Decoração de ambientes

Salão de Milão tem cozinhas tecnológicas e exposição sobre futebol

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As superfícies ultracompacta e de quartzo do Grupo Cosentino estão na EuroCucina 2014. Com alta resistência a riscos e à abrasão, os materiais podem ser usados em pisos, painéis e bancadas imagem: Divulgação

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

O Salão Internacional do Móvel, em Milão, chega a sua 53ª edição se firmando como o principal evento nas áreas de decoração e design do mundo. Até o dia 13 de abril são esperados, na cidade italiana, mais de 300 mil participantes de 160 países, todos interessados no que há de mais inovador, belo, sofisticado e tecnológico em mobiliário, cozinhas, banheiros e acessórios.

"I Saloni", como o evento é conhecido, contará com 2.400 expositores, número parecido com o da edição anterior, em 2013. Ao todo serão 340 mil m² de área de exibição e uma série de eventos simultâneos, como a EuroCucina, que chega a sua 20ª edição, o Salão Internacional do Banho, em sua 5ª edição, e o Salão Satélite, que conta com a presença de 650 designers e estudantes de 16 escolas internacionais de design.

Plural

Entre os expositores não estão apenas os tradicionais fabricantes de mobiliário italianos e internacionais, mas também novos participantes - como a sueca Hästens e a dinamarquesa Kvadrat, além de marcas de alto luxo, como a Poltrona Frau. "Todos os anos as empresas fazem um enorme esforço para apresentar o seu melhor durante essa semana", afirma o presidente da Cosmit, organizadora do evento, e CEO da Kartell, Claudio Lutti.

Analisando o resultado desse esforço, é possível identificar algumas tendências, muitas das quais reflexo do momento de austeridade pelo qual passa o Velho Continente. Uma delas é o maior interesse da indústria em explorar matérias-primas alternativas e dar status nobres a elas. Kartell e Republic of Fritz Hansen apresentam alguns exemplos de peças moldadas em polímeros.

Nas cozinhas e banheiros é possível encontrar componentes construídos a partir de fibra de carbono e, dando continuidade a um movimento iniciado há alguns anos, ganham ainda mais espaço as superfícies tecnológicas, em substituição às rochas naturais (mármores e granitos).

No desenho, de maneira geral, a busca por formas mais puras e minimalistas prevalece, em detrimento da ostentação.

Aki Furudate/Divulgação
O casal de arquitetos Masssimiliano e Doriana Fuksas vive em Paris, em uma residência luminosa e minimalista que está na mostra "Como Vivem os Arquitetos" imagem: Aki Furudate/Divulgação

Como vivem os arquitetos?

A missão dos organizadores do Salão de Milão não é fácil. Um desafio a ser superado a cada ano é tornar cada vez mais atraente e relevante um evento realizado desde 1961 e de fundamental importância para a economia italiana e para a indústria do design.

Por isso, em pouco menos de uma semana, Milão se transforma. É possível aproveitar a atmosfera que vigora na cidade. Há mostras paralelas que se “desprendem” da região de Rho, onde está o corpo principal da feira. E, em 2014, as mostras culturais paralelas enfatizam do desejo de abrangência do “Saloni”.

A principal delas "Onde os arquitetos vivem", conta como moram oito dos arquitetos mais respeitados do mundo. A exposição expõe cômodos da casa de profissionais como o recém-premiado com o Pritzker, Shigeru Ban, o italiano Massimiliano Fuksas, a iraquiana Zaha Hadid, o britânico David Chipperfield e o brasileiro Marcio Kogan. "Exploramos a arte de viver nos tempos contemporâneos, através de um olhar mais atento sobre as pessoas que estão mudando a cara de nossas cidades e o imaginário coletivo", resume Lutti.

Mariana Chama/ Divulgação
Banquinho com design de Sergio Rodrigues faz parte da exposição "Origens do Brasil", que tem curadoria de Adélia Borges , durante o Salão do Móvel de Milão imagem: Mariana Chama/ Divulgação

O Brasil (e o futebol) em Milão

Como vem acontecendo nos últimos cinco anos, o design brasileiro chega à Milão representado pela Brazil S/A, um lounge no “Fuori Salone” dedicado à divulgação do design nacional com foco na geração de negócios.

Em 2014, o objetivo dos organizadores é mostrar a pluralidade do design brasileiro. Uma das principais exposições é "Origens do Brasil", que tem curadoria de Adélia Borges e apresenta as heranças indígenas, africanas e europeias por traz da idealização de banquinhos de sentar.

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Lustre criado por Roberto Migotto, para a mostra da Brazil SA, em Milão imagem: Divulgação

Para Ricardo Caminada e José Roberto Moreira do Valle, criadores da Brazil S/A, hoje, a criação nacional é muito mais valorizada no exterior graças a nomes como Sergio Rodrigues e Irmãos Campana. “Acreditamos também na criatividade de uma nova leva de profissionais que mantém a nossa identidade cultural de forma bem viva”, diz Caminada. "É longo o caminho para criar uma cultura de consumo e valorização do design nacional, mas estamos trabalhando para aumentar o interesse da população em relação a esse universo", continua Moreira do Valle.

No ano em que o Brasil sedia o maior evento esportivo do mundo, Milão abre suas portas para o futebol. Duas exposições estabelecem uma conexão entre a grande paixão nacional e o design. Sob curadoria de Luiz Cláudio Began, a Expo Bola Brasil reúne trabalhos de 10 arquitetos e designers de interiores convidados para colocar o clássico lustre de cristal francês Baccarat em sinergia com o futebol brasileiro. Já a “Expo Camisa 10” mostra interpretações de designers brasileiros da mítica "canarinho" usada pelos craques da bola, explorando a dimensão emocional do design.

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