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Restauro de casa tem piso de 300 anos e dedicação diária de até 18 horas

Randy Harris/ The New York Times
O restauro da casa de 1810, em Stockton, Nova Jersey (EUA), começou pela fachada imagem: Randy Harris/ The New York Times

Elaine Louie

Stockton, Nova Jersey (EUA)

John e Judy Hobday vivem no que poderia ser considerado quase um museu: uma casa de pedra datada de 1810 que eles meticulosamente restauraram ao seu estado (quase) original. O banheiro e a cozinha são equipados com aparelhos do século 21, mas fora isso, a maior parte da mobília e dos materiais da casa é do final do século 18 ou início do 19. Alguns são ainda mais velhos: o assoalho, por exemplo, não é o original, mas tem 300 anos e foi fixado com pregos antigos. As cadeiras Windsor e o guarda-louça austríaco também são antiguidades.

O surpreendente é o quão confortável tudo é. Os tetos, porém, são baixos – mal ultrapassam dois metros, na verdade – e as janelas, pequenas. Em uma recente manhã chuvosa havia tão pouca luz natural no andar inferior que as lâmpadas tiveram que ser ligadas. Contudo, nada disso parece importar quando você se aconchega na frente da lareira, no sofá Sheraton inglês, ou passa seu tempo sentado e lendo na poltrona americana Chippendale, ambos os quais mantiveram seus enchimentos de crina de cavalo e algodão, mas foram revestidos novamente com linho cor de aveia. E até mesmo as longas e estreitas cadeiras Windsor em redor da mesa da cozinha são convidativas.
Uma história de cumplicidade
 
Todavia, alcançar o equilíbrio entre autenticidade e conforto não foi fácil. Judy Hobday, designer de interiores, atualmente com 58 anos, cresceu em uma fazenda nas proximidades e há muito tempo admirava a casa. Então, desde o início adquiri-la e reformá-la foi seu projeto, ao qual ela jurou dedicar sua vida, se necessário. Mas o britânico John Hobday, de 75 anos, era um cúmplice disposto e igualmente apaixonado por moradas antigas.
 
O casal, que está junto há 27 anos, se conheceu em 1984 em um ponto de encontro local (outra construção antiga, naturalmente, esta datando do início do século 18, convertida em um restaurante chamado Sergeantsville Inn). Ela estava solteira e vivendo em uma velha “casa de carruagem” [NT: antigas construções que antes eram utilizadas para abrigar carruagens e atualmente são usadas para fins habitacionais, dentre outros] subindo a estrada, enquanto trabalhava como gerente de contas para a Aramis at Estée Lauder, em Manhattan. Ele estava separado de sua esposa e vivendo em uma residência do século 19 na vizinhança, embora também trabalhasse em Manhattan como executivo de uma empresa têxtil.
 
Quando a casa foi posta à venda em 1986, Judy a comprou por US$ 100 mil e começou a reformá-la, mas o projeto logo foi adiado. Dois anos depois, ela foi morar com John e algum tempo mais tarde o casal se mudou para Charlotte, na Carolina do Norte, vendendo a casa dele e alugando a dela.
 
Somente em 2009, quando John se aposentou, o casal retornou a Nova Jersey e a restauração foi levada a sério. Eles começaram com o exterior, se livrando de um pátio que foi adicionado no final dos século 19, rejuntando as pedras da construção e instalando um novo telhado e calhas de cobre. Na parte interna, a sala das caldeiras foi remodelada para a ampliação do primeiro andar e uma nova janela na sala de estar foi instalada, além de uma lareira que usou as pedras da propriedade e uma estrutura de 1790 como base. Judy e John também rebocaram as paredes originais, caiaram e pintaram as guarnições com o tom de cinza favorito dela, uma cor que Judy chama de “Earl Grey”.
Minúcias impecáveis
 
Este tipo de atenção aos detalhes não sai barato. A restauração, terminada no ano passado, custou US$1 milhão e os Hobdays tiveram que dedicar a ela muitas e longas jornadas, frequentemente trabalhando lado a lado durante 18 horas seguidas.
 
 “Nossos amigos dizem que nós estamos intimamente conectados”, afirma John, alegremente. “Funcionamos muito bem como casal. Podemos terminar as frases um do outro”. Ele continua:  “Vamos a antiquários juntos, cuidamos do jardim, cortamos nosso cabelo no mesmo local e na mesma hora”. Isso significa muito tempo juntos. Não fica cansativo às vezes? “Não, nós temos os mesmos interesses”, responde categoricamente e , como o próprio John coloca: “Somos extremamente entusiasmados pela casa”.

Tradutor: Erika Brandão e Melissa Brandão Gubel (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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