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De olho na obra: conheça (e fuja) dos erros em construções e reformas

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A execução da obra deve ter o acompanhamento de um profissional habilitado imagem: Getty Images

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

Nas construções de residências podem ser encontrados problemas decorrentes de projetos mal elaborados, execuções sem o acompanhamento de profissionais adequados, aquisição de material de baixa qualidade ou com defeitos, entre outros. As reformas também tendem a trazer aborrecimentos, se não houver um bom planejamento e se soluções improvisadas acabarem sendo aplicadas.

Para você que quer construir ou reformar sem ter dores de cabeça, o UOL Casa e Decoração elenca os principais erros em construção e reforma e dá recomendações para evitá-los. Fique atento às dicas apontadas por especialistas da área e garanta a qualidade e o desempenho esperados para sua obra!

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A sondagem verifica o "suporte" dado pelo solo à construção imagem: Getty Images
Não fazer a sondagem adequada do terreno – A sondagem do terreno é essencial para que seja conhecida a capacidade de suporte do solo diante das cargas incidentes da estrutura da edificação a ser construída. Os danos mais conhecidos, que se originam pela falta deste procedimento, são o aparecimento de trincas (ou fissuras e até rachaduras) em paredes e nos pisos devido ao afundamento da superfície, o que ocasiona os chamados recalques da fundação, isto é, os movimentos de diferentes partes da estrutura. Nos casos onde apenas uma parcela da construção sofre rebaixa ou o afundamento é mais pronunciado em uma porção do que em outras há a geração de esforços estruturais não previstos: é o chamado recalque diferencial, que é mais grave e pode levar à ruína da obra. 

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Perigo!! Nunca derrube paredes sem avaliação técnica imagem: Getty Images
Remover paredes estruturais – A remoção de paredes estruturais é um erro gravíssimo, porque pode levar ao colapso parcial ou total da construção. Assim, qualquer alteração ou subtração de paredes deve ser cuidadosamente estudada por profissionais de engenharia civil e/ou arquitetura, sempre tendo como base o projeto original da edificação. Em caso de reformas, é necessário que um profissional habilitado faça um projeto para a obra, com devido laudo técnico recolhido.

 

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Construir um novo andar requer um projeto de reforço estrutural imagem: Getty Images
Aumentar a carga da estrutura em função de uma reforma sem estudo prévio – A ampliação (ou adição) de pavimentos em uma casa térrea, durante uma reforma, irá gerar a sobrecarga no sistema estrutural da edificação, o que pode ocasionar deformações e fissuras ou, em casos mais graves, acarretar a ruína da construção. Desta forma, quando existe a intenção de construir mais um pavimento em uma casa ou sobrado, o proprietário deve contratar um profissional (arquiteto e/ou engenheiro civil) para que uma avaliação técnica seja elaborada e, se necessário, um projeto específico de reforço dos elementos estruturais para sustentar o peso adicional a ser desenvolvido.

 

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O indicador de nível serve para verificar o declive do piso imagem: Getty Images
A má execução do caimento do piso – A declividade do piso é imprescindível para o perfeito escoamento da água, principalmente em áreas molhadas, como banheiros. Quando o caimento não existe ou é mal feito, o aparecimento de poças e/ou de infiltrações é comum e pode causar transtornos. Para evitar esse tipo de problema é essencial que o desenho do projeto indique a exata porcentagem da declividade e qual a orientação correta para a vazão. Além disso, após a execução da superfície, deve ser feita a devida verificação da eficiência do caimento, por meio de instrumentos simples, como o indicador de nível.

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As fissuras podem apontar a retração de argamassa ou até o recalque de fundação imagem: Getty Images
Não dar atenção às rachaduras, fissuras e trincas em pisos e paredes – A constatação de fendas, mesmo que sejam bem finas, em qualquer das superfícies, nunca deve ser negligenciada pelo morador, pois esses traços assinalam desde simples problemas às mais complexas patologias da edificação.

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Um dos principais fatores determinantes para o surgimento de rachaduras, fissuras e trincas é a falta de juntas de dilatação, em especial, quando pisos e paredes possuem grandes dimensões. Essas estruturas apresentam movimentações e deformações que podem ser causadas pelo processo de endurecimento do concreto e da argamassa, como também pela variação da temperatura ambiente. As juntas permitem que esses elementos possam se movimentar sem que ocorra um estado de fissuração, por isso, devem sempre ser previstas no projeto.

