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Com casas construídas 'do zero', abre a Casa Cor SP; conheça os bastidores

Karine Serezuella

Do UOL, em São Paulo

Aberta ao público a partir de hoje (26) no Jockey Club da capital paulista, a Casa Cor São Paulo apresenta 76 espaços, entre eles, três casas construídas “do zero”, todos ambientados segundo o tema "brasilidade". Além de trazer as novidades da 29ª edição, o UOL Casa e Decoração acompanhou a produção da mostra de arquitetura, decoração e paisagismo e conta detalhes da organização e curiosas histórias de bastidores. Veja!

O ‘morar’ brasileiro

Junior Lago/ UOL
No Lounge Vintage, o arquiteto Antonio Ferreira Junior ajeita a composição de quadros na parede, junto à poltrona de Jorge Zalszupin dos anos 60 imagem: Junior Lago/ UOL

O comitê curador da mostra – formado pela nova presidente da Casa Cor, Lívia Pedreira; o arquiteto e diretor de conteúdo e relacionamento da Ed. Abril, Pedro Ariel Santana; a arquiteta Cristina Ferraz e o consultor Roberto Dimbério – definiu como diretriz para essa edição a brasilidade que, segundo Pedreira, se expressa menos pelos chavões e mais pelo “jeito de morar do brasileiro”: hospitaleiro, caloroso e que adora "casa cheia". Por isso, as casas e apartamentos em exposição priorizam as áreas de convívio como salas e/ou cozinhas integradas.

O tema “O Brasil visto de dentro” está também no uso massivo do design nacional. Nas decorações há peças de nomes consagrados como Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e os irmãos Campana, mas também existe espaço para os novos nomes criativos, como Paulo Alves e Ovo. Porém, o elemento que mais se repete nos ambientes é o mobiliário baseado em madeiras "de resgate", toras, raízes e galhos descartados que passam a apoiar e dar forma a mesas, cadeiras e aparadores.

A arte brasileira também pode ser vista nas esculturas, pinturas e gravuras de artistas como Adriana Varejão, Sérvulo Esmeraldo, Amilcar de Castro e Vik Muniz. “Era comum aguardar na Casa Cor as novidades do Salão de Milão, mas neste ano conseguimos mesclar as peças italianas com o nosso design e dar um panorama da nossa produção”, explica Pedreira.

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Assinada por Benedito e Felipe Abbud, a calçada da 29ª edição da Casa Cor SP é um espaço de convívio e descanso imagem: Divulgação

Nova entrada

A Casa Cor São Paulo começa esse ano pela calçada. “A ideia era mostrar que ‘o morar’ vai além da nossa casa e que a calçada pode ser um espaço de convivência”, diz Pedreira. Com projeto de Benedito e Felipe Abbud, o primeiro ambiente da mostra, intitulado “Se essa rua fosse minha...”, tem soluções que facilitam a drenagem e o uso consciente da água, além de bancos ao longo dos 100 m do passeio repaginado que leva à nova entrada da mostra, agora feita pelo bosque do Jockey Club, revitalizado pelo paisagista Gilberto Elkis.

A toque de caixa

A uma semana da abertura da mostra, o Jockey Club se assemelhava a um canteiro de obras. Uma casa ainda sendo construída, um grafiteiro iniciando sua obra na entrada de um ambiente, móveis sendo descarregados dos caminhões, pedreiros reformando um espaço enquanto a arquiteta do espaço ao lado tenta desembalar suas peças em meio à poeira de construção.

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A Casa do Bosque, de David Bastos, em construção a uma semana do início da mostra imagem: Junior Lago/ UOL

Parece que não vai dar tempo, mas os mais de 1.600 profissionais, entre eles, pedreiros, assentadores de piso, eletricistas, marceneiros e jardineiros trabalham horas a fio e, de um dia para o outro (literalmente!), os ambientes estão montados e decorados. “Todo ano parecia que não ia ficar pronta, mas ficava e o detalhe que não era concluído até a abertura, não era percebido pelo público”, conta Ângelo Derenze, presidente da Casa Cor por sete anos e atual diretor geral do D&D Shopping.

