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Casal desenvolve projeto com fachada rendada que "demonstra" sentimento

Trevor Tondro/ The New York Times
No padrão "rendado" a explicitação do "amor" através da palavra em hebraico "Ahava" imagem: Trevor Tondro/ The New York Times

Steven Kurutz

The New York Times, em Los Angeles, Califórnia (EUA)

Quando as pessoas perguntam a Bob Hale sobre a casa que ele e sua esposa, Maxine Morris, construíram para sua família em Los Angeles (EUA), ele já tem uma resposta padrão: “Eu gosto de dizer que tenho uma casa envolvida em amor”, afirma Hale. Esta é uma afirmação tanto metafórica quanto, do ponto de vista do design, literal. Até mesmo o nome da casa, Beit Ha-Ahava (“Casa do Amor” em hebraico), passa tal mensagem.

Hale, sócio na firma de arquitetura Rios Clementi Hale Studios, e Morris, diretora financeira da RAND Corp., se conheceram em 2008. Naquela época, Hale, hoje com 59 anos, era um viúvo que ainda vivia na casa colonial espanhola onde ele e sua primeira esposa criaram seus dois filhos. Morris, atualmente com 52 anos, e ele viviam no mesmo bairro. O relacionamento progrediu e eles queriam morar juntos, mas achavam que a casa de nenhum dos dois estava adequada. Como arquiteto, Hale tinha muita vontade de projetar sua própria morada.
O casal encontrou um local por US$ 920 mil na metade do caminho entre suas casas, com uma residência dos anos 1940 em péssimas condições. Eles derrubaram a construção, parte por parte, doando os materiais para uma obra de caridade voltada para a edificação verde e ficaram com um lote inclinado com um grande recuo em relação à rua.
 
O desenho
 
Ambos gostavam de arquitetura moderna e debateram sobre uma obra com plano aberto e o menor número de paredes possível, linhas simples e aposentos confortáveis, mas não excessivamente grandes. O casal desejava um lugar eficiente em termos de consumo de energia e de fácil manutenção. Hale também queria construir uma suíte ao rés do chão, onde os filhos adultos de seu primeiro casamento poderiam ficar quando fossem visitá-lo. 
 
Além de todos esses predicados, adotados na construção, uma claraboia no centro da casa se abre, criando um ligeiro “exaustor” que permite que o ar quente escape no verão estimulando a circulação do ar. As paredes da frente e de trás foram estruturadas com vidro e se abrem completamente, de modo que o casal e seus convidados podem entrar e sair e aproveitar o clima ameno da Califórnia. “Alguns dos meus amigos arquitetos disseram que minha casa é a casa de um otimista – nós estamos abertos à comunidade”, diz Hale.
 
O amor e a técnica
 
Talvez, isto seja tudo o que pode objetivamente descrever a casa em estilo loft, com 460 m² que ele e Morris construíram por US$ 400, o metro quadrado. Contudo, o que empresta à morada o seu nome (Beit Ha-Ahava) é uma cobertura de painéis de alumínio “rendado” que envolve o segundo andar: letras hebraicas soletrando “ahava”, ou “amor”, foram cortadas por jatos d’água, nestas superfícies, em um padrão de repetição.
 
Foi uma ideia que resultou da colaboração e do compromisso: Hale experimentou o alumínio perfurado nos anos em que trabalhou no escritório de Frank Gehry, enquanto Morris, certa vez, viu uma luz de varanda na forma da letra hebraica “L”. Em vez de ter recortes que eram apenas “buracos sem graça”, Morris sugeriu o uso das letras hebraicas na composição dessa espécie de "brise": fica óbvio aos transeuntes que o projeto tem um significado, embora nem todos compreendam qual é.
 
“Para as pessoas que não conhecem o alfabeto hebraico, parecerá apenas um padrão. A coisa mais legal é que ao longo do dia ele cria sombras dentro da casa. E o luar entra pelo quarto, à noite, e chega ao nosso teto. E é tão legal quando você acorda e o vê”, resume Morris.
 
Feliz como está, vivendo com Morris em seu novo lar, Hale afirma - porém - que não tinha a intenção de que os painéis que envolvem a construção fosse uma propaganda para o mundo. “Eu não estava necessariamente esperando que todo mundo dissesse, ‘Oh, amor’. É um retorno a algumas coisas originais que aprendi no escritório de Gehry, mas com nova tecnologia. Para mim, era mais a criação de um padrão”.

Tradutor: Melissa Brandão Gubel (tradução) e Daiana Dalfito (edição)

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