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Horticultora se cansa de NY e cria refúgio em casa com jeito "caipira"

Jane Beiles/ The New York Times
Casa teve telhado modificado e ganhou jardim "selvagem" em área rural próxima a NY imagem: Jane Beiles/ The New York Times

Sandy Keenan

The New York Times, de Nova York (EUA)

Mesmo antes do furacão Sandy chegar de repente e acabar com 15 anos de seu trabalho na Battery Conservancy, onde era diretora de horticultura – encarregada do que imaginava ser o seu “telhado verde de nove hectares” – Sigrid Gray já havia decidido sair de Nova York.

Sua partida em nada teve a ver com as mudanças que estavam acontecendo na vizinhança de Williamsburg, Brooklyn, onde passou quase 25 anos morando em um espaço de arte industrial e gerenciando um prédio residencial de 1934 muito pouco cooperativo nas proximidades. Simplificando, Sigrid gastara sua energia urbana.

“Transformar Williamsburg me deixou maravilhada, mas naquele momento as coisas estavam ficando muito estranhas”, resume a horticultora. Naquela época, todos os seus instintos lhe diziam que era hora de seguir em frente e procurar “espaços abertos”. Assim, os requisitos para sua realocação foram peculiares e bastante específicos: terras que a desafiassem com árvores, vistas distantes e encostas excêntricas, mas que não necessitassem de amplos cuidados. E nada extremamente remoto.

Após uma série de viagens, ela encontrou o que estava procurando no distrito histórico de Kinderhook, uma vila de Hudson Valley fundada pelos holandeses no século 17. “Era uma pequena propriedade, mas tinha muitas possibilidades”, diz Sigrid sobre o terreno de quase 2 mil m² com uma casa de 140 m² que ela comprou por US$ 260 mil em 2012. “Eu sabia que poderia jardiná-lo por muito tempo”.

Atualmente, contudo, não há "jardim" para se ver. Na parte da frente Sigrid plantou um tipo de grama conhecido como festuca canadense que atinge o máximo de 20 cm e precisa de apenas duas podas por ano. Ao longo de uma das bordas laterais, uma cerca viva de salgueiros em um padrão intrincado está sendo formada e, atrás da casa, há uma grande placa de pedra esperando para ser esculpida como um bebedouro para pássaros. Metade da calçada está sendo arrancada de modo que mais de suas plantas favoritas – cerejeiras selvagens, musgo irlandês, Linum lewisii, raiz-forte e aspargos – possam criar raízes ao acaso.

E quanto à casa?

Para ela a casa, com estilo indeterminado e um pouco “vintage”, era algo a se pensar em um segundo momento. Pois, no início as vigas expostas que, misteriosamente, não estavam presas às paredes ou o fato de você poder enxergar o andar de baixo através dos vãos do assoalho, não incomodavam a moradora: seu plano era simplesmente enfeitar a cozinha com novos gabinetes.

Porém,  o arquiteto James Dixon, contratado por ela, continuava a fazer pequenas observações e sugestões úteis para mais alterações aqui e ali. Logo Sigrid passou a perceber o que ele via: uma casa que necessitava de uma identidade mais autêntica e de uma reforma completa.

Dixon e seu colega, Matthew Herzberg, pediram para que ela considerasse mudar o design do telhado de duas águas para um no estilo celeiro, a fim de dar mais presença à construção e ganhar cerca de 76 cm no apertado segundo andar. “É uma experiência incrível ter uma casa nova sendo construída ao seu redor. É quase como uma nova pele”, afirma Sigrid.

A transformação, que mais do que dobrou o custo do investimento inicial, foi concluída na primavera de 2013 e recebeu um prêmio da divisão local do Instituto Americano de Arquitetos. “Eles [os profissionais] fizeram uma coisa incrível: encontraram graciosidade na casa”, aponta a moradora, que, entretanto, observa  a verdadeira graça além de suas paredes, em seu jardim pouco convencional. Pela primeira vez em sua carreira como horticultora, Sigrid afirma: “Agora tenho o prazer de acordar no meio do meu jardim. Existem linhas de gotejamento temporizadas e eu posso realmente ouvi-las funcionando”.

Tradutor: Melissa Brandão Gubel (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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