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Sempre-vivas mantêm-se bonitas mesmo depois de colhidas; conheça

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Sempre-vivas precisam secar ao sol antes de serem usadas em arranjos duradouros imagem: Getty Images

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Não por acaso muitas espécies de flores do campo são chamadas de sempre-vivas. Com reduzidos botões multicoloridos ou somente formadas por hastes, essas espécies quando utilizadas secas perduram por tempo considerável, formando arranjos ou enfeitando objetos de decoração.  Apesar de sua delicadeza são muito resistentes: depois de cortado e seco por dois dias ao sol, o exemplar chega a durar até cinco anos com boa aparência, sendo recomendável a substituição após esse período. No entanto, existem buques que se mantêm em perfeito estado por décadas a fio.

O número de espécies no mundo atinge a cifra de cerca de 1.200, 800 delas só no Brasil, sendo 400 encontradas na região da Chapada Diamantina e Cadeia do Espinhaço, abrangendo Bahia e Minas Gerais. De acordo com Gelson Novaes, do projeto Sempre Vivas, essas flores tiveram o seu comércio impulsionado na Segunda Guerra Mundial, quando eram exportadas para serem enviadas junto aos corpos dos soldados devolvidos as suas famílias. Para manter seu aspecto natural quando secas, não são necessários tratamentos especiais, contudo, algumas espécies são pintadas com tintas específicas para mudarem de cor. 

Cultivo no jardim

Para manter as plantas no jardim, é preciso cultivar as mudas em covas com substrato composto por areia e matéria orgânica. Pode ser acrescentada vermiculita (mineral formado, essencialmente, por silicatos hidratados de alumínio e magnésio) ou gel para plantio, ambos com a finalidade de manter a umidade do solo. Nunca cultive as sempre-vivas diretamente em meio argiloso, pois a argila é danosa para as raízes e a planta não se desenvolve, morrendo sem florescer. Para que os exemplares cresçam vistosos, ofereça água sempre que o solo estiver seco e mantenha-os sob sol pleno.

Essas delicadas flores também são muito sensíveis à adubação e a formulação NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) é tóxica para elas. Para melhorar o desenvolvimento desses vegetais, basta aplicar um pouco de húmus curtido sobre a mistura arenosa. E, na hora do preparo do solo, é recomendável a adição de uma parte de esterco curtido para cada cinco de areia.

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Xerochrysum bracteatum, ou flor-de-palha, é uma das sempre-vivas mais conhecidas imagem: Getty Images
Cultivo em Vasos

As sempre-vivas vão bem em vasos, mas são plantas de sol e precisam de muitas horas de exposição diária para se desenvolverem bem. Também demandam de umidade constante, seja no vaso ou canteiro, assim, a dica é cultivar espécies em vasos que fiquem muito encharcados. Pratinhos com areia também ajudam a manter a umidade, mas evitam a proliferação de mosquitos.

Ameaçadas

No Brasil algumas variedades estão ameaçadas de extinção, exatamente pelo extrativismo e exportação. Hoje a extração é proibida e existem importantes unidades de conservação como o Parque Nacional das Sempre-Vivas, em Minas Gerais, além de parcerias para reprodução em laboratórios de espécies como a Comathera mucugensis (Giulietti), a sempre-viva de Mucugê, realizada pelo projeto Sempre-Viva, na cidade baiana.

Na região de Diamantina (MG), são produzidas mudas da pé-de-ouro (Comanthera elegans), da família Eriocaulaceae, e do capim-dourado (Syngonanhtus nitens), essa última na comunidade de Raiz, em Presidente Kubitschek (MG). Do gênero Paepalanthus são várias as espécies com nome popular de botão, botão-branco ou botão-casemiro, com formato de flor mais achatada, semelhante a um botão de camisa. Todavia, grande parte desses projetos não produz flores para secagem e, sim, plantas destinadas a ornamentação de jardins. As secas ainda são retiradas por meio do extrativismo irregular, exceção feita a pé-de-ouro, produzida na comunidade de Galheiros, em Minas. Dessa forma, antes de adquirir mudas ou espécimes secos, verifique a procedência e rejeite plantas não-legalizadas e extraídas irregularmente.

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