Casa e decoração

Veja como ter uma casa fresca sem usar ar-condicionado

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Casa com janelas e portas dispostas em paredes opostas e com espelho d'água é mais fresca imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

Mesmo em países tropicais, onde os verões são escaldantes, é possível ter ambientes ventilados e frescos, sem a ajuda do ar condicionado. Para isso, o projeto de construção ou reforma da casa é fundamental. Ele deve prever sistemas de sombreamento eficiente e de ventilação natural abundante, a fim de prover o conforto térmico aos usuários. Afinal, o combate ao calor precede a invenção do “santo” e refrescante condicionador de ar.

Para amenizar o rigor do clima, os construtores de séculos passados alargavam paredes, elevavam os tetos, criavam jardins internos e varandas e, quando possível, erguiam as edificações do solo. "Todo esse conhecimento pode ser atualizado e nos ajudar a enfrentar a questão da temperatura", afirma o arquiteto Paulo Gomes.
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    O ar frio, mais pesado, tende a ir para baixo (imagem). Crie aberturas para a troca de ar: colocando janelas baixas para a entrada de ar frio e limpo e aberturas altas para a exaustão

Construção e reforma
 
Prover uma casa com boa ventilação é a chave para garantir conforto e salubridade aos moradores. O ideal é que o projeto considere a direção do vento em relação ao local de implantação, na hora de distribuir e dimensionar janelas e portas. Uma medida eficaz é posicionar as aberturas em paredes opostas, proporcionando a chamada ventilação cruzada.
 
"A ventilação cruzada eleva a qualidade de vida em qualquer imóvel. Além de ajudar a controlar a temperatura, o recurso favorece a renovação do ar e elimina odores e mofo", afirma a arquiteta Adriana Victorelli, do escritório Neoarq. E para favorecer ainda mais a circulação do ar , a elevação da altura do pé-direito é boa aliada. Quanto mais alto, menos o ar se torna viciado. 
 
Outra estratégia importante para manter a temperatura interna da casa mais agradável em todas as estações do ano é localizar os ambientes e as aberturas de acordo com o sol. Para projetos no hemisfério sul, como ocorre na maior parte do Brasil, o adequado é voltar, quando possível, as portas e/ou janelas dos cômodos como quartos e salas para a face norte, onde haverá grande incidência solar no inverno e sombra no verão, explicam as arquitetas Adriana Helú, Carolina Oliveira e Marina Torre Lobo, do escritório Triplex.
Para conter os raios solares que incidem diretamente sobre a fachada, esquentando os cômodos, vale lançar mão de elementos de sombreamento como beirais e brises. Esses últimos são úteis, também, para garantir maior privacidade aos usuários diante de grandes aberturas, deixando, porém, o ar passar livremente.
 
Na busca por uma casa mais fresca, vale inclusive recorrer à física, especialmente, ao princípio que determina a circulação do ar e indica que o ar quente, mais leve, tende a subir, enquanto que o ar frio, mais pesado, tende a descer. Baseando-se nisso, o projeto de arquitetura pode prever entradas de ventilação próximas ao piso, permitindo a incidência de ar fresco, e saídas para o ar quente na parte de cima, seja no teto ou na parede. 
 
Mais um recurso que pode ser considerado ao se projetar uma casa é afastar a construção do chão, apoiando-a em sapatas ou pilotis e criar condições para que haja uma circulação constante de ar sob a edificação. Isentando-a da absorção do calor do solo.
De olho no telhado
 
Por ser a parte da casa mais exposta aos raios solares, a cobertura deve receber atenção especial. O telhado, se bem estudado, pode diminuir o aquecimento interno evitando o chamado efeito estufa. 
 
Via de regra, as telhas cerâmicas apresentam um desempenho melhor do que as de alumínio simples ou as de fibrocimento. Porém, se a opção for por uma telha metálica, é importante investir nas do tipo sanduíche, compostas de duas camadas de alumínio ou aço recheadas por manta isolante. Os telhados com cobertura vegetal também são alternativas interessantes para ajudar a controlar a temperatura da edificação.
 
"Se a intenção é ter um telhado tradicional, a dica é usar uma manta de subcobertura térmica que rebata o calor e crie um colchão de ar entre a cobertura e a edificação por onde o calor tende a se dissipar", diz Victorelli. A arquiteta lembra que outra solução simples, mas eficaz, é pintar as telhas de branco. Dessa forma, a superfície não absorve tanto calor e ainda reflete parte dos raios solares.
A importância do paisagismo
 
O paisagismo é outro recurso valioso para adicionar conforto ambiental aos espaços. "As árvores que se enchem de folhas no verão e ficam secas no inverno são ótimas para ficar junto às aberturas com incidência solar. O mesmo vale para as trepadeiras", recomenda Victorelli, que também realiza projetos de paisagismo em seu escritório.
 
Os espelhos d’água, por sua vez, são componentes paisagísticos capazes de reduzir em até 3º C a temperatura no seu entorno. Isso porque a evaporação da água aumenta a umidade do ar em redor, proporcionando a sensação de frescor. 
 
Para maximizar esse benefício, "esses elementos podem ser implantados diante da fachada com maior ventilação para que o próprio vento ajude a borrifar água pelo ar e, consequentemente, reduzir a temperatura", conclui a arquiteta.
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