Casa e decoração

Escolha o condomínio mais adequado ao seu perfil e pague menos

Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O educador físico Carlos Feltrin Cotarelli, 37, sempre procurou usar as áreas comuns do prédio onde mora para o lazer, mas a academia não era boa. “Era pequena e, muitas vezes, eu me exercitava sozinho na sala de jogos, quando as crianças não estavam brincando”. Mas há algum tempo, os condôminos decidiram transferi-la para o salão e incrementar os equipamentos.

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Carlos Feltrin Cotarelli, educador físico, usa a academia do prédio e presta serviço aos vizinhos imagem: Junior Lago/ UOL
O espaço remodelado não apenas redobrou a motivação de Carlos pelo treino, como abriu as portas para um novo trabalho: “Dou aulas como ‘personal trainer’ para os vizinhos”, declara. O professor vê as áreas de uso compartilhado como uma ferramenta para aproximar os moradores e uma chance de trocar, além de experiências e xícaras de açúcar, serviços.

A fisioterapeuta Keiti Quagliato Fonseca de Mendonça, 38, concorda. Ela também usa as áreas sociais de seu edifício para trabalhar e afirma que essa é uma realidade cada vez mais presente. Há cinco anos, Keiti passou a exercer sua profissão sem sair de casa. “Eu havia acabado de ser mãe e, por isso, deixei a clínica. Como o condomínio tem cinco blocos de apartamentos e havia pessoas que precisavam de atendimento, comecei a dividir a academia com outros profissionais, que também aproveitam o espaço”, conta.

Mas nem todo mundo vive em clima de romance com o edifício. A modelo Iasmim Rodrigues, 22, habita um flat no centro de São Paulo. São 360 apês e um leque de serviços: lavanderia, salão de beleza, estacionamento 24 h, sala de ginástica, restaurante, sauna, massagem, piscina, entre outros.

Muito embora tenha tudo o que precisa à mão, Iasmim frequenta uma academia “de rua”. “Eu também não uso a piscina do prédio, acho um pouco suja. É muita gente, tenho um pouco de nojo”, relata. E ela não é a única. Em grandes condomínios há todo tipo de morador, pessoas que gostam do convívio e aproveitam as “amenidades” do prédio e outras que, simplesmente, detestam tudo isso. Mas por que pessoas como Iasmim não procuram edifícios mais simples?

Só apês, uma raridade

É uma questão mercadológica: há tempos prédios residenciais que não ofereçam segurança, lazer e serviços tendem a não emplacar nas vendas. Então, para aqueles que não gostam muito de fazer uso de áreas comuns, as opções mais simples – e, muitas vezes, com taxas mensais mais baixas – vão se tornando casos excepcionais (ou relegadas a imóveis mais antigos) nas grandes cidades. “Itens como piscinas e academias são essenciais. O que varia de um empreendimento para outro é o porte dessas instalações”, expõe Juliana Furiati, gestora de projetos da MRV Engenharia.

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A fisioterapeuta Keiti Mendonça trabalha no prédio, pra ficar 'pertinho' do seu bebê imagem: Junior Lago/ UOL
O perfil do cliente que exige lazer nos condomínios é jovem, com filhos pequenos, cansado de deslocamentos desnecessários e do trânsito das capitais. Os equipamentos mais buscados são a piscina média (que não limita o uso ou representa um aumento significativo no custo de manutenção) e a academia bem equipada.

Para Fábio Kurbhi, vice-presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), piscina e academia não são mais um artifício de marketing, mas uma necessidade da vida urbana. “Em cidades adensadas, onde a locomoção é difícil, muita gente decide morar em estruturas maiores e mais completas, para se deslocar menos”. Por outro lado, os espaços de lazer como as varandas com fornos de pizza e os espaços gourmet têm apresentado pouco uso.

Guia para escolher o condomínio

Segundo a AABIC, o aumento do valor da taxa de condomínio em função da existência de equipamentos como sauna, academia e piscina é relativo, mas o ônus existe e, apesar de poder ser diluído entre as unidades (às vezes, centenas delas), quanto maior for o número de benefícios, mais salgada pode se tornar “a água da piscina”. Por isso, é preciso pensar muito bem na hora escolher o prédio e fazer uma análise sincera sobre seus hábitos e estilo de vida.

O UOL sugere algumas questões para que você possa orientar sua decisão:

  • Se você está matriculado há meses na academia, mas nunca a frequentou, por que fazer tanta questão de encontrar um prédio com uma sala de ginástica gigante?
  • Se sua vida é trabalhar do amanhecer até a hora de dormir e não sobra tempo nem para visitar sua mãe, faz sentido morar em um condomínio com bosque ou uma linda área verde? Você vai realmente arranjar um tempinho para o lazer ou essa é apenas uma “promessa”?
  • Tem filhos pequenos? Deixa a criançada brincar fora dos limites do apê? Tem uma babá ou pode acompanhá-los? Então pese se vale a pena morar em um edifício com áreas de lazer avantajadas, quadras e salões de jogos.
  • Você não suporta o calor e, muito menos, a sauna? Então para quê ter uma no prédio?
  • Sabe nadar? Tem ânimo para praticar o esporte com alguma frequência? Atenção: aquela raia, item com manutenção mais cara nos condomínios, pode ser totalmente desnecessária!
  • Avalie se para você, que só gosta de tomar sol, uma piscina modesta já não é mais que suficiente.
  • Nem pensa em ter carro, então, será que não é mais vantajoso viver em um predinho modesto, onde o custo da taxa de condomínio só engloba a limpeza semanal da área comum?
  • Adora festa, mas não se anima em organizar uma: que tal abrir mão do espaço gourmet com centenas de metros quadrados?

Fez todas as perguntas e escolheu o melhor tipo de residencial para você (e seu estilo de vida)? Peça demonstrativos das seis últimas taxas condominiais (com a discriminação de todos os custos) e descubra o real impacto dessas comodidades no bolso. Contas feitas, lembre-se: as áreas comuns são coletivas, use-as com responsabilidade e respeite quem vive ali, no apê ao lado.

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