Outra causa possível para o aparecimento das fissuras são as infiltrações constantes que tendem a ocorrer ao longo do tempo, devido a vazamentos no sistema hidráulico ou impermeabilizações mal executadas e/ou envelhecidas. Por outro lado, a presença de rachaduras ou trincas em paredes e pisos também pode ser consequência de problemas na fundação. Isso acontece quando o alicerce da construção apresenta movimentações, chamadas de recalques de apoio, por terem sido mal projetadas ou mal executadas.

As soluções corretivas para essas marcas em pisos e paredes podem ir de simples reparos como a recomposição da região com a raspagem e preenchimento por massa elástica (a chamada amarração) à recuperação da fundação através, por exemplo, de calçamento da estrutura. Por isso, o recomendado é solicitar o parecer de um profissional para que identifique corretamente o problema e aponte a intervenção necessária.

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Uma impermeabilização mal feita pode acarretar problemas imagem: Getty Images
O uso de um tipo de tinta inadequado e/ou uma impermeabilização mal feita – Aplicar uma tinta imprópria para determinada superfície pode resultar em uma pintura com a textura diferente da esperada e, ao longo do tempo, no aparecimento de manchas e na variação de cor. Portanto, a recomendação é sempre observar e respeitar as indicações de uso para cada tinta.

A impermeabilização é uma fonte inesgotável de problemas para pisos e paredes em uma construção se mal executada: surgimentos de manchas e bolores, ferrugem e apodrecimentos de determinados materiais, descolamento de rebocos e eventuais danos ao sistema de fundação são alguns tópicos de uma extensa lista. No mercado, há diversos tipos de produtos impermeabilizantes, desde aqueles incorporados à argamassa para assentamento até os que são aplicados diretamente sobre as superfícies já construídas. No projeto é necessário que exista a indicação de qual tipo de impermeabilizante deve ser utilizado em cada caso.

A pintura não é feita exclusivamente para a beleza da obra, ela serve como agente preventivo da degradação das estruturas pela ação do tempo. Assim, para conservar as edificações estabeleça uma rotina de retoque ou repintura periódica e consulte a necessidade de reaplicações para os impermeabilizantes junto a engenheiros ou arquitetos.

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Invista em boas esquadrias para evitar infiltrações e mofo imagem: Getty Images
Empregar esquadrias de baixa qualidade – Infiltrações e consequentes manchas e bolores em paredes e pisos próximos às janelas e portas são prováveis problemas quando são instaladas esquadrias de má qualidade e/ou com vedação deficiente. Por isso, é importante pesquisar antes de adquirir os produtos e optar por aqueles que apresentem garantia da fabricante.

 

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É preciso adequar os circuitos elétricos aos novos aparelhos imagem: Getty Images
Não reformular ou adequar a instalação elétrica com o passar do tempo – Uma grande quantidade de equipamentos eletroeletrônicos vem sendo incorporados ao cotidiano das residências e esses itens alteram as cargas elétricas previstas pelo projeto do sistema de eletricidade. Desta forma, antes de ligar novos aparelhos, o ideal é conhecer os limites de carga (potência em watts) de cada circuito.

Um exemplo são os aparelhos elétricos de secar ou modelar cabelos. Os circuitos elétricos nem sempre comportam a alta potência desses dispositivos, o que provoca o desarme dos disjuntores. A forma de resolver o problema é fazer revisões periódicas das instalações elétricas, adequando-as à nova realidade da edificação e às necessidades dos moradores, e não dar espaço para gambiarras.

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Tubulações mal dimensionadas geram água com baixa pressão imagem: Getty Images
A pressão insuficiente da água nas torneiras e chuveiros – De modo geral, em edifícios, a ausência de pressão da água que sai da tubulação se deve a falhas no projeto do sistema predial de água fria e quente. Pois, o mau dimensionamento das tubulações e conexões origina a perda de carga, o que provoca uma saída de água nas torneiras e chuveiros sem a força adequada.

Por outro lado, nas casas, a planta deve prever o posicionamento correto da caixa d’água, que necessita estar a uma altura suficiente para compensar toda a subtração de pressão da água durante o trajeto nas tubulações. Tal dimensão depende do tipo de construção, por isso, o aconselhável é que haja um projeto hidráulico desenvolvido por profissional habilitado.

Fontes: Douglas Barreto, engenheiro civil e docente do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos); Jefferson Sidney Camacho, engenheiro civil e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Alvenaria Estrutural da Unesp (Universidade Estadual Paulista) – campus Ilha Solteira; e Sara Camacho, arquiteta.

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