Animais

Por que seu bicho está comendo cocô e como fazê-lo parar

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Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Seu bicho anda comendo cocô? Então, primeiro, muita calma: este não é, necessariamente, um problema. Segundo o professor de zoologia Carlos Alberts, "o fenômeno é muito raro quando se trata de gatos e bem mais comum em cachorros".

Por isso, observe e analise o seu pet. A adestradora Naila Fukimoto diz que "vale a pena ir ao veterinário e fazer exames para checar se o bicho tem alguma deficiência na absorção de nutrientes ou verminoses", mas, descartadas tais hipóteses, o hábito estranho tende a ser algo natural ou decorrente de um distúrbio comportamental.

Por exemplo, os filhotes podem estar ansiosos, pouco estimulados ou estar, apenas, tentando chamar a atenção do tutor. Antes de tomar medidas mais drásticas, a primeira providência é controlar os horários da alimentação do bichinho - cães costumam fazer xixi e cocô meia hora depois da refeição -, e desviar a atenção do pet na hora de recolher as fezes.

Para ajudá-lo a saber como agir, o UOL lista abaixo situações para cães e gatos que podem ou não ser um sinal de alerta e dá dicas de como solucionar um eventual problema.

É normal

  • Cães: quando o motivo é o mesmo que os faz enterrar ossos e carnes. Cães são bichos carniceiros (ou seja, se alimentam também de carne em decomposição) e, para tanto, precisam de bactérias-amigas que só existem nos dejetos ou no ossinho, depois de enterrado. Neste caso, comer cocô (o dele próprio ou o da mãe) é natural. Outro movimento inato de proteção é o da cadela que consome as fezes dos filhotes, para 'escondê-los' de predadores.
  • Gatos: quando é um mecanismo de defesa de filhotes; um jeito de esconder a 'sujeirinha' deixada no território de um gato dominante. Fêmeas também podem comer as fezes para proteger seus filhotes de machos estranhos à prole, que poderiam matá-los.

Não é normal

  • Cães: a família mudou de residência, os móveis estão em lugares diferentes ou algum novo integrante alterou a dinâmica da casa? O cão pode se sentir perdido e acabar fazendo cocô onde não deve. Nessas circunstâncias, alguns cachorros comem as fezes para esconder 'a arte' e evitar broncas. Ingerir o cocô também pode ser resultado de um treinamento muito rígido: o bicho sente tanto medo de 'errar' o local da defecação, que prefere dar cabo de seu 'produto interno bruto'.
  • Gatos: bichanos domésticos tendem a se comportar como 'eternas crianças' e podem entender que esconder a sujeira é uma forma de se proteger do castigo. Assim se a caixa de areia está cheia ou inexiste, o felino pode tentar eliminar a prova de um cocozinho fora de lugar. Também há gatas-mamães que têm distúrbio de comportamento e continuam a devorar as fezes da prole, mesmo depois dos filhotes estarem crescidos.

O que fazer?

  • Cães: se o comportamento for normal, dê ossinhos para ele enterrar (quando possível). Se for desvio comportamental decorrente da rigidez da conduta, diminua o tom das broncas ou a intensidade do treino. Se o bicho estiver ansioso ou manifestar outro problema comportamental use alho triturado, pimenta ou desinfetante nas fezes: o cheiro vai espantá-lo.
  • Gatos: mantenha a caixa sempre limpa, pois felinos são muito higiênicos. Se possível, faça a limpeza mais de uma vez por dia. Se for um desvio de comportamento, aja como para os cães: misture às fezes alho, pimenta ou mesmo desinfetante, os gatinhos vão desistir 'do lanche'.

Fontes: Carlos Alberts, professor de zoologia e especialista em comportamento animal da Universidade Estadual Paulista (UNESP- Campus Assis); Naila Fukimoto, adestradora da Cão Cidadão e mestranda do departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP).

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