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A gás, carvão ou eletricidade? Opte pela melhor churrasqueira para sua casa

Silvana Maria Rosso

Do UOL, em São Paulo

Ter uma churrasqueira não requer espaço amplo, nem especial, pois os equipamentos portáteis evoluíram e estão mais adaptáveis aos ambientes, além de fazer pouca sujeira ou fumaça. Eles podem ser instalados na varanda, no quintal e até na cozinha, desde que este seja um ambiente bem ventilado.

Porém, as boas churrasqueiras costumam ser as mais pesadas e feitas de materiais mais duráveis e robustos e, portanto, tendem a custar mais. "O preço e o peso dão, mais ou menos, uma noção da qualidade. Investir em um modelo mais encorpado e de boa procedência mais do que compensa", ensina o churrasqueiro István Wessel.

Atualmente, a maior parte dos “assadores” é estruturada em aço inox e tem fácil manutenção, enquanto a alimentação do aparelho pode ser feita com carvão, gás ou eletricidade. Porém, independentemente do combustível, “uma boa churrasqueira deve manter o calor produzido", como afirma Dino Lameira, técnico da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor). 

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Churrasqueiras a carvão são as preferidas entre os churrasqueiros e dão sabor à carne imagem: Getty Images
Tipos: a carvão ou a lenha

Esta churrasqueira requer "um ritual que torna o momento do churrasco algo especial e marcante", afirma Deumas Lourenço de Oliveira, professor de gastronomia do Senac Aclimação. Além disso, a “fumaça defuma a carne, o que faz o churrasco ficar muito bom", completa Wessel.

Maria José Rivera Czimermmann, diretora da Bella Telha, empresa especializada na instalação de churrasqueiras, indica o modelo como “o preferido por nove entre dez churrasqueiros”. Ela proporciona um bom braseiro e tem queima mais fácil e rápida do que a alimentada por lenha. Ambas, porém, costumam tem corpos de aço esmaltado ou cerâmica e grelhas bem pesadas: "Não há nada como o ferro fundido para grelhar carnes", ressalta Wessel.

Entre todos os sistemas o a carvão é o mais barato e bem durável, mas a desvantagem é que este tipo é o que mais produz fumaça, que pode ser apenas minimizada (e não evitada) pelo uso do carvão de boa qualidade, seco e em pedaços grandes.

Não há normas específicas de segurança para o uso dessas churrasqueiras. Mas segundo Wessel, muitas têm regulagem de circulação de ar, o que garante menores riscos durante a utilização, que deve ser feita sempre em varandas bem ventiladas ou áreas abertas.

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Modelos à gás tendem a ser mais ecológicos e vêm ganhando força no mercado imagem: Getty Images
A gás

Embora o carvão dê mais sabor ao churrasco, os modelos a gás são considerados mais ecológicos e vêm conquistando adeptos. E para sanar a falta da defumação, algumas variedades contam com pedras vulcânicas, que, dizem as fabricantes, garantem o sabor “do carvão”.

Um ponto a favor é o tempo de preparo pré-churrasco: os assadores a gás estão aptos a receber a carne em 15 minutos, ou seja, são 45 minutos mais ágeis que os movidos a carvão. Outra vantagem é a facilidade e a segurança do sistema de acendimento, por ser automático.

O fogo é administrado via queimadores, que requerem atenção, pois devem abastecer o churrasco com calor intenso. Segundo Wessel, se o equipamento é de qualidade, não é possível manter a mão a cinco centímetros da grelha por muito mais do que poucos segundos. Tenha atenção também ao peso dessas grelhas, que devem ser o mais alto possível.

Originalmente, as churrasqueiras a gás vem com entrada para GLP (em botijão). Porém, o uso do P13 (botijão tradicional) é proibido pela Instrução Técnica Nº 28/2004 do Corpo de Bombeiros, em edifícios na cidade de São Paulo. Assim, em locais onde essa ou proibições semelhantes vigoram, o equipamento deve ser adaptado para a alimentação por gás natural, que deve ser realizada pela fabricante da churrasqueira ou por uma empresa certificada e indicada pela marca.

Para seu adequado funcionamento, o aparelho demanda apenas de um ponto de gás e ventilação adequada (como em varandas gourmet e quintais). Ao adquirir o produto procure pelo selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). O órgão avalia a segurança dos queimadores e do dispositivo elétrico, assim, as unidades devem estar em conformidade com o código internacional IEC 60335-2-9, atendendo à portaria 371/2009.

Um requisito importante a ser verificado é a válvula reguladora de pressão do gás: ela deve estar sempre balanceada e em bom estado. No item é imprescindível que conste a gravação do código NBR 8473, certificado pelo Inmetro, ele garante a qualidade e a segurança do produto. Por fim, ao acender o queimador certifique-se sempre que a tampa da churrasqueira esteja aberta, pois o acúmulo de gás dentro do equipamento fechado é perigoso e pode causar explosões.

