Construção e reforma

Fuja das pegadinhas e calcule corretamente o revestimento cerâmico

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Juliana Nakamura

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Para quem está construindo ou reformando, calcular com precisão a quantidade de materiais é uma tarefa árdua, mas necessária. O cuidado evita idas e vindas às lojas e atrasos na execução dos serviços, além de minimizar o desperdício.

"O ponto de partida é ter uma planta com as medidas corretas, levando em conta largura, comprimento e altura dos ambientes", afirma o arquiteto Marcos Biarari. Ao fazer a conta, pese também as características de cada produto. Como explica o arquiteto José Cláudio Falchi, "quando usamos pastilhas cerâmicas, a perda é quase zero, mas o mesmo não acontece com o porcelanato".
Via de regra, o cálculo ainda precisa considerar as perdas no transporte e no manuseio dos materiais e, por isso, a recomendação é acrescentar entre 3% e 5% ao montante. Mas há quem eleve este cálculo extra aos 10%, especialmente, quando o revestimento pede recortes ou é mais frágil. 
 
Como calcular os revestimentos cerâmicos?
 
Arte UOL
imagem: Arte UOL
Esse cálculo é relativamente simples, basta descobrir a superfície real: calcule a área do piso em metros quadrados (comprimento x largura) e, para paredes, faça o mesmo, mas desconte os vãos de portas de janelas (quando houver). Para saber quantas caixas comprar, divida este valor pela metragem quadrada marcada na embalagem do revestimento que você escolheu, mas cuidado este número muda de acordo com a fabricante e com o tamanho das placas.
 
Por exemplo: se um porcelanato da marca ‘A’ (45 cm x 45 cm) é fornecido em caixas com 1,82 m² e o produto da marca ‘B’, com placas da mesma medida, vem em pacotes com 1,22 m², o resultado final será distinto e a diferença, considerável. Pois, para comprar 10 m² de piso ‘A’, seria preciso adquirir 6 caixas (10,86 m²) contra 9 da marca ‘B’ (10,98 m²).
 
Cuidado com as pegadinhas
 
  • Se o rodapé for feito com as mesmas peças do revestimento cerâmico, acrescente no cálculo. [Dica! Para muitos padrões é possível encontrar placas específicas para rodapé vendidas por unidade ou em pacotes. Neste caso, basta calcular a metragem linear (em cm) e dividir pelo comprimento da peça (60 ou 80 cm, por exemplo)].
  • Atente-se: um dos erros corriqueiros é arredondar a quantidade de cerâmicas que vem nas embalagens. Como as caixas geralmente fornecem metragens quebradas, SEMPRE arredonde a conta para cima.
  • Lembre-se: paginações inclinadas ou formando desenhos consomem mais peças. 
  • Para finalizar: considere um excedente de, ao menos, 2 a 5% (há quem diga que este número deve chegar a 10%) para eventuais trocas no correr dos anos.
Não esqueça do assentamento
 
Para assentar os revestimentos cerâmicos dois itens são essenciais: a argamassa colante e o rejunte. Em geral, o consumo de argamassa fica em torno de 5 kg/m² (para aplicações que exigem camadas simples). Para a colocação de pisos, porém, a norma é a dupla camada (aplicação da massa no chão e na peça) e, por isso, o consumo sobe para aproximadamente 8 kg/m².
 
Para calcular a quantidade de rejunte, você vai precisar saber o tamanho dos pisos e azulejos a serem rejuntados e o tipo do rejuntamento (acrílico, epóxi ou cimentício), além da espessura da junta que pode variar de 1 a 10 mm. Essa conta muda segundo a marca do produto, por isso, é necessário consultar tabelas específicas. A boa notícia é que para acessá-las, basta procurar na Internet pela marca + tipo de rejunte. Em geral, tais produtos são encontrados em embalagens de 1 kg e 5 kg. Dica: procure comprar o material de um mesmo lote, para minimizar diferenças na pigmentação. 
 
Fontes: Angela Ishibashi, arquiteta; Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica (Anfacer); CeC Casa & Construção; José Cláudio Falchi, arquiteto, sócio do Falchi Arquitetura; Luís Nishi, arquiteto dos escritórios Laka Decora e JDVD; Marcos Biarari, arquiteto, sócio do escritório Biarari & Rodrigues.
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