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Saiba como planejar uma reforma e não surte ao morar na casa em obras

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Reformar a casa, sem deixar o imóvel, não é tarefa fácil. Por isso, planeje imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

O maquiador Ronaldo Escobar procurou fazer tudo certo quando reformou seu apê com 200 m², em São Paulo. "Como o apartamento era grande, achamos que seria tranquilo conviver com a obra", conta. Mesmo assim, a reforma deixou lembranças amargas: por uma série de imprevistos, a repaginação programada para durar seis meses, levou onze para ser concluída.

"Estar perto da obra ajudou a controlar o trabalho, mas os desgastes foram enormes. Ficamos todo esse tempo comendo fora de casa. Perdemos tapete, cadeiras e microondas no meio da bagunça e gastamos muito além do previsto", relembra Ronaldo. Para ele, porém, o maior desafio foi estabelecer uma boa comunicação com os pedreiros. "Pelo menos o apartamento ficou lindo", pondera.

Arquitetos, construtores, empreiteiros e quem já enfrentou uma obra em casa são unânimes: vai reformar, desocupe o imóvel enquanto o trabalho é realizado. Afinal, a sujeira, a bagunça e o barulho provocados pelo quebra-quebra causam transtornos, muitas vezes, inevitáveis.

Mas como nem sempre é possível hospedar-se em um flat ou na casa de amigos ou familiares, criamos um guia para que você possa conviver com o canteiro bem de perto, sem surtar. Comece adotando essas três diretrizes como uma "mantra": bom planejamento, mão de obra qualificada e paciência. E siga nossas dicas!

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Detalhe o projeto e planeje cada etapa da obra junto ao arquiteto e ao empreiteiro imagem: Getty Images
Projeto e planejamento - O principal motivo dos atrasos, estouros de custos e retrabalhos em reformas domésticas é a alteração do projeto. Por isso, é melhor gastar mais tempo estudando e analisando os itens a serem alterados, para que as decisões estejam mais maduras quando a obra começar. Planejar as etapas de execução também é importante, porque a reforma deverá ser feita por partes: "Um ambiente de cada vez e, por último, o mais usado", sugere a arquiteta Érica Salguero. E se na residência a mudança for geral e houver cômodos repetidos, como banheiros, comece por eles, mantendo apenas uma unidade em pleno funcionamento.

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Planeje suas finanças e tenha um orçamento realista, considerando imprevistos imagem: Getty Images
Olho nos custos - Seja realista: só um cenário é pior do que vivenciar uma obra problemática, é ter em casa uma reforma inacabada. Antes de começar o quebra-quebra, o ideal é planejar como cada etapa seja custeada. Assim, tenha em mãos um orçamento completo, incluindo os valores de mão de obra, materiais, revestimentos e todos os itens a serem alterados, mesmo que não-estruturais. Por fim, acrescente pelo menos 5% do montante ao cálculo final, para que eventuais imprevistos possam ser cobertos.

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O material deve ser organizado. Nada de amontoá-lo em um cantinho imagem: Getty Images
Planejamento logístico - Além de um projeto detalhado, uma reforma tranquila requer mão de obra previamente contratada e materiais comprados. Assim atrasos são evitados ou mesmo abolidos. Durante o trabalho, gerencie a chegada dos insumos: separe um espaço ou cômodo e transforme-o em almoxarifado. Sempre confira a entrega na hora, veja se nenhum item está faltando e nomeie-os com a localização em que serão utilizados (banheiro; cozinha; sala...) e mais especificamente, quando houver cômodos e elementos repetidos: “torneira – suíte casal”; “torneira – lavabo”, etc.. Mantenha, também, o chão forrado com papelão ou pallets, assim você preserva os materiais (da umidade, por exemplo) e não estraga o piso.

