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Casa italiana foi feita de memórias e projetada para enquadrar a paisagem

Andrea Wyner/ The New York Times
A casa de pedra, na Itália, foi desenhada de modo a enquadrar os Alpes Austríacos e as Dolomitas Italianas imagem: Andrea Wyner/ The New York Times

Rocky Casale

The New York Times, em Vipiteno, Itália

O ar é fresco e leve nesta pequena cidade italiana que fica no sopé dos Alpes, perto da fronteira com a Áustria, onde Kurt Brunner e sua esposa, Claudia, fizeram uma casa para seus filhos. Kurt, 50 anos, é um incorporador de imóveis com mais de quatro séculos de história familiar nessas montanhas.

Há sessenta anos, a mãe de Kurt herdou uma fazenda em ruínas. Há pouco tempo, ele e Claudia, - 33 anos e professora - acabaram por transformar seus resquícios em uma casa envidraçada com quase 250 m², onde elementos arquitetônicos novos e antigos convivem lado a lado.

"Tivemos sorte de ter conseguido a permissão para transformar um monte de madeira podre e rochas em nossa moderna casa dos sonhos," conta Kurt, ao se referir à regulamentação italiana de preservação, que muitas vezes impede a realização de alterações contraditórias à arquitetura antiga.

“Podere”

A única coisa que ainda se mantinha em pé quando a construção começou, em 2010, era uma pequena capela de 200 anos, onde Kurt Brunner e seus filhos foram batizados. A casa de fazenda original já tinha desabado havia muito tempo: tudo o que sobrou foi uma alta e solitária parede de pedras. Os Brunners incorporaram-na à nova morada principal, como um dos primeiros sinais aos visitantes de que este não é um retiro comum nas montanhas.

A porta de frente abre para um espaço de convivência no segundo andar, onde uma cozinha moderna e uma sala de jantar com armários pretos de ferro, que vão do chão ao teto, fluem em direção a um “lounge”. Como mesa de jantar, Kurt usou a longa e inteligentemente entalhada tábua de açougueiro do seu bisavô, e a colocou em uma moldura de cobre; as modernas cadeiras de encosto baixo em volta dela são da Vitra.

No ambiente, uma parede giratória que serve como local de armazenagem e elemento divisor do espaço é decorada com chifres de veados e as paredes e o teto são de concreto com marcas que se assemelham aos veios da madeira. Do outro lado, forrada de pinho, há uma sala de café da manhã no estilo alpino que foi resgatada de uma casa vizinha, restaurada e remontada.

Atrás da cozinha, uma escada de ferro fundido, ladeada pela parede de pedra da antiga fazenda, leva a três quartos no primeiro andar, que possuem pisos de concreto polido e paredes revestidas pela madeira reciclada da antiga sede da fazenda. Por fim, uma brinquedoteca com parede de vidro inclinada e encravada na encosta tem vista para um resort de esqui da região.

De cara para o paraíso

Viver nas montanhas permite aos Brunners não dependerem, pelo menos parcialmente, de concessionárias de serviços públicos: a casa se aproveita dos gelados aquíferos da região, então não há conta de água.

Os telhados planos da casa principal, da garagem e do pequeno spa que construíram na propriedade possuem grama alta e tapetes de fumaria, eufrásia e chicória para absorver as chuvas e isolar as construções. Kurt Brunner pagou Lois Weinberger, um artista austríaco, para criar letreiros para cada um dos edifícios, que levam o nome da planta em seu telhado – fumaria, eufrásia ou chicória – e pintá-los na cor da flor de cada planta.

O projeto todo, finalizado em 2011, custou aproximadamente 450 mil euros, mas o consenso familiar parece ser de que valeu a pena. “Algumas vezes é difícil ser diferente numa zona rural,” pondera Kurt. “Mas estou feliz por termos conseguido”.

Tradutor: Erika Brandão (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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