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Artesão do Nepal confecciona tapete com quase oito metros de comprimento para o espaço Brasil de Pau a Pique imagem: Divulgação

Atrasos e atritos

No meio da construção, diz-se que toda obra tem algum percalço a ser superado e na Casa Cor São Paulo não é diferente. No espaço do arquiteto David Bastos, meandros da burocracia atrasaram a retirada de uma árvore condenada, situação que fez com que a construção da Casa do Bosque ficasse parada por alguns dias. Conclusão: a obra foi finalizada a menos de uma semana para a abertura.

A demora na entrega de dois tapetes feitos por artesãos do Nepal também causou certa tensão à equipe do arquiteto Roberto Migotto do espaço Brasil de Pau a Pique. Por conta dos terremotos que atingiram o país asiático em abril desse ano, a confecção da tapeçaria atrasou e a fez chegar ao Brasil apenas poucos dias antes do início da mostra.

Ainda sobre prazos e atrasos, Derenze relembra o episódio em uma edição, há cerca de cinco anos, quando uma greve nos portos impediu a chegada de móveis que vinham de Milão. Naquele ano, todas as peças tiveram que ser substituídas às pressas.

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Artesão do Nepal confecciona tapete com quase oito metros de comprimento para o espaço Brasil de Pau a Pique imagem: Divulgação

Além dos problemas de logística, a diretora de relacionamento da Casa Cor, Cristina Ferraz, desde 1999 na mostra, conta que algumas questões são recorrentes, como a disputa entre arquitetos por alguns centímetros. A vaidade vez por outra bate e, como lembra Derenze, há casos de mudanças totais "como uma vez em que um profissional espiou o espaço do outro e resolveu, de última hora, mudar todo seu ambiente".

Em 2008, a coluna da jornalista Mônica Bérgamo, contava a história de um entrevero que teria ocorrido entre duas arquitetas por causa de um muro (construído, demolido e reconstruído). Durante o episódio, um segurança teria, inclusive, sido ofendido: um caso de racismo. Na época, a Casa Cor se posicionou, mas nenhuma das partes envolvidas admitiu a ofensa. O caso acabou esquecido.

Como funciona a mostra?

  • Sob nova direção

    Uma das empresas do grupo Abril, a franquia Casa Cor a partir desse ano passa a ser umas das marcas da unidade de negócios em arquitetura e design da Editora e pela primeira vez, é liderada por Lívia Pedreira, jornalista e diretora superintendente do núcleo.

  • A escolha dos profissionais

    O comitê curador é responsável pela definição dos participantes da mostra que são escolhidos entre os que estiveram na edição anterior, os arquitetos e designers de renome (e que surgem como 'promessas') e aqueles que nunca participaram e podem "se candidatar". Deliberados os nomes, os profissionais são convidados pela organização.

  • Os estreantes na mostra

    Nessa edição, o comitê curador reservou 10% dos ambientes da Casa Cor para os estreantes. Os jovens talentos que nunca participaram do evento precisam ter mais de três anos com escritório próprio e demonstrar interesse através do envio de portfólios. A curadoria avaliou o material e definiu os novatos para a edição.

  • Os profissionais de outros estados

    Pela primeira vez, arquitetos e designers de outros estados participam da mostra paulistana. A proposta era apresentar o olhar sobre a brasilidade em todo canto do Brasil. O mineiro Pedro Lázaro, o goiano Leo Romano e o alagoano Osvaldo Tenório são alguns nomes "de fora".

  • O patrocínio de fornecedores

    Ao aceitar o convite, os profissionais precisam arcar com todas as despesas para a montagem e manutenção do espaço na mostra. Para isso, eles contam com a parceria dos fornecedores. Por outro lado, a Casa Cor tem seus patrocinadores exclusivos que devem ser obrigatoriamente utilizados por todos os participantes.

Serviço - Casa Cor São Paulo

Quando? De 26 de maio a 12 de julho de 2015 (de terça a sábado, das 12h às 21h30 e aos domingos e feriados, das 12h às 20h)
Onde? No Jockey Club de São Paulo (Avenida Lineu de Paula Machado, 875 – Cidade Jardim)
Quanto? Durante a semana: R$ 48 (inteira) e R$ 24 (meia-entrada). Aos finais de semana: R$ 60 Inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Passaporte: R$ 130 (não existe meia para passaporte).
Outras informações: www.casacor.com.br

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