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Em NY, detalhes femininos e porta de celeiro modificam apê impessoal

Trevor Tondro/ The New York Times
No living do loft em NY, o capitonê e os tecidos estampados ajudam a criar um clima aconchegante imagem: Trevor Tondro/ The New York Times

Tim Mckeough

The New York Times, em Nova York, EUA

Quando Ryan Foster e Anne Maxwell Foster mostraram interesse em comprar um loft com estilo industrial em Dumbo, até a agente imobiliária ficou surpresa. “Ela disse: ‘Vocês têm certeza que gostam desse lugar? É muito Brooklyn.’”, se recorda Anne.

Isso porque Anne é proprietária da Tilton Fenwick, uma empresa de design de interiores conhecida pela visão inovadora sobre estéticas tradicionais. Ela gosta de estofados acolchoados em tecidos de cores fortes, papéis de parede com padrões vivos e outros toques que criam referências de conforto e permanência.

O apartamento escolhido era a antítese de tudo isso e aparentemente não se enquadrava. Um espaço recém-construído com todas as “desvantagens” que se pode esperar: bancadas laminadas com beiradas expostas em compensado, iluminação popular e não muito calor ou personalidade.

Anne, 30 anos, e sua parceira nos negócios, Suysel dePedro Cunningham, de 36, porém, viram potencial ali. Adoraram as grandes janelas e a vista de Manhattan. “As coisas de que não gostamos no espaço - como o acabamento - poderiam ser facilmente alteradas”, acrescenta Suysel.

Na verdade, Anne afirma que “talvez seja a pessoa mais tradicional a morar em Dumbo”. Mas seu marido ficou tão entusiasmado com a vizinhança – em parte, como ele mesmo diz, porque “não conseguiu esconder a verve para o mundo das finanças”, que compraram o apartamento.

Negociador de crédito, Ryan, 31 anos, estava convencido de que a área estava crescendo. “Eu fiquei muito interessado pelo aspecto do investimento que faríamos na propriedade”, justifica, “para mim, este foi o fator principal”.

A reforma

O apartamento de 111 m² e apenas um quarto custou US$ 885 mil e, durante dois meses e meio, teve as arestas aparadas por Anne e Suysel, em uma reforma de US$ 100 mil. Elas eliminaram as bancadas, a maior parte das peças do banheiro e até mesmo o armário para casacos que ficava perto da porta de entrada, para dar espaço a um foyer.

Transformaram o escritório sem janelas no quarto principal e o antigo quarto tornou-se parte da sala de estar, com uma cama Murphy e uma porta corrediça de celeiro que permite que o ambiente funcione também como quarto de hóspedes. Enquanto o generoso armário para casacos, na entrada, tornou-se um quarto de bebê (os Fosters estão esperando seu primeiro filho).  

Então veio a mobília, os tecidos, os equipamentos, a iluminação e o papel de parede que criariam a sensação calorosa e convidativa que queriam. No novo foyer, deram a uma das paredes o acabamento com laca vermelha e acrescentaram ali um aparador e um par de banquetas “vintage” Lucite. Em um dos dois banheiros, as paredes foram forradas com papel de parede marmorizado e multicolorido, a pia de pedestal  deu lugar a um lavatório com gabinete – uma cômoda antiga – e tampo de mármore e o piso cerâmico foi recoberto por vinil de fibras que parece carpete. 

Assinatura feminina

No quarto principal, a cabeceira amarelo canário, a roupa de cama floral, de D. Porthault, e outro papel de parede – este com uma padronagem Lotus, da Farrow & Ball – criam a ilusão de um dormitório cheio de sol.

Papel de parede, esclarece Suysel, é uma das assinaturas da dupla. “Geralmente o usamos em vários cômodos”, diz, acrescentando que só tiveram um cliente que se recusou a cobrir as paredes com o que quer que fosse.

Na sala de jantar, as decoradoras combinaram uma mesa de tampo de zinco com cadeiras antigas estofadas com tecido preto e branco, bem gráfico. No teto, o pendente teve a corrente revestida por uma capa rosa choque, cor que se repetiu nas poltronas da sala de estar. É um apartamento com apelo decididamente feminino, Anne admite.

“Conhecemos homens que jamais topariam cadeiras rosa choque nas suas salas”, justifica, o que dirá da roupa de cama floral. “Mas ainda, e de alguma forma, funciona para um homem e o Ryan se sente completamente confortável. Ele é o cliente dos sonhos”, conclui ao se referir ao marido.

De sua parte, Ryan parece pouco impressionado pelo estofamento rosa e pelas flores. “Para ser honesto, não pensei muito a respeito”, afirma, "eu sou fã da estética com que elas trabalham”.

Tradutor: Erika Brandão (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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