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Claraboia requer projeto e execução exatos para evitar infiltração e calor

Juliana Nakamura

Do UOL, em São paulo

Deixar a luz do sol entrar por meio de aberturas no teto traz benefícios para quem vive em casas ou apartamentos de cobertura. A economia de energia é um deles, assim como os ganhos ecológicos decorrentes do aproveitamento de uma fonte renovável. Também há vantagens relacionadas à salubridade do ambiente e ao fato de a iluminação natural ser mais confortável para o corpo humano.

Mas antes de correr para instalar claraboias, ‘sheds’ e lanternins, pense que a iluminação zenital (que vem do cume, do alto), quando mal dimensionada e projetada, oferece uma série de problemas. "As aberturas requerem cálculo correto da área a ser abrangida, conforme a localização geográfica (se no hemisfério sul ou norte) e a metragem total do ambiente de aplicação", afirma a arquiteta Flávia Bonet.

Tipologias diversas

"Aberturas no teto podem ser empregadas por razões estéticas ou quando a iluminação proporcionada pelas janelas é deficiente ou insuficiente", comenta o lighting designer Jefferson Garcia, que recomenda essa solução para ambientes profundos e espaçosos.

Em projetos residenciais, as aberturas mais comuns são as claraboias, seguidas por átrios, 'sheds' e lanternins. "Todos são interessantes e requerem cuidados, principalmente com relação ao local de implantação, que deve garantir condições para a realização de limpeza e manutenção", alerta a arquiteta Juliana Abbud. Ela ressalta que o acúmulo de sujeira sobre as faces translúcidas compromete sensivelmente a entrada de luz.

Arte UOL
imagem: Arte UOL
Claraboias- Estão entre as aberturas zenitais mais utilizadas em projetos residenciais, são capazes de iluminar até oito vezes mais do que uma janela de mesmo tamanho, são planas e podem ser construídas com estrutura metálica, policarbonato ou vidro laminado. Com um visual contemporâneo e leve, são indicadas para a iluminação de escadas, circulações e banheiros. Além da atenção em relação às questões térmicas, as claraboias demandam mais manutenção por seguirem a inclinação da cobertura.

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imagem: Arte UOL
Lanternins - Os lanternins são aberturas que sobressaem em relação à parte superior do telhado e possuem duas faces opostas e translúcidas. Muito usados em edifícios industriais, costumam ser abertos (ou permitir a abertura) para favorecer a ventilação e a renovação do ar. São indicados para ambientes quentes e com pé-direito alto.

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Átrio - Mais utilizados em grandes construções, como shoppings centers, os átrios são aberturas na cobertura que ocupam um espaço central na edificação. Bastante presente em construções históricas, foi muito usado como elemento condutor de luz para o centro dos edifícios. Pode (ou não) ser acompanhado de um domo (cobertura convexa).

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‘Sheds’ -Também conhecidos como dentes de serra, os ‘sheds’ são mais comuns em construções industriais, ao serem aplicados junto a coberturas metálicas. No Brasil, os projetos para este tipo de abertura tendem a ser mais eficazes quando voltados para o sul.

Controle do calor

Para evitar que o espaço se transforme em uma estufa, recomenda-se que a abertura não ultrapasse 10% da área do piso. Essa, contudo, é uma advertência genérica e deve ser mais bem investigada para cada projeto. Para amenizar o excesso de insolação, trabalhar a inclinação da abertura e utilizar películas que bloqueiem os raios UV sobre os vidros são soluções complementares eficientes.

A orientação da abertura (se para o norte ou para o sul) é determinante para a qualidade e a quantidade de luz natural absorvida. Em nosso país, a luz proveniente do norte costuma ser mais dinâmica e intensa, enquanto a luz incidente do sul é mais constante e, por isso, indicada para espaços que precisam de claridade sem ganhos térmicos consideráveis.

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imagem: Arte UOL

Questões estruturais

De forma geral, para instalar essas aberturas é necessário que o telhado já tenha sido projetado segundo tal intuito. De modo algum cortes em lajes de concreto devem ser feitos, exceto se houver um estudo estrutural para subsidiar essa intervenção.

Nos casos em que a cobertura é composta de madeira e telhas de barro ou fibrocimento, porém, criar uma abertura zenital é um pouco mais fácil. É possível, por exemplo, substituir algumas telhas por equivalentes transparentes de policarbonato ou de acrílico (mais leves) ou mesmo de vidro (mais nobre e durável). Esses recortes levarão a desejada luz natural para dentro, de forma barata e eficiente.

Um aspecto crítico em projetos com aberturas no teto é a estanqueidade (ou seja, o isolamento perfeito). A abertura precisa ser rigorosamente projetada e construída para evitar infiltrações. Com isso, a previsão de rufos e a aplicação de selantes à base de silicone, por exemplo, não devem ser negligenciadas.

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