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Casa na costa da Califórnia é refúgio diário para família de construtores

Trevor Tondro/ The New York Times
Casa de concreto na Califórnia tem panos de vidro que permitem admirar a paisagem imagem: Trevor Tondro/ The New York Times

Sarah Amelar

The New York Times, em San Diego, Califórnia (EUA)

Quando Jonathan e Wendy Segal se mudaram para San Diego, o ano era 1984, ambos tinham 22 anos e eram recém-graduados pela Universidade de Idaho. Eles chegaram com apenas US$ 350, em um Rambler 1968 surrado, com uma das portas amarrada para se manter fechada. No entanto, enquanto dirigiam pelas ruas sinuosas da área abastada da cidade de La Jolla, olhando para as grandes casas com vista para o mar, Wendy declarou: “É isso, a nossa vizinhança dos sonhos!”

Viver na região costeira era apenas um sonho naquela época, então o casal se estabeleceu em um apartamento pequeno e localizado em uma parte menos romântica da cidade, distante cerca de 20 km da praia, e Jonathan se tornou estagiário de arquitetura, enquanto Wendy conseguiu emprego como recepcionista de uma incorporadora.
Vinte e oito anos se passaram antes que eles, finalmente, conseguissem morar na costa de La Jolla, a um quilômetro de distância da casa do ex-candidato à presidência norte-americana Mitt Romney. Os valores das propriedades (com preço médio que, atualmente, gira em torno de US$ 8,66 milhões ou cerca de US$ 14 mil por metro quadrado) por muito tempo os dissuadiu.
 
 Wendy se recorda que, há alguns anos,  ela e o marido compraram “o primeiro de uma série de lotes esquisitos” – terrenos vagos entre construções em áreas negligenciadas da cidade, que mais tarde começaram a dar retorno financeiro. Com Jonathan como designer chefe, a empresa da família, Jman, passou a construir prédios de apartamentos para locação com preços acessíveis e taxas de mercado, às vezes combinados com espaço para comércio. Wendy, o filho do casal, Matthew, de 27 anos, aprendiz de arquitetura, e sua filha, Brittany, de 25, atualmente ajudam a projetar os edifícios e a gerenciar as propriedades.
 
Como afirma Jonathan: “A forma como trabalhamos é nos portando como nossos próprios clientes, seja para o projeto, a construção, para encontrar inquilinos ou, eventualmente, para vender um edifício. Nosso negócio não tem intermediários nem aborrecimentos na coordenação, tem alta qualidade e é realizado de forma rápida a um custo muito menor”.
 
Casa beira-mar
 
O casal seguiu esta filosofia para construir a casa na costa de La Jolla, onde não é incomum que os compradores derrubem construções multimilionárias para abrir espaço para novas residências. Assim como para seus empreendimentos, a família Segal apostou em um raro pedaço de terra que nunca tinha abrigado obras: um lote de 510 m² composto por pedaços das propriedades adjacentes que foram agrupados pelo proprietário anterior. Eles o compraram por US$ 1,3 milhão e, nove meses depois, se mudaram para a morada de US$ 1,2 milhão, projetada por Jonathan e construída por seu filho, responsável pela obra.
A estrutura de vidro e concreto é inspirada nos penhascos íngremes do local, afirma o arquiteto, e o material foi escolhido pela capacidade de resistir ao sal e à areia. Além disso, “ao invés de sobrecarregar o terreno”, como Jonathan diz, quase metade da casa de 490 m² foi edificada – como os espaços da sala de TV e da adega – abaixo do nível do solo.
 
Jonathan também imaginou a casa como uma caixa retangular, na qual foi "esculpido" um grande espaço externo com dossel, um lugar para que as pessoas “gravitem”. No interior, o concreto aparente contrasta com o calor dos armários de nogueira, todavia, ecoando a textura da madeira, as paredes rústicas têm seus próprios veios: marcas deixadas pelas formas.
 
A família Segal continuou a viver na cobertura duplex de um de seus edifícios, no centro da cidade, depois que a nova casa ficou pronta, pois era para ela ser um refúgio de final de semana. Contudo, logo que Wendy começou a se questionar sobre a necessidade de duas casas, “alguém nos fez uma oferta irrecusável pela cobertura”, afirma Jonathan, e eles decidiram se mudar definitivamente para a área costeira. 
 
Dirigir os escritórios da Jman no centro da cidade, afirma Wendy, ainda dá a eles a “dose diária de energia urbana”, mas “estar aqui é tão calmante”, acrescenta, se referindo à bela casa onde vive. “Você ouve o oceano e os pássaros. É como uma dar uma ‘escapada’ de fim de semana todas as noites”.

Tradutor: Melissa Brandão Gubel (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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