Jardinagem e paisagismo

Conheça as regras gerais para o cultivo de orquídeas em casa

Emma Lynch/BBC
Acredita-se que 10% das espécies estejam ameaçadas em seus habitats naturais imagem: Emma Lynch/BBC

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Atraentes e exóticas, as orquídeas ganharam fama e são consideradas indicadores de sofisticação e exclusividade. Essas fascinantes plantas pertencem à família Orchidaceae, subdivididas em mais de 1,8 mil gêneros, sendo que o número total de espécies oscila em torno de 35 mil.  Existem orquídeas das mais diferentes formas e tamanhos, desde plantas que chegam a quatro metros de altura até as muito pequenas, do tamanho de uma cabeça de alfinete. Além do cultivo comercial, bem intenso no Brasil, muitos apaixonados colecionam e se dedicam ao delicado vegetal em seus jardins, tornando-se orquidófilos.

Em termos de classificação por habitat, as orquídeas se subdividem em epífitas, que se utilizam de troncos de árvores para crescer (mas não sugam seus nutrientes), terrestres, rupícolas (que vivem sobre as rochas, fixadas nos líquens das fendas), e saprófitas, que se desenvolvem sobre material orgânico em decomposição. Em uma orquídea típica há sempre três sépalas: uma dorsal e duas laterais, que envolvem e protegem a flor em botão. Além disso, possuem três pétalas, sendo que uma delas é quase sempre maior e mais chamativa, denominada labelo, de onde sai o perfume destinado a atrair os polinizadores. Por fim, no centro da flor, encontra-se seu órgão reprodutor. 

O cultivo em geral não é complicado, mas é impossível estabelecer uma regra única e uniforme. Como podem nascer e florescer em qualquer parte do mundo e em diversas temperaturas, cada variedade tem necessidades pontuais. Ao montar seu jardim, essa amplitude biológica faz com que seja interessante possuir várias espécies, pois seus ciclos de floração costumam ser diferentes. Isso aumenta as chances de ter sempre algum exemplar florido.

Cultivos básicos

A maior parte das orquídeas pode ser plantada em vasos de barro ou plástico, porém os de barro são mais recomendados, pois facilitam o arejamento das raízes e eliminam com mais eficiência a água em excesso. Para montar um vaso, coloque uma camada de pedra no fundo, cerca de dois a três centímetros, a fim de permitir a rápida drenagem da água residual. Na sequência, complete com fibra de coco (ou similar) previamente lavada. Evite substratos que contenham muito pó, porque as raízes necessitam de arejamento.

Certas orquídeas progridem na horizontal (rizoma) e vão emitindo brotos sequenciais, outras são monopodiais, ou seja, crescem na vertical e devem ser plantadas no centro do vaso ou em cestos sem qualquer substrato. Há ainda orquídeas que dificilmente se adaptam dentro de vasos: nesses casos, o ideal é cultivá-las sobre tronco de árvores ou cascas de peroba, protegendo as raízes com um plástico até a sua adaptação. Sempre escolha plantas que se adaptem bem ao local de cultivo, pois estarão melhor aclimatadas com as temperaturas, ventilação e luminosidade do lugar.

Em geral,  as orquídeas precisam receber sol para se desenvolverem adequadamente, portanto instale suas plantas em locais onde elas possam ser banhadas pelo sol da manhã ou do fim de tarde. Se a planta não tomar sol, ela não florescerá. Cuide também para que o ambiente seja arejados, mas não submetido a ventos muito fortes. A rega depende do substrato, mas nunca encharque sua orquídea, é mais fácil matar uma orquídea por excesso do que por falta d’água. Simplificando, se uma orquídea está plantada em substrato com pó, a irrigação pode ser semanal, mas se o substrato for piaçaba (piaçava) ou casca de madeira, molhe a planta diariamente.

Com relação a adubação, podem ser utilizados os adubos foliares (líquidos) - que se encontram na seção de jardinagem de supermercados ou "garden centers" - e que devem ser adicionados (algumas gotas) à água com que será feita a vaporização através de pequenos pulverizadores. É importante molhar a parte inferior das folhas, pois é lá que se encontram os estômatos, que absorvem água e nutrientes. Pragas e doenças só aparecem com deficiências de cultivo e podem ser combatidas com caldas naturais ou catação manual.

* Fontes consultadas: Associação Orquidófila de São Paulo; Parque Zoobotânico do Orquidário Municipal de Santos e Denitiro Watanabe, orquidófilo.

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