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Como escolher, comprar e dar manutenção no colchão ideal? Veja dicas

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Teste o colchão na hora da compra e se o leito for compartilhado, prefira os de mola imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Do UOL, em São Paulo

Uma cama confortável, com um colchão que se adapte ao corpo, é fundamental para quem busca uma noite de sono com qualidade e quer passar longe das dores na coluna e no pescoço. Só que comprar um colchão apropriado nem sempre é uma tarefa fácil. Primeiro, porque esta é uma escolha muito pessoal. Ou seja, aquele modelo tecnológico e caro pode ser ótimo para mim, mas não necessariamente parecerá confortável para você (ou vice-versa). Além disso, a gama de produtos disponíveis com tecnologias, materiais e preços bastante distintos é enorme.

Firme ou macio?

Começando pelo básico, pense: firme ou macio? Esse é o critério “nº 1” a ser considerado pelo consumidor no momento da compra. Um erro comum é adquirir um colchão mais duro, esperando que ele ofereça maior suporte para a coluna e, consequentemente, seja mais confortável.

“A crença de que colchões mais duros são melhores para quem tem problemas de coluna não é verdadeira. A coluna deve ter a mesma ‘aparência’ quando se está deitado ou quando se está em pé. Então, o melhor colchão é aquele que se adapta à curvatura natural da coluna”, recomenda a fisioterapeuta Isabela Laynes. Idealmente, o colchão ‘perfeito’ deve afundar um pouco com o peso do corpo, principalmente na região dos quadris e dos ombros, permitindo que a pessoa deite de lado e consiga manter a coluna reta.

Espuma

A escolha de um colchão de espuma deve se pautar na relação entre peso do usuário e densidade do material de enchimento: uma pessoa que pese de 60 a 70 quilos e tenha até 1,8 de altura, por exemplo, deve escolher um modelo com densidade D 26 ou 28. Já para crianças a densidade recomendada é 23.

Disponíveis em diferentes versões, das mais simples às mais sofisticadas, os colchões de espuma são, em geral, vendidos a preços mais acessíveis que os equivalentes de molas. Eles também costumam ser mais leves e fáceis de manejar (para serem virados, por exemplo).

Em contrapartida, são menos duráveis – têm vida útil média de cinco anos – e podem acumular fungos, bactérias e ácaros que provocam doenças alérgicas (como alergias e rinite), especialmente quando a espuma não recebe tratamento específico (antifúngico, antibacteriano e antimofo).

Molas

Nos colchões de mola, a resistência é proporcional ao peso da pessoa que se deita. Quanto mais peso é colocado sobre as molas, mais elas trabalham para oferecer um suporte que estabilize o corpo de maneira confortável. A qualidade e a durabilidade desse tipo dependem fundamentalmente da qualidade do mecanismo, geralmente de aço. 

O colchão pode ter molas entrelaçadas ou ensacadas individualmente. O primeiro tipo é adequado para camas de solteiro. Para quem tem companhia na hora de dormir, o melhor é recorrer a um colchão com molas ensacadas, que se mantém estável nas regiões onde não há pressão.

Colchões ortopédicos e alternativos

Menos procurados, os colchões ortopédicos podem ser fabricados em espuma de alta densidade ou com molas reforçadas. São mais duros e duráveis que os comuns. O principal diferencial desse tipo de produto é a presença de uma caixa de madeira no meio do colchão, revestida com camada de espuma de três a oito centímetros.

Para quem quer mais do que conforto, um colchão magnético com propriedades terapêuticas pode ser a opção. Segundo as fabricantes, esses modelos, que podem ser de molas ou viscoelástico, são capazes de combater as dores localizadas e aliviar o cansaço muscular graças aos imãs distribuídos pela peça. Porém, os preços são bem altos, variando de R$ 3.500 a R$ 50 mil e, apesar do magnetismo ser usado há anos no tratamento alternativo de doenças, não há estudos conclusivos sobre a eficácia dos colchões.

Novos materiais

Nos últimos anos, novidades surgiram prometendo maior conforto e ergonomia aos seus usuários. Esse é o caso do colchão de viscoelástico, espuma desenvolvida pela NASA (agência espacial norte-americana) que tem como principal característica a resiliência (capacidade de retornar ao formato original, sem deformações).

Macio e indicado para alérgicos, o viscoelástico adapta-se ao formato do corpo. Em compensação sua maciez excessiva pode exigir que a pessoa faça mais força para mudar de posição durante o sono, o que pode impactar na qualidade do descanso. Além disso, o viscoelástico retém calor, um incômodo em regiões muito quentes. Uma solução encontrada por algumas empresas fabricantes para neutralizar essa característica foi introduzir uma camada externa com micropartículas de gel, que ajudam a deixar a temperatura da superfície mais agradável.

O látex, matéria-prima que também proporciona elasticidade, é outra novidade no mundo dos colchões. Ele ajusta-se ao corpo do usuário e é resistente ao acúmulo de poeira e umidade. Os modelos desse material são indicados para quem transpira em excesso e a durabilidade é convidativa: até dez anos de vida útil.

Test drive

Se você não sabe se prefere um colchão mais duro ou mais fofo, de espuma ou de mola, aproveite a visita à loja para testar vários modelos. Todavia, mesmo que você tenha uma preferência, deite-se por no mínimo cinco minutos na posição em que costuma dormir. Se após esse tempo sentir algum desconforto, este não é o colchão adequado para você.

Para os casais, a dica é: priorize colchões de molas ensacadas ou mesmo os bipartidos. Nesses modelos, quando uma das pessoas se mexe, a outra não sente. Caso a preferência seja por um modelo de espuma, a orientação é optar por uma variedade com densidade compatível com o peso e a altura do cônjuge maior.

Dicas gerais de manutenção

  • Sem plástico

    Jamais coloque o colchão em uso com o plástico da embalagem.

  • Xô "bicharada"

    Escove, aspire e ventile o colchão periodicamente. Isso evita a proliferação de ácaros e outros micro-organismos.

  • Vira-vira

    As fabricantes recomendam a inversão do colchão periodicamente para sua melhor conservação. Confira as orientações na etiqueta do produto.

  • Corpo novo, colchão novo

    Fique atento a mudanças no estilo de vida e de biótipo. Se você ganhou ou perdeu muito peso, poderá precisar de um colchão novo.

  • Substitua

    De modo geral, o aconselhável é trocar o colchão a cada cinco ou sete anos, dependendo do uso, da qualidade e da tecnologia nele empregados. Verifique no certificado de garantia o tempo de utilização recomendado.

Fontes: Caio Gonçalves de Souza, médico ortopedista do Hospital das Clínicas de São Paulo; Isabela Laynes, fisioterapeuta do Centro de Qualidade de Vida (CQV); INER - Instituto Nacional de Estudos do Repouso; Inmetro; catálogo de fabricantes.

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