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Plante romã, tenha fruta fresca e atraia a prosperidade durante todo o ano

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Romãs são saudáveis, "poderosas" e lindas! Plante e decore sua casa e sua mesa imagem: Getty Images

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

A romã (Punica granatum) é uma fruta originária do continente asiático, mas largamente cultivada no mediterrâneo oriental.  Prefere condições tropicais, ou seja, pleno sol, irrigação e solo fértil e não tolera sombreamento contínuo ou encharcamento. 

Como tem porte baixo, rápida frutificação, rusticidade e resistência a pragas e doenças, é presença comum em pomares domésticos, quintais e jardins. Também pode ser plantada em vasos como espécie ornamental, pois possui flores vistosas. Resumindo: a romã é uma espécie completa e, de quebra, está associada a ritos e simpatias para atrair a prosperidade no Ano Novo.
 
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A romã está associada a diversas culturas, como a européia na Idade Média, e religiões, como o judaísmo imagem: Getty Images
Plantando
 
Normalmente as mudas são produzidas a partir de sementes e, neste caso, os exemplares começam a produzir após um ano e meio. Já pela propagação através de enxerto ou por enraizamento de ramos, a frutificação é precoce e garante que as plantas filhas sejam muito semelhantes à matriz. No Brasil, a romãzeira pode ser plantada em qualquer época do ano. Para propagar as sementes, procure frutos graúdos, bem coloridos e maduros. Extraia as sementes, lave-as em água corrente e retire a polpa. Deixe secar sobre folhas de jornal à sombra e revolva-as periodicamente para não grudarem e secarem de maneira homogênea. 
 
Após cerca de dois dias, as unidades podem ser semeadas em saquinhos ou caixinhas de leite furadas na parte inferior e preenchidos com substrato e/ou solo. Coloque de duas a três sementes por recipiente a um centímetro de profundidade e regue diariamente. Quando as mudinhas atingirem a média de dez centímetros, faça a seleção das mais vigorosas e descarte as demais. O transplante (para solo ou vaso) deve ser feito quando as mudinhas atingirem de 30 a 50 cm, após quatro a seis meses da semeadura.
 
Porém,  se a opção for o plantio de mudas, procure viveiros idôneos que trabalhem com espécies frutíferas e possam dar referência sobre as qualidades da planta mãe, como tamanho dos frutos, coloração da casca e boa produtividade. Dê preferência por exemplares enxertados, que vão produzir mais rápido. Mesmo assim, cultive primeiro os brotos em recipientes menores, de um a três litros, e só depois de crescidinhos transplante-os para o local definitivo.
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A romã está associada a diversas culturas, como a européia na Idade Média, e religiões, como o judaísmo imagem: Getty Images
Para plantio definitivo no jardim, abra uma cova de 30 cm x 30 cm x 30 cm e, com a terra retirada, prepare misturas ricas em matéria orgânica em uma proporção de 3:1 (solo: matéria orgânica). Para enriquecer o solo use esterco curtido, húmus ou composto, além de substratos como casca de pinus. Por fim, acrescente 200 g de calcário e 200 g de adubo fosfatado (super fosfato simples). Alguns substratos prontos no mercado já possuem calcários e fósforo na composição, portanto, se tiver dúvidas, consulte um engenheiro agrônomo antes do plantio.
 

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Além de "trazer sorte", a romã faz bem à saúde e até ajuda a baixar a pressão arterial imagem: Getty Images
Cultivando

Para que a frutífera ganhe força, as adubações devem ser feitas quatro vezes ao ano, distribuindo bem sobre o solo 50 g da fórmula NPK 10-10-10 (nitrogênio, fósforo e potássio). Também é recomendável a adição de dois quilos de adubo orgânico ao ano. As regas diárias são regidas pela umidade do solo para evitar excessos (o vegetal não tolera encharcamento). A falta de água, porém, normalmente provoca a rachadura dos frutos quando atingem o estágio de início da maturação.
 
As podas servem para conformar a copa, principalmente dos exemplares em vasos.  O arredondamento é conseguido pela eliminação dos ramos muito longos. Após a colheita, a poda deve ser leve e excluir as ramagens extensas que já produziram, além dos galhos secos, a fim de manter a planta arejada. A romãzeira não é atacada por pragas severas, mas podem aparecer cochonilhas, pulgões e formigas, todas de fácil controle.
 
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As flores da romãzeira são muito delicadas e ornamentais imagem: Getty Images
Romã no vaso
 
Para plantar esse arbusto em vasos, quanto maior for o recipiente, melhor. Para escolher o tamanho considere que o suporte deve ter pelo menos dez centímetros de diâmetro a mais que o torrão da muda. Em geral, vasos de 40 a 60 litros são suficientes, desde que tenham drenos para escoamento de água e preenchimento por substrato drenado e enriquecido com matéria orgânica.
 
A romã gosta muito de luz, pelo menos de duas a quatro horas por dia, e a luminosidade intensa é indispensável para sua floração e frutificação abundantes. Pensando nisso, coloque o vaso em sacadas ou próximo a uma fonte de luz natural (como uma janela), em local arejado. 
 
A maioria das frutíferas pede água em abundância, mas se muita água escoar pelo dreno do vaso a terra está encharcada e isso não é bom sinal. No verão, irrigue três ou quatro vezes por semana e, no inverno, duas. 

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A romã está associada à prosperidade. Há inúmeras simpatias com o fruto imagem: Getty Images
Simpatia

A Romã está ligada à uma forte simbologia de fertilidade e abundância desde a antiguidade. Simpatias que envolvem a fruta são muito comuns nessa época do ano e uma das mais famosas ensina a brindar aos três reis magos para que o novo ciclo seja próspero. 
 
Com uma taça de champanhe na mão e uma romã aberta ao meio faça uma saudação ao mago Balthasar, beba um gole da bebida e chupe uma semente da fruta. Cuidadosamente deposite o caroço bem limpo sobre um pedaço de papel alumínio ou metalizado. Faça o mesmo para os outros dois magos (Melchior e Gaspar) e, em seguida, embrulhe o papel com as sementes limpas e guarde em sua carteira ou um lugar permaneça durante o ano todo, quieto e intocado. Na próxima passagem, a simpatia pode ser refeita, não sem antes enterrar o embrulho antigo no jardim.  Boa sorte!
 
Fontes: José Antonio Alberto da Silva, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e Patrícia Zambon, paisagista.
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