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Ator projeta casa-sucata e chama atenção para revitalização do centro de SP

Giovanny Gerolla

Do UOL, em São Paulo

É sempre tempo de virar a mesa e para o ator e agora também designer Nico Puig, essa é uma ideia a ser interpretada literalmente. Depois de fazer mais de 150 comerciais para TV, apresentar o programa “Revistinha”, da TV Cultura, e estrelar produções da Rede Globo – a minissérie “Sex Appeal”, a novela “Olho no Olho” e a primeira temporada de “Malhação”, entre outros -, aos 42, ele também se dedica à decoração sustentável e ao reaproveitamento de materiais.

Nos últimos anos, Nico atuou em novelas da Record e do SBT, mas seu mais novo projeto está fora da TV:  é o grupo Opira Kaiowa (O.K.), que estuda possibilidades de reflorestamento para a cidade de São Paulo e a retomada da Mata Atlântica.

A primeira experiência do grupo se inicia este mês, na cobertura do apartamento do ator, em São Paulo, com o plantio das chamadas PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais. Esta é, aliás, a segunda etapa de um projeto que o levou a comprar o imóvel no centro da capital, apostando e investindo na revitalização do local.

Apê não-convencional

O projeto começou com um desafio: tornar o apê onde Nico viveria habitável, confortável e bonito, gastando muito pouco. Para tanto, o ator visitou depósitos, fábricas abandonadas, pontos comerciais desativados, lixões e antiquários e pechinchou cada centavo.

Na casa de Nico Puig, velhos pallets viraram decks, colchas de camas de casal forram sofás de segunda mão, armários suspensos de cozinha são usados no chão, como aparadores e uma máquina de costura, herdada de uma velha amiga, foi transformada no suporte para uma pia de cozinha.

Com criatividade e mão na massa, Nico tem imenso orgulho em mostrar sua casa, que é sua, porque foi idealizada e executada por ele, nos mínimos detalhes. O ator, porém, pediu ajuda de engenheiros civis, quando foi necessário fazer os cálculos e acertar os detalhes estruturais para que a residência fosse segura para ele e para o entorno.

“As intervenções em cada objeto são muito simples. A ideia é fazer pouco, para que o observador fique sempre com a sensação de que algo mais poderia ter sido feito. Assim, as peças não só decoram, mas instigam o poder transformador e a criatividade das pessoas. Sei que elas olham e imaginam como poderiam ter reaproveitado o mesmo móvel ou material de descarte”, define.

De dentro para fora

Como o apartamento era no último andar de um edifício residencial, Nico pediu e teve acesso à cobertura, que pôde ser inteiramente ocupada. Em parte do espaço, desenvolveu uma estrutura metálica muito leve, feita com perfis finos de aço e fechamentos em chapas recortadas a partir de contêineres reutilizados. Ali, além de área externa para lazer, dormitórios para hóspedes com banheiros e cozinhas privativos foram instalados.

A total transformação do apartamento do ator pode servir de exemplo de como a revitalização do Centro de São Paulo deveria começar, de dentro de casa, para fora. Nico propõe que, ao invés de apenas esperar políticas públicas que mudem a realidade desigual das cidades, o empenho em fazer uma pequena parte é essencial e possível. 

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