reciclados).

O tamanho do vaso vai depender da erva que você irá cultivar. De acordo com Heib, as ervas rasteiras (como a hortelã, o poejo e a erva-cidreira) ficam melhor acondicionadas em jardineiras com pelo menos 15 cm de profundidade e, de preferência, plantadas individualmente, para evitar conflitos com outras espécies. “Eu nunca as cultivo em canteiros, porque algumas variedades são invasivas e proliferam em demasia sob a terra, a exemplo da hortelã. Uma vez incorporadas à horta, é necessário fiscalizá-la para manter o controle [do crescimento das raízes, que podem sufocar outras plantinhas]”, esclarece.

Se forem ervas “eretas” -como erva-doce e camomila– a indicação é o plantio em pequenos vasos ou potes (sempre furados no fundo), com cerca de 25 cm de profundidade. “Entre as eretas, as arbustivas (como o boldo) exigem espaços maiores, devido ao tamanho final da planta, e podem ser cultivadas em canteiros sem problemas”, pontua Heib.

Regas e podas

Como essas herbáceas precisam de muito sol, também demandam muita água. Todavia, na hora das regas, vale a regra geral: quando a terra está molhada e gruda na ponta dos dedos é hora de parar. Quando o substrato está fofo, como um talco, é hora de aguar. “Muitas pessoas têm mania de molhar excessivamente as plantas de casa, principalmente em vasos, e acabam matando as espécies por excesso de água”, alerta Rodrigues.

A paisagista afirma ainda que ervas cultivadas em casa devem ser produzidas de forma orgânica, adubadas com esterco de aves ou húmus de minhoca, evitando-se os produtos químicos. “A cada seis meses recomendo fazer uma nova adubação orgânica, incorporando o adubo à terra do vaso”. Heib reforça que, se a adubação química não for bem dosada pode prejudicar a planta, ao ponto de matá-la. “Esse tipo é mais rápido, porém é necessário sempre seguir as orientações contidas no rótulo do produto”, ressalta.

A poda em tais herbáceas acaba realizada quando são retirados galhos e folhas para o preparo dos chás, sendo necessários a atenção e o cuidado nessa colheita, para que a plantinha se mantenha sadia e longeva. Já as podas de limpeza são indicadas sempre que existirem folhas secas.  Plantas maiores, como o boldo, também podem ser podadas quando passarem do limite de tamanho desejado.

“Atenção, porém, à erva-cidreira, pois plantas com folhas compridas como as dela não podem ser podadas [em sua extensão], suas folhas secas devem ser cortadas bem junto à base e nunca no meio”, alerta Rodrigues. Este corte no meio das folhas faz com que o local fique oxidado (marrom), como uma ferida aberta à contaminação de patógenos (agentes que desencadeiam doenças).

Por fim, as mudas das ervas citadas são facilmente encontradas em floriculturas e até em supermercados. Uma vez plantadas e bem cuidadas, duram por muitos anos.“Para quem não tem pressa e quer vê-las crescer, há sementes disponíveis em mercados e lojas de jardinagem”, conclui Heib.

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