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Tratamento de pets obesos passa por cuidados com alimentação e exercício

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Quantidade de petiscos deve ser controlada para evitar o sobrepeso em cães e gatos imagem: Getty Images

Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Encher o cão ou gato de ração ou petiscos não deve ser encarado como ato de amor, mas como mau hábito que pode levá-los à obesidade. Bichos gordinhos tendem a sofrer com uma menor expectativa de vida, dores nas articulações, dificuldade de locomoção, problemas de respiração e, até mesmo, diabetes.

O professor Aulus Carciofi, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), explica como identificar se um animal apresenta sobrepeso: "O saudável é ter as costelas facilmente palpáveis. Na natureza, os animais são atletas, rápidos, e para isso precisam ter o corpo fino e musculoso. Hoje, se você coloca um gato de tamanho ideal para ser analisado por proprietários de felinos, a maior parte vai achar que o bicho é muito magro, porque existe uma distorção do que é o padrão".

Balança acusadora

Cães ou gatos que apresentem um acréscimo de 10% ao peso considerado ideal (variável segundo raça, porte, idade e sexo) podem ser considerados com sobrepeso, enquanto o aumento de 25% a 30% é classificado como obesidade. Raças caninas como Cocker Spaniel (ideal: 12 a 15 kg), Labrador (25 a 30 kg) e Rottweiler (37 a 58 kg) estão mais sujeitas ao problema, mas nenhum animal está imune.

O especialista afirma também que a obesidade determina doenças distintas em cães e gatos. No caso felino, além de danos ortopédicos, o diabetes é particularmente comum. Já cães obesos costumam ter expectativa de vida 15% menor e sofrer de dores crônicas nas articulações. Para evitar que isso ocorra a receita é simples: equilibrar a dieta e estimular os exercícios. Comece não deixando a ração disponível de forma permanente e evite atender às súplicas por alimentos “fora de hora”. Aumente a rotina de passeios e brincadeiras e se, ainda assim, o bicho permanecer obeso, procure auxílio especializado, pois o sobrepeso e a obesidade podem ser determinados por disfunções endócrinas.

Dieta, a palavra de ordem

Arquivo pessoal
Bolinha foi adotado por Michelle Scopel quando pesava 36,5 kg: ele está de dieta imagem: Arquivo pessoal
Bolinha e a lanchonete

Foi justamente a dieta aliada à prática de exercícios que fez Bolinha eliminar 20 kg. Resgatado na porta da lanchonete de um posto de combustível na BR-364, em Cuiabá (MT), pela OPA- MT (Organização de Proteção Animal), em setembro de 2014, o cãozinho está sob os cuidados de Michelle Scopel.

Ela conta que o cachorro pesava 36,5 kg ao ser adotado e tem dificuldade para manter o peso saudável. Para isso é preciso manter a alimentação balanceada, os passeios com o adestrador e os exercícios na piscina. O tratamento particular era custeado por doações e foi interrompido em dezembro de 2015 por falta de recursos da ONG. "Desde que parou de fazer as atividades, em janeiro, Bolinha já ganhou dois ou três quilos. Mas percebo que ele é um cão que tem vontade de ser ativo, sabe os dias em que o adestrador viria e fica esperando por ele", conta Michelle.

Arquivo pessoal
Aruska pesa 4 quilos a mais que o recomendado e sofre 'bulling' durante os passeios imagem: Arquivo pessoal
Aruska e o “bulling”

Dieta também faz parte da rotina de Aruska. A cachorrinha tem três anos e pesa 22 kg, mas segundo o veterinário, seu peso ideal é 18 kg. Além dos problemas de respiração (que são comuns em buldogues ingleses) terem se tornado mais evidentes, o peso da cadela se tornou motivo de “bullying” durante os passeios, como conta o tutor Cleber Machado: "As pessoas olham e dizem 'Nossa! Que gorda!'" 

Cansado de tanto falatório e pensando no bem estar do animal, a solução foi adotar hábitos saudáveis: as porções de alimento diminuíram, a ração é especial e os “agradinhos” são contados. Só não mudou a frequência dos passeios, são três por dia. O hábito de agradar os animais, aliás, está entre os principais motivos da balança disparar. "Um dos maiores prazeres do proprietário é dar comida ao gato ou ao cachorro", afirma o veterinário Aulus Carciofi.

Arquivo pessoal
Bento, o gato da Fernanda Mendonça Vicentini foi ganhando peso com a idade imagem: Arquivo pessoal
Bento e o agrado

É um misto deste prazer e de uma "dózinha" que bate no peito que fez com que a jornalista Fernanda Mendonça Vicentini ainda não tenha conseguido colocar Bento na linha. O gato com 12 anos pesa nove quilos, mas o ideal seria que pesasse seis. Fernanda conta que embora Bento sempre tenha sido alimentado apenas com ração, começou a ganhar peso conforme os anos foram passando. Para evitar que o animal tenha complicações decorrentes do sobrepeso, a veterinária do bichano indicou uma dieta.

"Compramos uma ração especial, mais light, mas não tivemos coragem de dar. Temos outros dois gatos e uma matemática cruel: fazer o Bento perder peso sem alterar a alimentação dos outros”. A relação do bichano com a comida, aliás, é bastante peculiar. Bento tem o costume de retirar os grãos de ração do pratinho e comê-los um a um e pede por mais antes mesmo que a quantidade disponível acabe. Mas essa farra, segundo a cuidadora, terá fim: Bento fará a dieta.

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