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Elimine o cheiro de esgoto da casa com manutenções e cuidados simples

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Mantenha em bom estado o sistema hidráulico da casa e evite o mau-cheiro imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

A casa pode estar impecavelmente limpa, mas se o cheiro de esgoto surge, o desconforto e a sensação de sujeira são imediatos. Invisível, o odor indesejável se torna sensível quando os gases presentes no esgoto retornam ao interior do imóvel. Isso acontece quando as instalações estão inadequadas, seja na cozinha, nos banheiros ou na lavanderia.

"Os erros variam desde um sifão mal vedado ou mal instalado até o dimensionamento incorreto das instalações, quando o sistema não suporta a vazão do esgoto gerado", afirma o engenheiro João Paulo Baggio.

Para evitar problemas, projete e execute as instalações de esgoto da sua casa conforme as determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 8160 (Sistemas prediais de esgoto sanitário - projeto e execução), que recomenda o uso de sifões, caixas sifonadas, caixas de gordura e ramais de ventilação. Conheça, a seguir, mais sobre esses componentes e evite o fedor em sua casa.

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O sifão evita que o mau-cheiro do esgoto se espalhe pela casa imagem: Getty Images
Sifão - Trata-se de um dispositivo instalado nas saídas dos tubos de escoamento de esgoto em pias e tanques. Sua geometria cria um acúmulo de água em seu interior, evitando que o mau cheiro retorne, é o chamado fecho hídrico . O bom funcionamento do sifão é fundamental para inibir odores indesejáveis nos ambientes.

Especialmente quando os modelos usados forem os articulados (nesse caso as saídas do esgoto e da válvula da cuba não são alinhadas), cheque se a instalação foi feita corretamente: a canopla deve estar alinhada, o equipamento ajustado entre as saídas da pia e da parede e não pode haver vazamentos em qualquer dos pontos do tubo. Também é importante verificar periodicamente se não há anéis ressecados, comprometendo a vedação. "O fecho hídrico deve estar sempre com água, pois é ela que impede a passagem dos gases", explica Graziella Aguiar, arquiteta.

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A caixa sifonada precisa ser limpa mensalmente imagem: Getty Images
Caixa sifonada - A caixa sifonada é um dispositivo que recebe o esgoto dos ralos e dos aparelhos sanitários. Detém várias entradas de um mesmo diâmetro e apenas uma saída dimensionada de acordo com a quantidade de vasos instalados. Dotado de fecho hídrico, o dispositivo dificulta a passagem dos gases da rede de escoamento de volta para a casa.

Em caso de odores desagradáveis, verifique o estado da caixa sifonada, que precisa ter fecho hídrico maior que 50 mm. Além disso, analise se não há material orgânico acumulado em seu interior. O recomendável é que uma limpeza periódica, com a retirada de resíduos, seja feita - ao menos - uma vez por mês.

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A caixa acumula a gordura e permite que ela seja retirada imagem: Divulgação/ Tigre
Caixa de gordura - Componente importante do sistema hidráulico de uma casa, tal caixa funciona como uma espécie de filtro de gordura e é instalada na saída de esgoto da cozinha. Esse item retém a gordura para que ela não escoe diretamente pelo encanamento, o que evita o entupimento dos canos. O dimensionamento deve ser planejado em função da necessidade de cada imóvel por um arquiteto ou engenheiro civil.

Se sua casa sofre com odores vindos do esgoto, vale uma inspeção na caixa de gordura: avalie se há trincas e quebras na tampa ou na estrutura do acessório. Se necessário, substitua a tampa ou a peça inteira. A limpeza semestral ou anual evita entupimentos. A gordura solidificada pode ser retirada manualmente (ou com auxílio de uma concha) e descartada no lixo orgânico.

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Essa parte do sistema recebe água com menos gordura imagem: Getty Images
Caixas de inspeção - De alvenaria ou PVC, esses tanques recebem o esgoto menos gorduroso da casa, proveniente de banheiros e da área de serviço, por exemplo. É a partir dessas caixas que se faz a manutenção da rede de coleta, idealmente, ao menos uma vez por ano. Para realiza-la, abra a tampa e observe se o fluxo de águas corre normalmente ou se há plantas e detritos que impedem a passagem. Em caso positivo, faça a coleta dos resíduos ou chame uma empresa especializada.

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O encaixe da base do vaso com o piso precisa ser rejuntado para evitar problemas imagem: Getty Images
Vedação do vaso- Uma causa comum de mau cheiro em residências é a vedação inadequada da saída do vaso sanitário. O espaço entre a bacia e o chão precisa ser preenchido com rejunte. Outro ponto crítico é a junta entre a saída do vaso e a tubulação de esgoto. Para evitar problemas, essa união deverá ser feita com anel de vedação em perfeito estado.

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O "respiro" dissipa o mau-cheiro e os gases "presos" no sistema imagem: Getty Images
Sistema de ventilação - Conhecido como ‘respiro’, o sistema é composto por tubulações instaladas no ramal de esgoto que sobem até um ponto logo acima do telhado. Os fedores bloqueados pelos sifões são eliminados através dessas aberturas, que possibilitam o direcionamento de gases e odores para fora da casa.

A ausência ou a inadequação do sistema de ventilação costumam espalhar o mau cheiro dentro da residência. Por isso, vale verificar se tal conjunto está bem dimensionado. O entupimento dos respiros tende a gerar cheiros ruins: um dos cuidados essenciais é que a saída no telhado não receba água da chuva.

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Opte sempre por materiais de qualidade, eles duram mais imagem: Getty Images
Material e instalação de qualidade- Para quem está construindo ou reformando a dica é: fique de olho na qualidade do material utilizado na instalação hidráulica. "A compra de material fora do padrão pode ser um causador do mau cheiro", diz o engenheiro Júlio Fonseca. Ele conta que é muito fácil encontrar no mercado caixas sifonadas com fecho hídrico menor que a altura de cinco centímetros solicitada pela norma técnica. Além disso, "toda instalação sanitária deve ser executada por mão de obra especializada e acompanhada por profissional capacitado [engenheiros ou arquitetos] , garantindo que o projeto desenvolvido seja bem feito e toda alteração comunicada ao responsável técnico", conclui Fonseca.

Fontes: Graziella Aguiar, arquiteta e consultora na Master House Manutenções e Reformas; Júlio Fonseca, diretor da Green Gold Engenharia Multidisciplinar; João Paulo Baggio, gerente de engenharia da construtora Baggio; Manual de Instalações Hidráulicas da Tigre.

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