Decoração de ambientes

Funcionalidade e desenho atemporal dão fama ao design alemão

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A luminária Bulb (1966), criada por Ingo Maurer, tem formato de lâmpada e é parte da coleção do MoMA imagem: Divulgação

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

Reconhecido pela precisão, funcionalidade, racionalismo e pioneirismo, o design alemão é referência para arquitetos e decoradores do mundo todo. O uso de linhas retas, a eliminação de adornos desnecessários e a aplicação de conceitos como "menos é mais", são algumas heranças dessa escola e que podem ser facilmente identificados em projetos e produtos contemporâneos. 

A importância do design alemão fica evidente ao vermos peças produzidas há muito tempo, algumas há mais de cem anos, serem utilizadas até hoje. É o caso da cadeira Barcelona, desenvolvida em 1929 pelo arquiteto Mies Van der Rohe para o pavilhão alemão da Feira Internacional de Barcelona. Outro indicador da força do traço germânico é a enorme quantidade de reproduções: cadeiras, poltronas e luminárias desenhadas na Alemanha ou por alemães estão entre as mais copiadas mundo afora.
A criatividade e o senso estético harmônico estão entre as características do design alemão. "Há também a excelência nas soluções técnicas encontradas, a impecabilidade na execução dos produtos e a busca por um desenho universal", diz o arquiteto Enio Moro Júnior, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo. Ele conta que todos estes fatores se apresentam com clareza nos produtos "made in Germany", sejam eles automóveis ou simples talheres.
 
Na vanguarda
 
O período mais prodigioso da produção alemã se deu nas primeiras décadas do século 20. Em 1907, foi criado o Deutscher Werkbund, uma associação de arquitetos, artistas e empresários, que tinha por objetivo melhorar a qualidade das mercadorias industriais germânicas. 
 
O movimento foi uma resposta à necessidade de aumentar a competitividade do país perante seus vizinhos europeus, sobretudo britânicos e franceses. "Como a Alemanha se industrializou tardiamente, não era capaz de fabricar com baixo custo. A solução era fazer melhor, com mais qualidade e design", explica Martin Gegner, professor visitante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e diretor do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) em São Paulo.
 
"As ideias que surgiam no Werkbund chegaram às grandes indústrias, influenciando mundialmente o desenho e a produção [por exemplo] de eletrodomésticos", afirma Gegner, lembrando que até a criação da associação não existia a profissão "designer industrial".
 
Em 1919, o arquiteto alemão Walter Gropius criou a Bauhaus, em Weimar. A escola de arquitetura, artes e design nascia para dar forma à utopia de construir o futuro (“Bau der Zukunft”) e se transformou em uma das mais importantes expressões do Modernismo. 
Transferida para Dessau em 1925 e fechada pelo nazismo em 1933, a Bauhaus promoveu uma revolução estética ao propor uma ligação ainda mais efetiva entre arte e indústria e a correspondência entre forma e função. "Na Bauhaus, artistas, designers e arquitetos como Gropius, Kandisnky e Mies Van der Rohe renovaram o pensamento estético trazendo uma nova ordem de produção: a reprodutibilidade, a indústria, o rompimento com padrões estéticos ultrapassados e criaram um desenho que poderia ser de todos", explica o professor Moro.
 
Além da função
 
Passada a Segunda Guerra Mundial, o design alemão continuou a buscar a inovação. Para o arquiteto e designer Volker Albus, um dos representantes dessa nova geração, um dos maiores desafios dos profissionais de hoje é fazer um desenho bom o suficiente para que permaneça atemporal e atraia tanto a atenção a ponto de que ninguém queira descartá-lo.
 
Designers como Ingo Maurer, conhecido como o "Mago da Luz", Konstantin Grcic e Till Kobes vêm testando os limites da liberdade criativa e explorando soluções funcionais e materiais. Nos últimos anos, questões como a busca por soluções ambientalmente e socialmente sustentáveis ganharam protagonismo. O trabalho de Werner Aisslinger ilustra essa tendência. O designer berlinense faz uso de matérias-primas alternativas, como fibras naturais de cânhamo, em cooperação com grandes indústrias químicas e de mobiliário.
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