Animais

Mitos e verdades da ração canina e o impacto na saúde do bichinho

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Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Além de mostrar que você é um tutor responsável, preocupar-se com a boa alimentação do seu animal resulta em menores despesas com veterinários e medicamentos, seja no médio ou longo prazo. Sem contar a vantagem de ter em casa um cão com bom funcionamento intestinal, o que gera conforto e bem-estar para eles e para nós também.

Hoje, há um enorme cardápio de opções para oferecer ao seu bichinho, por isso é importante saber escolher o que mais se aproxima do ideal para cada um em particular. As rações são fáceis de encontrar, atendem às necessidades dos cães, são práticas e têm custo razoável.
 
Contudo persiste a crença de que as rações industrializadas provocam doenças, inclusive câncer, em razão do excesso de conservantes químicos, mas os veterinários especializados em nutrição animal discordam: não há evidências científicas que comprovem tal teoria. Rações de melhor qualidade passam por certificação rigorosa e utilizam conservadores como vitamina E e antioxidantes naturais ou conservantes químicos em baixíssima quantidade. 
 

A ração não é a vilã

Segundo os especialistas, é comum ouvir que o número de casos de câncer entre os animais aumentou. Para parte dos veterinários, isso é atribuído à longevidade alcançada pelos bichos de estimação. Antes, os indivíduos que chegavam aos sete anos já eram considerados idosos. Agora, espera-se que ultrapassem os 15. Com isso, cresceu também a incidência de doenças, o que não deve ser atribuído ao uso de rações.

 
Na contramão, dietas caseiras sem balanceamento têm levado animais aos consultórios com deficiências nutricionais. Quando a opção do tutor for a alimentação natural, que bem feita pode ser muito benéfica, é necessário que a orientação e o preparo da rotina alimentar sejam realizados por profissionais capacitados para compreender as necessidades e demandas específicas de cada cão. Entre outros fatores, são levados em conta o porte e a idade do animal. 
 
Por dentro das rações
 
As rações recomendadas por profissionais são as chamadas 'premium' e 'super premium'. Elas reúnem carboidratos, gorduras, fibras, minerais, vitaminas e proteínas, estes últimos elementos fundamentais, que devem compor cerca de 20% do produto. Também deve-se observar o extrato etéreo, ou seja, a gordura da ração. Tal ingrediente caro tende a estar presente em rações de melhor qualidade e o índice considerado bom gira em torno de 14% da composição. O teor de gordura, assim como para os humanos, é importante para garantir energia ao cão.
 
Atente-se também se na embalagem encontram-se discriminados os prebióticos como mananoligossarideo, inulina e frutooligossacarideos, que tornam o produto mais digestivo. A presença de hexametafosfato de sódio também é importante, pois o composto ajuda a prevenir a formação da placa dentária.
 
As rações com grande quantidade de fibras ou minerais são consideradas de pior qualidade, mas, dependendo da necessidade, são indicadas para ajudar no tratamento de animais obesos ou diabéticos. De forma geral, o mais prático para uma boa alimentação é optar por rações mais elaboradas e ficar atento à quantidade oferecida, evitando o sobrepeso. Evite os produtos de baixa qualidade (majoritariamente compostas por grãos), que podem conter micotoxinas (substâncias tóxicas produzidas por fungos) em sua composição e consequentemente causar danos à saúde dos cães. 
 

Avanços da indústria

No mercado há produtos cada vez mais específicos para a alimentação canina que levam em conta raça, tamanho, idade e doenças. Os alimentos classificados como de manutenção ou terapêuticos apresentam características variáveis para que os bichos respondam melhor à determinada sensibilidade, como por exemplo, predisposição para doenças de pele e devem ser indicados por veterinários.

Para os animais com problemas renais, há rações com baixa quantidade de sódio e potássio. Do mesmo modo, existem produtos para os diabéticos ou com colesterol alto. Mas atente-se, os alimentos terapêuticos funcionam apenas como coadjuvantes no tratamento de enfermidades e prometem contribuir para que a necessidade do medicamento seja reduzida. 

Fontes: Gustavo Almeida Gonçalves, conselheiro efetivo do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro; e Leandro Zaine, médico veterinário graduado pela Unesp, atua com nutrição de cães e de gatos desde 2007 e é sócio-fundador da Alimentar Vet - Nutrologia Veterinária.
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