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Designers criam cozinha que reaproveita água e recicla resíduos

Estúdio Faltazi/ Divulgação
A Ekokook é uma cozinha modular que alia eletrodomésticos convencionais e sistemas de reciclagem imagem: Estúdio Faltazi/ Divulgação

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

A cozinha é o cômodo da casa que mais gera resíduos e um dos ambientes que mais consomem água e eletricidade. Mas seria possível aproveitar melhor os recursos naturais e reduzir o lixo? Os designers do estúdio francês Faltazi acreditam que sim e pensaram em uma estrutura para nos auxiliar em tais ações.

Com aparência que foge ao convencional, o protótipo da Ekokook possui itens comuns como pia, geladeira e fogão. Porém, a eles estão associadas "micro usinas" de reciclagem para resíduos sólidos e orgânicos e um sistema de reaproveitamento de água, ambos personalizáveis e adaptáveis às casas e apartamentos contemporâneos. Modular, a cozinha tem dimensões ajustáveis e pode ser montada com todos os componentes ou apenas com uma das usinas, de acordo com as necessidades de cada família.

Como funciona?

Na proposta da cozinha ecológica, os sólidos recicláveis (vidro, papel, plástico e alumínio) são armazenados e compactados por um sistema de cilindros acionados manualmente. A ideia é diminuir o volume de material para reduzir a frequência da coleta e, consequentemente, a poluição atmosférica e sonora causada pelos caminhões. "Já que não emitem odores, percebemos que não haveria problema em manter esses resíduos por mais tempo na cozinha, desde que ocupassem menos espaço", afirma um dos designers do Faltazi, Victor Massip.

Para a reutilização da água, a cozinha conta com duas pias. A primeira serve para lavar utensílios e panelas com muita gordura. O líquido, nesse caso, segue direto para a rede de esgoto, porque é de difícil tratamento. Na segunda pia, porém, a água que escorre pelo ralo - após a lavagem “leve” de louças e alimentos - segue para um sistema de filtragem para, então, ser armazenada e reaproveitada na rega de plantas ou para a limpeza doméstica. De acordo com os designers, a economia estimada pode chegar a 15 litros de água potável por pessoa, a cada dia. Isso significa que a redução do consumo pode alcançar 1.800 litros em um mês, se considerada uma casa com quatro pessoas.

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Para tratar os resíduos orgânicos e diminuir a quantidade de lixo que segue para os aterros sanitários, a Ekokook dispõe de um sistema de compostagem simples, construído a partir de um tambor rotativo. Nele, minhocas transformam cascas de frutas, legumes, borra de café, saquinhos de chá e restos de comida em adubo, destinado ao jardim, à hortinha ou aos vasos.

Eficiência e flexibilidade

No protótipo desenvolvido pelos designers franceses, a parte inferior dispõe de fogão, forno, geladeira, lava-louças (que pode ser abastecida pela água de reúso da segunda pia) e espaço para mantimentos. Na parte superior há uma coifa e lugar para armazenar cereais, além de uma mini-horta suspensa, que pode ser diretamente irrigada com a água reciclada. Segundo Massip, o projeto da cozinha visa a praticidade e as soluções que gerem baixo consumo de energia e o mínimo desperdício de calor, como por exemplo, pela adoção de um refrigerador compartimentado, com mais de uma abertura (portas e gavetas independentes e impressas com ícones informativos).

O modelo patenteado pelos sócios do Faltazi ainda não está à venda. "Atualmente estudamos o aperfeiçoamentos das microplantas e estamos em busca de parcerias para a  fabricação", diz Massip.

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