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Churrasqueiras elétricas são compactas e produzem menos fumaça que outros modelos imagem: Getty Images
Elétrica

Os modelos elétricos são práticos, pois exigem apenas um ponto de alimentação e dispensam a saída de ar (por quase não emitir fumaça), sendo indicados, assim, para apartamentos que não têm varandas gourmet. Porém, a “desvantagem” é que tanto neste tipo, como no a gás, "o churrasco se faz por si só, tirando do anfitrião o prazer de elaborar e conduzir o processo",  diz o professor de gastronomia Deumas Lourenço de Oliveira.

Aqui o calor é gerado por uma resistência inserida na grelha: "Ela tem que aquecer de maneira robusta. Quanto maior a potência, maior o calor e melhor o resultado", indica o especialista em churrasco, István Wessel.

Todavia, por ser um equipamento elétrico, alguns cuidados extras devem ser tomados para evitar choques e curtos-circuitos. Primeiro, confira se o produto apresenta o selo de identificação de conformidade do Inmetro quanto à segurança, no ato da compra. Há duas normas aplicáveis a essas churrasqueiras: ABNT IEC NM 60.335-1:2010 e IEC 60.335-2-78:2002 + Addendum 1:2008. Essas diretrizes estabelecem os requisitos mínimos de proteção contra os riscos elétricos, mecânicos, térmicos, de fogo e radiação para os aparelhos em operação padrão, segundo as instruções da fabricante.

Depois de certificar-se da boa procedência do produto, no dia a dia, “fique atento para que a resistência funcione apenas quando a grelha estiver conectada", alerta Dino Lameira, técnico da associação de consumidores Proteste. Esse simples cuidado evita incidentes sérios como queimaduras e pequenos incêndios.

Onde instalar?

Antes de começar a pensar no sabor do churrasco, pense onde a churrasqueira vai ficar. Se o local de instalação for um espaço gourmet ou a cozinha, lembre-se da setorização das áreas: a quente reúne os equipamentos de cocção e, portanto, abriga a churrasqueira. Na fria ficam geladeiras, freezers, adegas, chopeiras etc. e, na molhada, se localizam a pia, o filtro e as bancadas de preparo.

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Churrasqueiras elétricas são compactas e produzem menos fumaça que outros modelos imagem: Getty Images

"As áreas quentes e geladas devem estar o mais distantes possível para permitir o bom funcionamento dos equipamentos adotados", alerta a arquiteta Selma Tammaro. Porém é ideal que a churrasqueira fique próxima à bancada de preparo, para facilitar o processo de feitura dos alimentos.

Evite também expor a churrasqueira frontalmente às correntes de ar. "O vento é inimigo do churrasco", lembra Wessel. Vantagem dos modelos portáteis e móveis é a facilidade no deslocamento. Ou seja: se você errar o local do equipamento, consegue transportá-lo para outro ponto mais adequado.

Ao posicionar o equipamento observe sempre a regularidade da superfície de apoio, ela deve ser plana, para impedir que a churrasqueira balance e/ou tombe. Tenha cuidado também com os objetos deixados próximos a ela: afaste os inflamáveis sejam eles líquidos, sólidos ou gases. Observe e cuide para que crianças e animais domésticos não se aproximem do aparelho e nunca faça um churrasco em ambientes com ventilação deficiente ou nula.

Adeus fumaça!

Todos os modelos de churrasqueira fazem fumaça, mas as elétricas emitem pouquíssimo vapor se comparadas às demais. Porém, em áreas cobertas - fechadas ou não - a instalação de uma coifa é recomendada pela arquiteta Selma Tammaro, que avisa: "não use ventiladores para ajudar dissipar a fumaça, pois eles prejudicarão a sucção da coifa."

Para espaços que não possuem dutos de exaustão, chaminés ou coifas, prefira os modelos de churrasqueira que vêm com tampa (chamadas a bafo). Além de evitar que a fumaça se espalhe pelo ambiente, o fechamento distribui o calor por toda a carne, reduzindo o tempo do assado e evitando labaredas.

Manutenção

  • A carvão

    Para tirar o excesso de gordura da grelha, aproveite o calor do carvão. Feche a churrasqueira e aguarde por alguns minutos: o calor derreterá a gordura. Retire o carvão no dia seguinte ao churrasco (guarde as cinzas para abafar o fogo na próxima "churrascada"), deixe as grelhas de molho na água com detergente e só então limpe-as com uma escova. Mantenha as grelhas untadas, para evitar a ferrugem.

  • À gás

    Siga as instruções das fabricantes. Cubra as válvulas com papel alumínio e utilize água quente e detergente na manutenção. Remova também o depósito de gordura e lave-o. Retire as grelhas quando estiverem frias e deixe-as de molho na água quente, depois lave-as e unte com óleo as de ferro, para evitar que enferrugem.

  • Elétrica

    Retire o reservatório de gordura, conforme a instrução da fabricante, e descarte a sujeira. Lave-o com água quente e detergente. Remova as grelhas e lave-as, caso sejam fixas, apenas limpe com uma esponja macia. Atenção: nunca mergulhe a churrasqueira elétrica na água, para não danificar os componentes.

Fonte: István Wessel, churrasqueiro e especialista em carnes; Dino Lameira, técnico da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor); Maria José Rivera Czimermmann, diretora da Bella Telha; Deumas Lourenço de Oliveira, professor de gastronomia do Senac Aclimação.

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