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Elétrica e hidráulica: mais pontos permite a variação da disposição dos cômodos imagem: Getty Images
Falhas corriqueiras - As partes de hidráulica e elétrica costumam ser penalizadas por falhas no planejamento. Assim, atente-se para detalhes nada estéticos, mas muito importantes, como a avaliação da quantidade e do posicionamento dos pontos elétricos e o calibre dos conduites para a passagem dos fios necessários, considerando as necessidades atuais e futuras. Nas casas mais antigas, questione o responsável pelo projeto sobre a troca de fios e tubulações, pois eles nem sempre suportam a exigência dos aparelhos mais modernos. Converse sobre mudanças nos eletrodomésticos também durante a obra, pois alguns, como uma geladeira com dispenser de água na porta, demandam pontos “extra” de água ou tomadas com amperagem específica.

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Essencial ao dia a dia, a cozinha deve ter a sua reforma bem organizada e ágil imagem: Getty Images
Áreas críticas – Mesmo em doses homeopáticas, as reformas não podem ser facilmente ignoradas, especialmente, quando é a vez da cozinha e/ou da lavanderia. Pontos críticos de qualquer obra, esses ambientes são difíceis de serem transferidos e adaptados em outros espaços da casa, portanto, prepare-se para alguns sacrifícios: improvise uma cozinha “de campanha” com geladeira, microondas e um kit de utensílios básicos (pratos, talheres, copos) na sala, mas não se esqueça de verificar se as tomadas são capazes de suportar tal aumento de carga. Procure fazer as refeições principais fora de casa ou use a cozinha da varanda ou a churrasqueira, caso haja, para cozinhar, se estritamente necessário.

No caso da área de serviço, tente mantê-la funcionando pelo maior tempo possível durante a reforma, para dispor de um espaço para concentrar os itens de limpeza. Quando chegar a vez dela, separe um conjunto básico de utensílios e use a máquina de lavar (desinfetando bem, depois), uma  torneira externa ou o lavatório do banheiro para higienizar os panos de limpeza.

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Armazenar os objetos e etiquetá-los: organiza o dia a dia e preserva os itens imagem: Getty Images
Organizando móveis e objetos - Um desafio para quem mora em um imóvel em reforma é guardar, com segurança, móveis e objetos. Embale com plástico-bolha ou lona, cubra os elementos mais volumosos com lençóis e, se possível, armazene tudo em um único cômodo ou posicione-os em um ponto onde serão pouco transportados e realocados. Itens pessoais e algumas mudas de roupa devem ficar à mão, enquanto a maior parte dos guardados pode ir para malas e caixas, caso os guarda-roupas sejam movidos ou desmontados.

Além de proteger os móveis e objetos da poeira e de arranhões, certifique-se de que cada item está estável e bem posicionado, para minimizar as quedas e os estragos por elas causados. Identifique os pacotes com adesivos, apontando o conteúdo das embalagens e o cômodo a que pertencem. Dados como “frágil”, “vidro” e “espelho” são muito úteis e alertam para que o cuidado seja redobrado.

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Limpeza é importante, mas não pire: a poeira vai estar lá imagem: Getty Images
Lidando com a sujeira - A sujeira aborrece, incomoda e pode ser melhor ou pior gerenciada. Mas é importante lembrar-se que ela é inerente à construção civil. "Obra faz bagunça sim e se os funcionários ficarem mais preocupados com a sujeira do que com o serviço, o trabalho irá atrasar", ressalta a arquiteta Denise Bernacki. Porém, a limpeza bruta e constante é necessária e permite maior produtividade aos trabalhadores. Assim, ao fazer a contratação do empreiteiro exija, em contrato, a limpeza diária do canteiro. Para facilitar o processo, deixe vassoura, pá e sacos de lixo à mão. Quando houver lixamento de gesso ou paredes, feche as portas dos cômodos e coloque panos úmidos na fresta para isolar das áreas que estão sendo trabalhadas.

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Não crie animosidades, um ambiente leve e o tratamento cordial faz o trabalho render imagem: Getty Images
Bom relacionamento - Quando o morador permanece na casa, a reforma costuma demorar um pouco mais. Por isso, para evitar dor de cabeça, vale investir em um bom relacionamento com o pessoal da obra e criar um ambiente agradável. Evite, por isso, cobranças constantes, deixe os funcionários trabalharem e, ao fim do dia, faça uma verificação geral.

Fontes: Aline Bernacki , Denise Bernacki, Eliane Mesquita, Érica Salguero, Marcelo Rosset e Mônica Vieira, arquitetos.

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