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Limpeza a vapor é eficiente? Especialistas tiram suas dúvidas

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Limpar vidraças pode ser mais fácil com o uso de máquinas higienizadoras a vapor imagem: Getty Images

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

No mercado, existe uma variedade de máquinas a vapor comercializadas para a limpeza doméstica de azulejos, pisos, janelas, carpetes, cortinas e estofados. Contudo, a eficiência do vapor de água na higienização desses itens e, em especial, seu efeito antimicrobiano, dependeM de fatores como a temperatura atingida e o uso adequado do equipamento. Consultados pelo UOL Casa e Decoração, especialistas explicam como age o mecanismo desses aparelhos e apontam o quê avaliar antes da compra.

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Limpadores compactos tem pressão de vapor menos potente imagem: Getty Images
É eficiente na limpeza?

As máquinas de limpeza a vapor são vendidas com diferentes nomes comerciais como vaporizadores, higienizadores e limpadores. Porém, todos esses aparelhos agem a partir de um mecanismo básico: a ejeção de vapor em alta temperatura, resultante do aquecimento da água.

Para o diretor comercial da Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), Mauro Couto, esses equipamentos possuem a vantagem de higienizar as superfícies sem a adição de produtos químicos: “O elevado grau de calor do vapor de água consegue remover sujeiras difíceis como gorduras”, afirma.

No entanto, a eficácia da limpeza de sujeiras mais encrustadas, por exemplo, dos rejuntes de azulejos, está sujeita ao grau de pressão do vapor. E tal ‘detalhe’ requer atenção: “Uma máquina que emite vapor com maior pressão tende a ser mais eficiente”, diz o professor do curso em Tecnologia de Projetos Mecânicos da Faculdade Estadual de Tecnologia de Sorocaba (Fatec), Elvio Franco de Camargo Aranha.

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Limpadores compactos tem pressão de vapor menos potente imagem: Getty Images

Nos portáteis de pequeno porte, o  vapor atinge apenas um bar (unidade de pressão que equivale à força exercida de uma atmosfera ao nível do mar), ou seja, é como se a máquina menos potente “esfregasse” com a força de um quilo cada centímetro quadrado do local a ser limpo. Já os aparelhos dotados de válvula são capazes de manter a pressão alta (em três ou quatro bars), o que significa uma potência três ou quatro vezes mais vigorosa e, portanto, menos tempo de serviço.

Mata os microrganismos?

Com relação à eliminação de microrganismos, o pesquisador e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), Jorge Timenetsky, explica que a ação antimicrobiana do vapor de água varia conforme a temperatura e forma de aplicação. Assim, a destruição dos micróbios só ocorre se a superfície toda receber, por igual, a temperatura de 121°C por 15 a 20 minutos (mesmas condições apresentadas numa autoclave, aparelho usado em hospitais para esterilizar instrumentos). Pois, "apesar de existirem máquinas que geram vapor em temperatura maior que 100º C, os segundos de calor aplicados no ponto do jato não têm potencial para a esterilização”, alerta o pesquisador do ICB-USP.

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Apesar do consumo de água ser, muitas vezes, baixo, compare o gasto de eletricidade imagem: Getty Images
Consumo de água e energia elétrica

Apesar das fabricantes indicarem nas informações técnicas da máquina a potência em watts, o consumo de energia (kWh) e a capacidade de água no reservatório do aparelho, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), o Ipem (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo), a AES Eletropaulo e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) não têm dados ou estudos acerca do consumo de energia elétrica e de água desses equipamentos.

Particularmente sobre o uso da água, existem máquinas portáteis que têm capacidade no reservatório que não chega a um litro, por outro lado, existem aparelhos maiores que possuem uma caldeira capaz de receber volumes maiores desse líquido. Segundo dados da Abralimp, há limpadoras a vapor com capacidade para 4,6 litros de água e que produzem cerca de seis mil litros de vapor, o que seria suficiente para até cinco horas de funcionamento ininterruptos, ou seja, um gasto aproximado de 900 ml/h. Todavia, mesmo que esses aparelhos economizem água, os especialistas afirmam que, idealmente, devem ser usados de forma pontual e não como recursos para a faxina diária ou semanal da casa.

O que avaliar na hora da compra?

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    Pesquise e compare as especificações

    Antes de adquirir a máquina, observe e compare as propriedades de cada produto como: a temperatura e a pressão atingidas pelo vapor; a potência em watts; a capacidade de água no reservatório; o tempo de aquecimento da água e o consumo de energia elétrica. Também não deixe de checar em sites de reclamações e em órgãos de defesa do consumidor se há queixas sobre a fabricante ou modelo de aparelho.

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    Podem ser limpas com vapor de água?

    As informações técnicas do equipamento devem indicar os tipos de superfícies que podem ser higienizadas e o modo de aplicação correto. No entanto, se certifique que os produtos a serem limpos podem receber o vapor de água em alta temperatura, pois esse agente pode causar danos às fibras de tecidos delicados que compõem cortinas e estofados, por exemplo.

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    Procure pelo selo do Inmetro

    As máquinas de limpeza a vapor são regulamentadas pelo Inmetro através da portaria 371/2009 e devem cumprir requisitos de segurança, como possuir plugues e tomadas padronizados. Por isso, procure pelo selo de identificação de conformidade no produto ou na embalagem: ele comprova que o aparelho foi aprovado, demonstrando ser seguro contra choques, superaquecimento e curto-circuito, entre outros.

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Fonte: Fontes: Elvio Franco de Camargo Aranha, professor do curso em Tecnologia de Projetos Mecânicos da Faculdade Estadual de Tecnologia (Fatec) de Sorocaba (SP); Leonardo Rocha, chefe da Divisão de Regulamentação Técnica e Programas de Avaliação da Conformidade do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e Evandro Pinotti, CEO do grupo Resolve Franchising, detentor da marca da franquia de limpeza Dona Resolve.

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