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Casa de US$ 17 mi, em Londres, é refúgio que une modernidade e tradição

Nick Kane/ The New York Times
O arquiteto Shahriar Nasser, responsável pela reforma da mansão, criou um gazebo afastado, no jardim imagem: Nick Kane/ The New York Times

Steven Kurutz

The New York Times, em Londres, Reino Unido

Daniel Harris e sua esposa, Gaynor, estavam procurando uma casa em Londres que tivesse “algo a mais”. Orçamento não era um problema, ainda assim, nenhuma casa tinha o que buscavam. “Falta personalidade à maioria dos lugares,” afirma o empresário, “há casas bacanas, mas sem aquele indescritível elemento que faz você dizer: ‘Eu quero morar lá’”.

No fim, o tal “algo a mais” foi encontrado na Casa Klippan, uma imensa construção de pedras vermelhas comprada em Hampstead, em 2010, por US$ 17 milhões (uau!). A residência foi construída na década de 1880 por Ewan Christian, o arquiteto que projetou a National Portrait Gallery, na capital britânica. Nela, as chaminés gêmeas cutucam o céu a partir do telhado, num efeito eclesiástico. “Eu sorrio todas as vezes que vejo aquelas chaminés”, diz Daniel.
 
Os Harris passaram 20 anos criando suas duas filhas numa casa moderna em Radlett, um vilarejo fora da cidade. “Nós projetamos todos os seus aspectos, mais precisamente, minha esposa projetou cada parte da residência, eu apenas me mudei”, lembra Daniel.
 
Com as filhas já crescidas, o casal queria mudar para a cidade e reduzir o tamanho da morada. Com a Casa Klippan, eles atingiram metade do objetivo. Apesar do espaço monumental que a construção de quatro andares e cerca de 900 m² ocupa, Daniel e Gaynor se apaixonaram por seus detalhes arquitetônicos e áreas espaçosas que oferecem um pouco da privacidade antes desfrutada no campo.
 
Assim, com a orientação do arquiteto Shahriar Nasser (e mais um custo de US$ 4,5 milhões), os Harris embarcaram em uma extensa e complicada reforma para transformar o interior todo recortado da era vitoriana em um espaço inesperadamente moderno, aberto e cheio de luz.
 
Modernidade histórica
 
Detalhes seletivamente preservados guardam um senso histórico. Na cozinha, utensílios e armários estão escondidos atrás de uma "parede lisa", mas o teto de madeira foi remodelado para trazer mais calor. Em uma sala próxima à entrada, uma escultura moderna está cercada por janelas originais que ainda exibem trechos de poesias de John Keats, que alguém gravou ali.
 
O canto favorito de Daniel, porém, é a biblioteca, que incorpora o exterior original de tijolos a uma grande sala que mais parece uma galeria, com pisos de pedra basáltica e um teto de vidro que oferece a visão das copas das árvores. “Por vir de um vilarejo, eu queria a sensação de não ter vizinhos”, conta, “como as 'janelas' apontam para cima, consigo ter quietude e isolamento”.
 
Uma desvantagem de se mudar para uma casa com tantas coisas incríveis é que a mobília da residência anterior não serve mais. Duas cadeiras de madeira, uma mesa e algumas obras de arte emolduradas no quarto principal "são tudo o que resta de Radlett", resume Daniel. 
 
O mobiliário de madeira em estilo “country” e peças de arte impressionista compõem os exteriores, enquanto os ambientes internos têm arte moderna, sofás de couro quadradões e cadeiras coloridas da B&B Italia, se alinhando aos espaços completamente brancos.
 
Outra desvantagem de atingir o “deslumbramento”: filhos crescidos que não querem sair de casa. Desta forma, o casal transformou o piso superior, que deveria ser seu ninho de amor vazio, num apartamento da filha que está estudando para ser médica. A outra menina, também vive em casa. Harris observou, a contragosto, a diferença entre filhos adolescentes e adultos: “Eles não ficam mais em seus quartos, querem a biblioteca ou a sala de vídeo, tanto quanto nós”.
 

Tradutor: Erika Brandão (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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