Jardinagem e paisagismo

Conheça os segredos do cultivo de rosas

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Rosas variadas podem ser cultivadas em vaso, mas não toleram compartilhar o espaço com outras plantas imagem: Getty Images

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

A rosa é a principal flor de corte comercial do mundo, mas seu cultivo caseiro ainda gera dúvidas. Segundo a engenheira agrônoma e doutoranda em Agronomia e Horticultura pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Kamila de Almeida Monaco, essas flores exigem os mesmos cuidados gerais que qualquer outra, mas a atenção com o clima é fundamental.

Rosas não foram feitas para resistir a temperaturas muito quentes e nem muito frias, o ideal é que elas estejam entre 17° C e 25° C: “O calor em excesso adianta o florescimento, enquanto o frio atrasa”, explica Monaco.  Flores de sol pleno, as rosas também demandam a exposição diária à luz solar direta por cerca de seis horas. No entanto, seu cultivo não se resume aos jardins: o plantio de botões em vasos é uma boa pedida para quem tem uma varanda ou um local bem iluminado no apartamento.

No vaso também dá

O primeiro passo é escolher um vaso com boa profundidade, já que as raízes precisam crescer e se desenvolver para melhor absorver os nutrientes e a água do substrato. “Recomendo recipientes com pelo menos 30 cm de altura”, indica a agrônoma.  A largura (ou o diâmetro), porém, é variável de acordo com a quantidade de mudas e a variedade (tipo de rosa) a ser plantada.

Por exemplo, se você deseja cultivar três mudas, um vaso com 40 cm de diâmetro é suficiente; para apenas uma, utilize um recipiente com 25 cm. Para tipos menores, como a “biscuit” e as mini-rosas, vasos com até 15 litros de capacidade são adequados. Espécies arbustivas e trepadeiras, por sua vez, se dão bem em suportes com cerca de 30 litros. É importante notar que as rosas não devem ser plantadas junto a outras plantas, em um mesmo vaso, pois são muito competitivas quanto à absorção de nutrientes.

O cultivo de roseiras

  • Solo

    As rosas são tolerantes a todos os tipos de solo, desde que tenham uma boa drenagem e matéria orgânica abundante. A paisagista Irene Cisneros recomenda a mistura de 40% de húmus, 40% de terra orgânica e 20% de areia. Para melhorar a drenagem, a dica é proteger o fundo do vaso com pedrinhas e/ou um pedaço de geomanta.

  • Mudas e sementes

    Uma alternativa à terra preparada em casa são os substratos comerciais, ricos em matéria orgânica que podem ser utilizados sozinhos ou misturados com areia e facilmente encontrados em lojas de produtos para jardinagem. Independentemente da escolha do substrato, porém, dê atenção às mudas e sementes, que devem ser de boa procedência, livres de insetos ou doenças.

  • Adubação

    Segundo a engenheira agrônoma, Ludmila Akemi Fukunaga, muitas roseiras não se desenvolvem por conta da adubação incorreta: "Se colocarmos adubo demais, temos queima da raiz e a planta murcha". A adubação orgânica, baseada em esterco animal, composto orgânico, farinha de ossos e torta de mamona é a recomendável para quem está iniciando o cultivo.

  • Frequência de adubação

    As roseiras podem receber de duas a três adubações por ano: a primeira logo após a poda anual (entre julho e agosto) e a segunda entre novembro e dezembro.

  • Regas

    As rosas devem ser regadas sempre no "pé", junto à base do caule. O hábito de molhar flores e folhas favorece o aparecimento de doenças fúngicas, um dos maiores problemas para as roseiras. A irrigação diária, após o plantio das mudas e até a primeira florada, é recomendável. Depois desse período, basta molhar a planta uma vez por semana no inverno e duas vezes por semana no verão.

  • Melhor período para a irrigação

    Entre uma rega e outra, a terra deve permanecer ligeiramente seca, pois o excesso de água pode levar ao apodrecimento e até à morte das raízes. O período mais adequado para a irrigação é pela manhã, bem cedinho: esse cuidado ajuda as flores a desabrochar.

  • Podas

    De acordo com a engenheira agrônoma Ludmila Akemi Fukunaga, para cada tipo de roseira há um diferente tipo de poda. Mas, em linhas gerais, a primeira poda deve ser realizada cerca de um ano após o plantio e repetida anualmente, entre julho e agosto, pois as roseiras entram numa espécie de dormência quando a temperatura cai para cerca de 10º C.

  • Poda de limpeza

    Após a primeira floração é necessário fazer uma poda de limpeza, cortando de duas a três folhas abaixo do botão com uma tesoura bem afiada e limpa, na diagonal. Tenha o cuidado de não esmagar o tecido vascular da planta, o que pode promover a entrada de fungos indesejados.

  • Pragas e doenças

    As doenças fúngicas são as mais comuns, como o oídio, a ferrugem, o míldio, o mofo cinzento e a pinta preta, grande parte delas favorecidos pela alta umidade. Já as pragas mais corriqueiras são os ácaros, os pulgões, as cochonilhas, as lagartas e as vaquinhas, a maioria delas combatida com defensivos químicos. Porém, a cochonilha e o pulgão, por exemplo, podem ser combatidos com soluções caseiras.

Fonte: Irene Cisneros, paisagista; Kamila de Almeida Monaco, engenheira agrônoma, e Ludmila Akemi Fukunaga, engenheira agrônoma.

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