Casa e decoração

"Invisível" para rua, casa nas Bahamas é compartilhada por duas famílias

Tony Cenicola/ The New York Times
Da varanda da Casa nas Dunas, desenhada pelo arquiteto Chad Oppenheim, é possível ver o pôr do sol imagem: Tony Cenicola/ The New York Times

Elaine Louie

The New York Times, em Harbour Island, Bahamas

Há alguns anos, Chad Oppenheim, arquiteto radicado em Miami, recebeu uma ligação de uma cliente em potencial. Debby Lawn, conselheira aposentada de uma escola fundamental de São Francisco, havia comprado recentemente uma propriedade à beira-mar, nas Bahamas, em conjunto com seu marido Richard, um biólogo molecular em vias de se aposentar. O casal, que tem por volta de 60 anos, queria que Oppenheim projetasse uma casa em uma das ilhas do país.

O arquiteto foi até o terreno em Harbor Island e se apaixonou instantaneamente pela areia rosada, a água límpida e as palmeiras. De lá, retornou com uma proposta incomum aos futuros clientes: “Vocês entram com o terreno e eu entro com a casa”. E o casal acabou por aceitar.

Uma casa, duas famílias

Em princípio, Debby disse que ela e o marido nem consideraram a ideia. Depois de quatro meses de negociações, porém chegaram a um acordo: os Lawns contribuiriam com a propriedade de pouco mais de meio hectare que compraram por US$1,1 milhão, Oppenheim construiria a casa (uma estrutura de dois andares e 280 m² que acabou custando US$ 2 milhões); e ambos dividiriam o custo da mobília e as despesas com os serviços públicos, seguros e impostos sobre a propriedade.

A casa, terminada em 2013, é agora o domínio dos Lawns quatro vezes ao ano, duas semanas por vez. Eles também a dividem com seus filhos, que vão sozinhos. Uma vez por mês, Oppenheim, de 43 anos e sua esposa Ilona, de 37, designer gráfica, passam lá um final de semana prolongado com seus filhos pequenos.

As duas famílias não se encontram. Eles compartilham uma casa, mas não as suas vidas, que são privadas. A casa também é bastante privativa, tanto ao ponto de ser invisível da rua. “Queríamos que a casa se encaixasse na ilha, então ela é um pouco como um lar primitivo”, explica o arquiteto.

O projeto

Desta forma, o projeto previu materiais que não chamariam a atenção: blocos de concreto, cedro reciclado e ipê reutilizado. Algumas paredes são recobertas com uma tinta à base de leite que “os insetos gostam de comer”, diz Oppenheim.

A Casa na Duna, como ele a chama, se encontra apoiada em um banco de areia com dez metros de altura. O caminho que leva a ela dá voltas por entre as palmeiras ao longo de 155 metros, chegando a um amplo conjunto de escadas que lembra o de um templo Maia. A partir dali há uma subida suave para a passarela no piso principal.

“Ao subir as escadas, você começa a ouvir o mar e a sentir o cheiro do sal”, descreve Oppenheim. Do topo da escadaria “você avista o oceano através da casa. Você entrou na sala de estar, na varanda da frente e na varanda dos fundos. Tudo é um único espaço aberto”, resume.

À noite, esta passagem de uso comum brilha, mas não há luminárias visíveis. A iluminação está embutida no teto e no piso, onde as tomadas também estão enterradas. “Você não vê tomadas, saídas de ar condicionado e, dificilmente, as próprias luminárias”, indica Oppenheim. (Isto é o tal “primitivismo” a que o arquiteto se refere, mas ele está cheio de truques tecnológicos).

As portas de correr de vidro, resistente ao impacto, podem ser fechadas para proteger as salas e a varanda em caso de mau tempo. Do contrário, elas desaparecem ao ser embutidas nas paredes. Há um arranjo similar nos quartos, que tem persianas de ipê para proteção adicional.

Mesmo assim, Oppenheim é filosófico sobre o quanto pode ser feito para proteger uma casa na ilha. “Em uma incrível tempestade do tipo Arca de Noé, a casa poderia ir embora”, reconhece o arquiteto, que logo emenda: “Mas a casa vizinha está lá há 30 furacões”.

Tradutor: Erika Brandão e Melissa Brandão Gubel (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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