Casa e decoração

Arquitetos e decoradores contam o que mais irrita no dia a dia das obras

Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Casa linda e funcional: tudo certinho, no lugar e com bom acabamento. Este é o resultado que se quer em uma reforma ou construção. Mas nem sempre as coisas correm como o esperado e o caldo engrossa na rotina de arquitetos, designers de interiores e decoradores. Para entender melhor os perrengues que esses profissionais enfrentam até tudo estar tinindo, o UOL elencou as seis irritações mais recorrentes no canteiro de obras.

Leo Gibran/ Arte UOL
imagem: Leo Gibran/ Arte UOL

Mudar sem comunicar

“Em obras, o maior problema é com construtoras e engenheiros que não seguem o desenho do projeto. As mudanças podem ser necessárias, mas precisam ser comunicadas. Escolher a solução mais rápida e simples pode gerar problemas no futuro. Os clientes também devem entender que alterar as coisas depois que o projeto executivo é aprovado e a obra está em andamento é muito complicado: o custo aumenta e a entrega atrasa, porque há o retrabalho de vários profissionais.”
Sarkis Semerdjian, arquiteto

Leo Gibran/ Arte UOL
imagem: Leo Gibran/ Arte UOL

Prazo: o que é isso?

“Há clientes que demoram para aprovar orçamentos e fechar pedidos e, quanto maior é essa demora, mais distante fica o fim da obra. Há outros que esquecem os prazos para o pagamento das parcelas dos serviços ou dos fornecedores e fazer esse tipo de cobrança é uma das coisas mais chatas e desagradáveis que existe.”
Tatiana Marques, arquiteta

“Nossas agendas são programadas com uma antecedência de cerca de 10 dias e falta de planejamento, reuniões canceladas em cima da hora ou atrasos desestruturam o sistema”
Bianka Mugnatto, designer de interiores

Leo Gibran/ Arte UOL
imagem: Leo Gibran/ Arte UOL

Todo mundo 'entende' de obra

“Todo mundo ‘entende’ de projeto, de estrutura etc.. Você chega na obra e o cliente mandou passar as tubulações no meio de vigas, movimentar terra ou fazer muros sem verificar o planejamento estrutural. Isso é bem comum e grave. Em relação à mão de obra, o respeito mútuo é necessário: explicar didaticamente o que se deve fazer, deixar tudo anotado, ordenar prazos e pagar em dia, essa é a receita.”
Monica Drucker, arquiteta

“É complicado quando falta confiança do cliente no parecer técnico. As orientações dadas pelo arquiteto podem e devem ser discutidas, mas existem pessoas que rebatem e desconfiam de todas as opiniões profissionais, o que faz com que a relação entre as partes fique mais tensa.”
Gabriel Magalhães, do Gabriel Magalhães e Luiz Cláudio Souza Arquitetos

Leo Gibran/ Arte UOL
imagem: Leo Gibran/ Arte UOL

Vida pessoal? Quem precisa disso?!

“Irrita receber mensagens no Whatsapp às 23 h, aos sábados ou aos domingos, com dúvidas ou relatórios de pendências. Vivíamos menos estressados quando a comunicação era toda feita por email. Há, ainda, clientes que visitam a obra todos os dias e fazem alterações por conta própria, atropelando, portanto, o trabalho do arquiteto.”
Eleonora Hildebrand, do Hildebrand Silva Arquitetura

Leo Gibran/ Arte UOL
imagem: Leo Gibran/ Arte UOL

Serviço qualquer nota

“Eu gostaria de entender por que tem pintor que não gosta de forrar o chão!? Por que alguns marceneiros não gostam de proteger as paredes? Por que certos eletricistas não testam luminárias? E, por que, parte dos encanadores não testa o ralo? Tampouco compreendo o porquê de o boxe sempre vazar no primeiro banho dos clientes, e, claro, a razão pela qual o ar-condicionado novinho não funciona nos dias mais quentes. Quando um fornecedor não executa um trabalho de qualidade ele depõe contra si mesmo. É preciso ter muita paciência e cabeça fria para achar boas soluções para os problemas. Mas no final, tudo tem conserto.”
Maurício Karam, arquiteto

Leo Gibran/ Arte UOL
imagem: Leo Gibran/ Arte UOL

Eu contrato, mas a culpa é sua

“Muitas vezes os clientes fazem concorrências injustas como, por exemplo, contratar um mestre de obras mais barato do que uma empresa de engenharia. E, muitas vezes, cobram do arquiteto a responsabilidade pelo trabalho de um profissional desqualificado. O resultado é o desgaste entre as partes e prejuízos para todos.”
Débora Dalanezi, do Sesso & Dalanezi Arquitetura + Design

"A arquitetura é uma das peças de um contexto de profissionais – pedreiros, eletricistas, marceneiro, fornecedores de mobiliário e objetos etc.. Nós tentamos nos cercar dos melhores, mas não temos controle absoluto sobre todos. O cliente precisa separar as coisas: afinal, qual o limite da responsabilidade do arquiteto?”
Flavio Castro, arquiteto

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