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Kitsch: conheça os limites entre o "hype" e o cafona na decoração

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Anões de jardim são objetos clássicos da decoração kitsch: divertidos e 'descolados' imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

Não é possível ficar indiferente ao kitsch, estilo que tem como principal característica o exagero, a extravagância e o bom humor. Em oposição à estética “clean” e minimalista em que predominam cores neutras, móveis de linhas retas e poucos adornos, o kitsch é dramático, colorido, teatral ao misturar elementos decorativos diversos e aparentemente destoantes.

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A decoração kitsch se caracteriza por elementos destoantes e provocativos imagem: Getty Images
O termo “Kitsch” vem do alemão, está ligado ao verbo "verkitschen" e quer dizer: brega, sem valor e de mau gosto. Começou a ser usado na década de 1860 e, de forma corriqueira, é empregado nos estudos de estética a fim de designar objetos vulgares, baratos, sentimentais e que buscam reproduzir referências eruditas destinadas ao consumo de massa. Mas o kitsch, de tão rechaçado, acabou cultuado e atualmente define o que é "over", provocativo e ousado.

Odiado por muitos, o estilo é admirado por quem busca uma ambientação personalizada e alternativa, com a "cara do dono". O estilo, porém, requer cuidados por quem pretende aproveitá-lo. Afinal, a linha que distingue o “cool” e o descolado do que é cafona e brega é tênue.

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A decoração kitsch se caracteriza por elementos destoantes e provocativos imagem: Getty Images

Kitsch em alta - O princípio é criar um visual inusitado e harmonioso a partir de elementos que aparentemente não combinam entre si. Quando empregado com ‘sabedoria’, remete à atitude, à vanguarda e à nostalgia. "É um estilo bem pessoal, o retrato da nossa irreverência", define o designer de interiores Roberto Reis.

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O filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", de Jean-Pierre Jeunet (2001), tem elementos kitsch em sua cenografia imagem: Divulgação
De modo geral, o kitsch agrada quem curte a miscelânea de informações e gosta de colecionar objetos. É o oposto da simplicidade e da sobriedade. Os filmes de Pedro Almodóvar e de Jean-Pierre Jeunet (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), assim como as imagens surreais do fotógrafo David LaChapelle, são referências do emprego dessa vertente na arte contemporânea.

Na decoração, o kitsch pode ser aproveitado pelos 'garimpeiros' de objetos carregados de histórias e lembranças, afirmam os arquitetos André Largura e Giovana Limak, sócios do Studio Ambienta. Eles contam que, sempre que possível, introduzem algum elemento kitsch em seus projetos para adicionar um toque retrô e dotar de ‘alma’ os espaços.

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Fotos instantâneas e pinguins foram resgatados pelo kitsch imagem: Getty Images
Sem medo de cafonice - Além da liberdade para ousar, outra característica marcante do kitsch é a utilização de peças baratas, produzidas com materiais menos nobres (plástico, por exemplo), móveis de segunda mão, além de muitas cópias e reproduções.

Pinguins de geladeira (colocados não necessariamente sobre tais eletrodomésticos), anões de jardim, flores artificiais e suvenires de viagens são ícones do estilo. Da mesma forma são os vasos e jarros em formato de frutas, esculturas de animais, anjos e santos e os brinquedos velhos.

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Objetos podem ter história própria ou apenas "representar" imagem: Getty Images
Como compor? De modo geral, as peças são adquiridas em feiras de antiguidades, mercados de pulgas e brechós. Também podem ser herdados de família ou trazidos de viagens.

"O kitsch, quando bem dosado, torna-se ‘cult’ e descolado. A dica é não exagerar (muito) e misturar tudo com bom senso", ensina Limak. Uma regra que costuma funcionar é manter pisos e paredes em tons neutros e deixar que o estilo sobressaia em objetos decorativos e móveis de menores dimensões, como aparadores e mesinhas laterais cheias de 'rococós', ou seja, pelo excesso (e o abuso) de elementos decorativos.

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