Casa e decoração

Maçãs são lindas, saborosas e vão bem em vasos; cultive em casa

Simone Sayegh

Do UOL, em São Paulo

Macieiras não são fáceis de cultivar e exigem dose extra de paciência e cuidado. E, se você quiser comer maçãs do seu quintal, ainda vai precisar de espaço para duas mudas e esperar entre dois e três anos para que os frutos vinguem, isso se os ramos forem adequadamente conduzidos. Mas, o resultado vale a pena: fruto suculento e fresquinho, direto do pé.

Para enfrentar a saga e ter essa bela árvore perene em casa, comece comprando exemplares em um viveiro idôneo e esqueça as sementes: devido à chamada segregação genética, plantas obtidas a partir de sementes serão diferentes das frutas que as forneceram.

Pertencentes ao gênero Malus, as macieiras mais comercializadas e consumidas são as Malus domestica Borkh. No Brasil são exploradas maciçamente os cultivares Gala e Fuji, que necessitam de frio. A época de plantio depende do tipo de muda: as de raízes nuas devem ser plantadas no período de dormência das plantas, ou seja, no inverno. As comercializadas em sacolas plásticas podem ser plantadas no período das chuvas.

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Macieiras são difíceis de cultivar, mas se bem cuidadas, recompensam com belos frutos imagem: Getty Images
Além disso, você vai precisar de, no mínimo, duas variedades distintas para começar o cultivo. Isso porque a maçã é uma planta alógama, ou seja, para produzir precisa que o pólen seja trazido pelas abelhas de outra variedade polinizadora e também produtora da fruta.

Em vaso dá?

É possível cultivar macieiras em vasos, mas como para outras frutíferas, a restrição do volume de solo terá impactos no tamanho e na qualidade dos frutos. Vasos de no mínimo 80 cm x 80 cm são os mais adequados, pois o sistema radicular da planta precisa de bastante espaço para se desenvolver.

Via de regra, os solos devem ser arejados, férteis, profundos e bem drenados. Nos vasos, vale o truque das camadas: a primeira, de base, composta de argila expandida, seguida de manta geotêxtil, areia e terra.

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Há variedades de macieiras ornamentais, com frutos menores e não consumíveis imagem: Getty Images
Adubação e rega

Tanto no jardim como em vasos, a terra pode ser adubada com formulações que forneçam nitrogênio, fósforo e potássio e, também, com compostos orgânicos. A adubação foliar tem resposta mais rápida, mas apenas complementa ou suplementa a adubação feita via solo. Formulações prontas são facilmente encontradas em lojas especializadas.

As regas devem ser diárias nas duas primeiras semanas após o plantio. Depois, dependerão do clima e do grau de umidade do solo. Uma boa maneira de certificar-se sobre a necessidade de água é enfiar o dedo na terra: se ela grudar e estiver úmida, nada de irrigar. O excesso pode apodrecer as raízes.

Poda é essencial

Em fruticultura, a poda é essencial. A de formação distribui melhor os ramos em busca da absorção mais eficaz da luz solar. A de frutificação, realizada no inverno, garante a renovação da ramagem. Em regiões mais quentes, também se faz a poda verde, que consiste na eliminação do excesso de galhos, principalmente no interior da copa. Ela deve ser realizada entre o final de dezembro e o início da segunda quinzena de janeiro.  

Além de podada, a macieira precisa ser conduzida: como a árvore tende a crescer verticalmente, o que dificulta a frutificação, o exemplar deve ser conduzido na horizontal, uma das maneiras é arquear os ramos centrais em um ângulo de 90 graus. E se sua macieira está dando muitos frutos, o excesso deve ser retirado para garantir melhor distribuição dos nutrientes para os exemplares que sobrarem. Essa é a garantia de mais doçura.

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Há variedades de macieiras ornamentais, com frutos menores e não consumíveis imagem: Getty Images

Pragas e doenças

As macieiras são danificadas por inúmeros agentes biológicos, mas a principal doença é a sarna da macieira (Venturia inaequalis), que deve ser combatida com a utilização de produtos químicos específicos. Para dosar adequadamente, cheque a indicação com engenheiros agrônomos. Em relação às pragas, danos ocasionados por mariposas-orientais (Grapholita molesta), moscas-das-frutas (Anastrepha fraterculus), cochonilhas, pulgões e ácaros são bastante comuns. Receitas caseiras ajudam a combater os causadores de forma bastante eficaz.

Fontes: Dr. Clandio Medeiros da Silva, agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar); Dr. José Emilio Bettiol Neto, engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; e Rodrigo Monteiro, agrônomo e pesquisador da Transferência de Tecnologia na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Uva e Vinho.

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